Thursday, 6 September 2007

BuziNão

Há dias assim, uma pessoa acorda e dá logo de trombas com uma notícia radiofónica (confesso que não sei muito bem como é que se dá de trombas com uma coisa que nos entra pelos ouvidos, mas soa bem e além disso a anatomia nunca foi o meu forte) que uns putos ingleses, que se autointitulam como “Buzinas”, ganharam o prémio maior de música daquela ilha. Como eu de música não percebo nada, sou da opinião que os gajos ganharam aquilo pelo título do disco: “Miths of the Near Future”. Qualquer coisa que tem um cheiro de futurismo no título deve, de certeza, representar a vanguada do que vai surgir por essas ondas radiofónicas mundo fora. Pior ainda é quando se utiliza a palavra “mito”: acho que foi com isto que arrasaram a concorrência. Agora que se exacerbou mais um “hype”, pobres dos nossos ouvidos que terão que aturar isto não sei quanto tempo. O que vale é que a maior parte das denominadas “mais uma grande banda da década” que vão aparecendo todos os anos, enlevadas num altar pelos doutos críticos musicais que atiram a tudo o que mexe com cagufa de deixarem passar, em vida, os génios que marcarão a música das décadas seguintes, vão desaparecer da memória colectiva com a mesma rapidez com que decidiram, um dia, pegar nuns instrumentos e começar a tirar de lá uns acordes (inspira! que o ar já escasseia depois de ler esta frase). Felizmente não lhes deu para usarem campaínhas, apesar de o nome da banda fazer recear o pior, talvez por ser o instrumento mais tocado por toda a gente. A propósito: acham que ainda há macacos no Árctico, ou teremos de esperar pelo aquecimento global?

Informação Científica: o Mercúrio é um metal tóxico que causa lesões graves no cérebro.

Advertência ao Consumidor: Esta crítica foi escrita por um gajo que não percebe nada do assunto, e que só ouviu umas duas ou três musiquinhas (são mesmo musiquinhas) destes tipos mas que foram o suficiente para os achar particularmente irritantes. Assim mesmo, sem concessões!

Wednesday, 5 September 2007

30 Anos a Voyager no Espaço


Foi neste dia do ano de 1977 que a nave Voyager 1 foi lançada para o espaço com o objectivo de vaguear no Universo como um vagabundo das estrelas, não sem antes ter visitado alguns objectos celestes do nosso sistema solar. Actualmente é o objecto humano mais distante da Terra, a umas respeitáveis (para nós) 104 Unidades Astronómicas, ou seja, 104 vezes a distância média da Terra ao Sol. Uma mensagem da Voyager 1 demora cerca de 13 horas a chegar até nós. Tal como uma mensagem numa garrafa que enviamos para o mar numa ilha deserta é caso para dizer que, apesar da distância, não saíu ainda sequer da praia.


No seu percurso visitou Jupiter e Saturno, mas agora está muito para além do último planeta do sistema solar, mas ainda dentro da área de influência do Sol. Apesar de ter sido lançada antes, em 20 de Agosto do mesmo ano, a Voyager 2 não se encontra tão distante. A Voyager leva consigo uma mensagem representativa da civilização e cultura terrestre na esperança que alguma civilização no espaço exterior a intersecte e assim tome conhecimento da nossa presença no Universo. Até agora parece que nos encontramos sozinhos por aqui, embora isso nos pareça ser um enorme desperdício de espaço, como afirmava Carl Sagan.


Imagens (C) NASA

Tuesday, 4 September 2007

Blog Alvo de Espionagem

A internet parece ser um meio promíscuo para ensaiar diversos tipos de manobras invasoras de propriedade alheia com o intuito de nos espiarem. Eu a julgar que só os americanos é que apanhavem destas no Pentágono mas eis que, sem saber como, me aparece aqui no blog esta mensagem:


Não faço a menor ideia de qual o significado da mensagem, mas desconfio que é para mandarem este blog à fava, talvez a pedido de algum ministro nacional preocupado com as sucessivas vagas de contestação que por aí andam.

