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Sunday, 6 September 2009

A Pequena Camada Atmosférica



A partir da Estação Espacial Internacional, mais uma foto do nosso Planeta Azul que, ao contrário do que apregoam, não é nada frágil. Frágil é a vida que nele habita! E a fina camada azul é a pequena redoma atmosférica que mantém parte substancial dessa vida realmente viva. Foto da NASA retirada do site do Público.

Wednesday, 22 April 2009

Tuesday, 28 October 2008

O (h)OMO (sapiens) Lava Mais Branco

Passe a leve referência publicitária no título, esta fotografia tem tanto de belo como de assustador, embora esta última característica esteja oculta ao leitor não informado. E é para isso que aqui estamos: esclarecer! A fotografia, retirada hoje do site do Público, representa corais da Grande Barreira Australiana descoloridos devido a um fenómeno conhecido como “coral bleaching”. A descoloração dos corais deve-se à morte dos organismos simbióticos que com eles vivem, normalmente algas fotossintéticas, que por sua vez resulta de dois factores principais: 1. modificação da temperatura das águas do oceano, nomeadamente aquecimento; 2. acidificação dos oceanos, devido ao aumento do CO2 atmosférico que não é mais que um ácido (embora fraco, não deixa de o ser). As conclusões são desnecessárias. Cada um tire as suas!


Fotografia: Ove Hoegh-Guldberg/ cedida à Reuters pelo Centro de Estudos Marinhos da Universidade de Queensland.

Sunday, 5 October 2008

Velha p'ra Caraças!

É o que uma rocha encontrada num afloramento no Quebeque, Canada, é após ter sido medida a razão dos isótopos de neodímio e samário pela equipa de Jonathan O'Neil da Universidade de McGill em Montreal. O grupo de rochas a que este afloramento faz parte já havia sido datado como tendo 3,8 mil milhões de anos usando um mineral muito útil para o efeito: o zircão, que é um silicato de zircónio extraordinariamente resistente à alteração. Acontece que a rocha agora datada não continha zircões pelo que os investigadores tiveram de usar outro método. E a bonita idade do exemplar? Uns singelos 4,28 mil milhões de anos, quebrando em 250 milhões de anos o anterior recorde. Atendendo a que a nossa visão da Terra primitiva é tão boa quanto a de um objecto a 2 km de distância numa noite de nevoeiro cerrado, este resultado demonstra que a diferenciação de uma crosta sólida terá ocorrido cedo na história do planeta que já leva uns respeitáveis 4,6 mil milhões de anos.

O trabalho científico foi publicado há pouco mais de uma semana na revista Science.

Wednesday, 9 April 2008

As Verdades Que São Mentiras e as Mentiras Que Continuam Verdades

Estive com vontade danada de publicar isto a 1 de Abril, mas acabei por não ceder às tentações. Iremos pois invocar, uma vez mais, o Ano Internacional do Planeta Terra (AIPT), não sem antes abordar a primeira parte que o título sugere. O Ano Polar Internacional esteve inicialmente programado para ocorrer durante o período de 2007/2008, mas afinal acabou por ser estendido até 2009 ao contrário do que aqui havia sido afirmado há um mês. Seguramente aproveita o balanço que o AIPT tomou para que estejamos mais um ano a falar dos polos e da sua importância para os balanços climáticos.

Quanto ao resto! É sempre com alguma amargura que constato uma clara displicência generalizada por determinadas áreas do saber. Um pouco mais ou menos como no desporto, em que se fala 364 dias do ano de futebol e das outras modalidades no resto do tempo, e somente quando ganham algo de significativo. O AIPT foi uma iniciativa proposta pela IUGS (International Union of Geological Sciences) e que foi acolhida pela UNESCO. Por cá, as movimentações não se fizeram esperar, e os que normalmente nunca se preocupam e praticamente ignoram uma ciência que dá pelo nome de Geologia (nas 24 h do seu dia-a-dia nem se lembram sequer que existe), foram dos primeiros a assomarem ao palco e ao centro das atenções e holofotes. É a chamada corja de “cientalites”, uma mistura de “cientistas” e “socialites”, pois não se lhes reconhece outra actividade no curriculum que não seja aparecerem e serem fotografados em festividades que se transformam em circos bacocos. Quanto aos que, muito seriamente e com algumas dificuldades, têm vindo a fazer trabalho efectivo nesta área desde há anos, nem sequer houve a delicadeza de lhes perguntarem a opinião. Para quê? Já não dissemos aqui que a mediocridade só prevalece se a competência se mantiver enterrada?

Sunday, 2 March 2008

A Nossa Terra

Já aqui foram mencionadas as iniciativas de cariz científico e não só relativas ao Ano Polar Internacional e Ano Internacional do Planeta Terra. O primeiro havia sido lançado há precisamente 1 ano e 1 dia e vê agora os seus dias chegarem ao fim neste mês. O segundo, arrancou também no ano passado, mas só a 12 e 13 de Fevereiro de 2008, em Paris, foi lançado oficialmente sob os auspícios da UNESCO. Ambos os eventos são oportunidades únicas para uma consciência colectiva dos problemas que nos afectam no planeta onde habitamos e, para todos os efeitos a muito longo prazo, o único no Universo onde tal é possível. Ninguém, em seu perfeito juízo, deita abaixo a sua própria casa.