Thursday, 30 August 2007

Os Eco-Idiotas

É Agosto, ninguém acha de mau-gosto

Num tempo em que a facilidade de reconhecimento maniqueista do capitalismo americano bom e do comunismo soviético mau se esvaneceu, procuram-se identificar novas referências e causas por que lutar. Os novos contestatários, sem as figuras carismáticas dos regimes revolucionários para os guiarem numa demanda romântica típica dos primeiros anos da juventude, atiram-se ao que apanham pela frente. Uma das causas actuais é a da preservação do meio ambiente. Vem isto a propósito da recente destruição de uma plantação de milho transgénico no Algarve por um bando de arautos da defesa ecológica. A manifestação por causas ecológicas e em prol da defesa do ambiente ou da saude pública são, a meu ver, de importância inquestionável. O que já não é compreensível é que a pretexto disso se prive alguém do seu rendimento vandalizando uma plantação. Aliás, tem-se criado um alarmismo exagerado relativamente aos organismos transgénicos condimentado com muita falta de informação, mas pouca importância se dá à actividade agrícola que faz uso de fertilizantes e pesticidas com um manancial de químicos cujos efeitos imediatos na saúde pública são bem mais graves. Notáveis são igualmente as declarações de Miguel Portas, mostrando simpatia para com a acção mas censurando o facto de se ter atingido um pequeno agricultor. Dá para questionar qual o plafond mínimo a partir do qual a acção passa a ser perfeitamente aceitável. Já estou a ver os activistas a investigarem as declarações de IRS dos proprietários ou o IRC das explorações agrícolas para determinar se a plantação visada cumpre os requisitos para a vandalizarem. Finalmente, creio que só mesmo os elementos de uma sociedade abastada e sem preocupações com a alimentação se lembrariam de cometer tal acto.

O mundo está cada vez mais plural, miscigenado e urbanóide, mas mais igual em termos de referências, nomeadamente por via da sociedade de consumo. A Natureza é algo que está longe, é bonito e importa preservar a todo o custo, mesmo que para isso se tenha que privar os nativos dos paraísos naturais das oportunidades de melhorarem as suas condições de vida, esquecendo-se que a verdadeira preservação da Natureza está na alteração dos (nossos) hábitos de vida no primeiro mundo. Ao mesmo tempo também se vai achando piada fazer férias do tipo “ecológico” em sítios remotos, que não são isentas de impactos negativos para esses locais no pressuposto que o privilégio seja exclusivo dos eco-turistas e vedado às massas. Vão igualmente surgindo formas de vida alternativas que até têm várias virtudes, mas alguns dos seus praticantes revelam certos indícios de intolerância, a exemplo do que li recentemente sobre “veganossexuais” (já haviam os metrossexuais... é mais um género!). Aí, uma adepta afirmava que a ideia de beijar alguém que usa carne na sua dieta alimentar era nojenta. Em primeiro lugar, até desconfio que a autora destas palavras deve ser familiar do Macário Correia. No entanto, gostaria de salientar que considero que cada um é inteiramente livre de seguir os princípios de vida que entender sem que tal me cause qualquer incómodo. Mas isso não me impede de considerar que a forma como a afirmação foi proferida raia uma intolerância típica de algumas seitas religiosas. O espírito de tolerância parece-me um dever cívico básico de cada um de nós e acima de tudo devemo-nos saber respeitar uns aos outros reconhecendo precisamente aquilo em que somos diferentes e não apenas o que temos em comum.


Cartoon de Bandeira, publicado a 20 de Agosto de 2007 no DN (clicar para ver melhor).

Tuesday, 28 August 2007

As Conversas dos Outros

Creio que todos nós damos conta em diversas ocasiões que somos involuntariamente transportados para o interior da vida privada de terceiros que nunca vimos senão naquele momento em que sacam de um telemóvel e desatam a conversar, alto e bom som, sobre as chatices da Paula que agora também anda com o Carlos mas que afogou as mágoas no shopping da zona de residência. A moda, embora ainda não tão privada, parece ter-se transferido para os blogs...

Saturday, 18 August 2007

Garbage In, Music Out


Em mais uma breve aparição (a dar para o virtual), com as férias terminadas a 15 mas o corrupio de mais uma fugida Europa adentro em tarefas de comunicar ciência inter pares que me levam ausente por mais uma semana, venho aqui agradecer os desejos de boas férias dos obstinados visitantes. Em sinal de reconhecimento, e porque a edição de um Best of dos Garbage me fez retirar o seu disco homónimo do já distante ano de 1995 da prateleira, relembrando assim a sua excelente estreia com uma música que fundia alguns géneros dentro do rock, pop e electrónica e que por vezes nos leva a apetecer pular que nem loucos com um som uns decibéis acima da média, deixo o painel das audições renovado. Foi um dos grandes discos desse ano. Como corolário do que também acontece ou vai acontecer a muita banda do momento, os Garbage nunca mais se acercaram deste nível, passando a aproximar-se mais da máxima “Garbage In, ...”. Fica um dos momentos altos do disco, Queer, para audição.

Enjoy!

Friday, 27 July 2007

A Personalidade do Mês (Julho)

Com o aproximar da Estação Idiota (mais conhecida por Silly Season) aumentam também as notícias igualmente idiotas. Nesta altura não há muita pachorra para ouvir notícias, mas ocasionalmente, alguma acaba por cruzar o trajecto dos meus ouvidos e lá fica registada alguma coisa. Assim, e até porque o nomeado é um representante da região com a maior concentração de idiotas por metro quadrado durante a referida Estação, daqueles que aparecem depois muito em revistas igualmente idiotas, o prémio vai para:

Macário Correia, Presidente da Câmara de Tavira e ex-qualquer coisa do ambiente, ao ser questionado por uma jornalisa da TSF sobre o que havia causado a explosão em Tavira respondeu que “...a explosão se deveu a material explosivo”.

Comentário do Comité do Restaurante:

Atendendo ao facto que o Comité pensou durante dias e horas a fio sobre uma resposta equivalente e não consegui encontrar nenhuma, é no mínimo notável a rapidez e clareza da resposta de Macário Correia. Na nossa opinião, o premiado anda a lamber demasiados cinzeiros.

Nota do Comité: O Comité do Restaurante avisa o Dr. Alberto João Jardim que não vale a pena armar-se ao pingarelho e não aplicar as leis da República só para que se veja nomeado para este prestigiado prémio. O Comité não responde a ameaças e atitudes idiotas que só ficam bem a adornar a estação que agora se aproxima, mas avisa que ao contrário dos últimos comentários proferidos por V. Exa. aconselhamos vivamente que apanhe com urgência um avião e consulte os serviços médicos de uma instituição nas bandas da Avenida do Brasil em Lisboa, com especialistas em tratamento de doenças crónicas que revelem obsessões graves, como a que tem demonstrado há já várias décadas.

Umas Boas Férias!

Saturday, 21 July 2007

A 10 000 m do Chão...

Junção de dois glaciares na Gronelândia.

Na Baía de Hudson, no Canada.

Baía de Hudson, no Canada. Os padrões são o resultado do dobramento das rochas.

Por um Planeta onde ainda seja possível ver estas imagens no futuro...

Monday, 16 July 2007

Portugal Já Não Mora Aqui

José Saramago, por Vasco

Senilidade: s.f., deterioração mental ou física devida à idade avançada; velhice; senectude.

“Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha” – José Saramago (DN, 15 de Julho de 2007)

“Não sou conselheiro de ninguém, mas se eu fosse aos espanhóis não sonhava sequer em promover tal integração, salvo se lhes quisesse lixar a vida e os níveis de desenvolvimento” – Membro deste estabelecimento, que nunca ganhou um Nobel nem tem importância nenhuma.

Saturday, 14 July 2007

Personalidade do Mês (Junho)

Tem sido muito complicado arranjar tempo onde ele não existe, mas a equipa cá da casa não poderia deixar de manter esta rubrica dos prémiozitos para a rapaziada desse mundo fora que demonstre ser merecedora de tal distinção.

A bufaria e o controlismo agudo parece ser o mote no Ministério da Educação, tendo agora a Associação de Professores de Matemática (APM) sido convidada a abandonar a comissão de acompanhamento do Plano da Matemática uma vez que criticou as declarações proferidas pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Mas achamos que esta matéria começa a ser perigosamente repisada, revelando já alguns laivos de demência que colocam a democracia em estado de desgraça, e denota também uma profunda falta de imaginação. Assim, o prémio referente ao mês passado (com as eleições para a CML jà amanhã) vai para

Manuel Monteiro, candidadato à CML, que afirmou, em entrevista à TSF, que é um anormal da política.

Comentário do Comité do Restaurante:

Os nossos sinceros parabéns ao Dr. Manuel Monteiro pois a sua afirmação é de uma profundidade que julgávamos inexistente na classe política. De forma sucinta, tomou a vanguarda da própria classe sendo pioneiro em reconhecer e assumir algo que, no fundo, é comum a todos os políticos portugueses que até ao momento foram incapazes de o ver (e assumir) de forma tão clara, o que coloca a anormalidade do Dr. Manuel Monteiro numa anormal normalidade.

Menção Honrosa:

Então não é que George W. Bush consegui fazer desaparecer um relógio de pulso enquanto cumprimentava, calorosamente, uma multidão na Albânia?

Comentário: O Comité do Restaurante acreditava piamente que George W. Bush só conseguia fazer merda, mas enganou-se redondamente. O Comité soube, de fonte segura, que a sua filha lhe ofereceu um kit de ilusionismo, pelo que o presidente americano aproveitou precisamente esse contacto com a população albanesa para executar o truque do desaparecimento do relógio do pulso. Pelos vistos a sua demonstração foi brilhante, e somente os serviços de segurança deram pela manha do presidente, prontificando-se a esclarecer o Mundo. É extraordinário! Ninguém consegue enganar estes Americanos!