A revista Nature publicou em Janeiro de 2008, um suplemento dedicado ao Ano Internacional do Planeta Terra. Uma ocasião para olharmos para uma ciência que tem sido algo menosprezada na feira das vaidades social onde se olha demasiadas vezes para a indumentária e pouco para a substância. Aliás, em 2007 decorreram 200 anos desde que foi criada a mais antiga sociedade geológica. Decorria o ano de 1807, era uma sexta-feira, 13 de Novembro, e 13 personalidades colocaram a sua assinatura no documento que criou a Geological Society of London. Acto contínuo de desrespeito por crenças supersticiosas, da ciência que mais abalou em todo o século XVIII e XIX as estruturas da fé cristã. No artigo de Frank Press, precisamente sobre “Earth Science and Society”, há duas citações que o autor usa e que merecem ser aqui reproduzidas. Uma vem da pouco simpática Margaret Tatcher, numa ocasião na Royal Society em 1988 onde afirmou “the value of Faraday's work today must be higher than the capitalization of all the shares on the stock exchange”. A outra, do historiador americano Will Durant, que afirmou “Civilization exists by geological consent, subject to change without notice”.

Cabe-nos a nós, meros habitantes neste frágil Planeta Azul, reflectir sobre ambas.


Wednesday, 23 January 2008

Over The Volcano

Os cientistas Hugh Corr e David Vaughan do British Antarctic Survey, após analisarem um conjunto de dados de radar colhidos num voo há três anos, verificaram a existência de uma camada reflectora nos gelos da Antárctica (mais forte que a do substrato geológico) cuja única explicação plausível é corresponder a um nível de cinzas vulcânicas de uma erupção recente. O artigo foi recentemente publicado na Nature Geoscience. Na realidade, estaremos na presença de um vulcão activo debaixo dos gelos da Antárctica, cujo último rugido ecoou há uns breves 2000 anos atrás. O ponto quente respectivo situa-se na região de Pine Island da Camada de Gelo da Antárctica Ocidental, um local onde os glaciares retraem a uma taxa superior à de outras regiões do continente. Embora se desconfiasse que existissem vulcões activos debaixo da espessa camada de gelo, tal nunca tinha sido confirmado até hoje. Se bem que conhecido como um continente gelado, a Antárctica possui alguns vulcões activos que emergem desse imenso mar branco, o mais importante dos quais é o Monte Erebus, na Ilha de Ross, cuja actividade contínua tem vindo a ser observada desde os anos 70.

(C) NASA

Agora imagine o leitor o espetáculo explosivo que é uma erupção destas, dando origem ao que se designa por freato-magmatismo. Se colocar água fria em cima de um ferro em brasa dá o que todos sabemos, o que serão as toneladas de gelo a derreter sobre a rocha fundida que emerge a uns confortáveis 1000ºC? Estima-se que o buracão terá sido enorme, e a pluma, que espalhou as cinzas por uma área equivalente ao País de Gales, terá atingido os 12 km de altitude.

Tuesday, 18 September 2007

Alterações Climáticas: Um “Rough Guide” (III)

Depois de algum tempo de pausa, eis-me regressado a este tema. Entretanto, num outro blog, e ainda por causa de Michael Crichton, encetei uma breve discussão sobre este assunto, o que é sempre salutar. Desta vez vamos abordar algumas evidências que nos dão razões para ficarmos preocupados.


As medições do CO2 atmosférico iniciaram-se de forma sistemática nos anos 50 no observatório do Mauna Loa no Havai e desde então mostram que a concentração deste gás tem vindo continuamente a aumentar na atmosfera terrestre. Este gráfico, designado como curva de Keeling (superior), é um clássico onde se observam oscilações em forma de serra dentada devidas à variação do CO2 nos períodos de verão e de inverno em face da maior e menor intensidade da fotossíntese, respectivamente. Como é sabido a fotossíntese redunda num processo que, em última análise, transforma o CO2 absorvido em tecidos vegetais, mas há aqui dois aspectos a considerar: o total de CO2 absorvido na fotossíntese, correspondendo ao que designamos por produção primária bruta, não é todo transformado em carbono orgânico, isto porque na ausência da luz solar, as plantas respiram e libertam CO2 nesse processo. A diferença entre ambas as taxas é que determina, de facto, a quantidade de CO2 fixa em tecidos vegetais, ou seja, a produção primária líquida. Conforme constatamos, a biomassa vegetal (na realidade a grande maioria da biomassa terrestre) é um importante sumidouro de carbono da atmosfera, por isso é que a gestão dos solos, a desmatação e ocupação urbanas têm implicações no equilíbrio do CO2 atmosférico.


A par destas observações, os registos da temperatura média ao longo dos anos também demonstram uma clara subida, por vezes com patamares, como durante os anos 60. Já Svante Arrhenius, o químico sueco prémio Nobel da Química em 1903, previu quantitativamente a capacidade de o CO2 poder actuar como gás de efeito de estufa. Parece lógico que, mantendo todas as outras variáveis constantes, os efeitos da crescente introdução de CO2 na atmosfera por parte das actividades humanas tivessem como resultado esta mesma subida da temperatura. Mas será legítimo estabelecer um paralelismo de causa e efeito entre o CO2 e a subida da temperatura atmosférica? Não completamente. Os factores que influenciam o clima na Terra e a temperatura atmosférica não se esgotam no CO2. Tem sido com base nestes pressupostos que muita da contestação às evidências das alterações climáticas se tem manifestado. A dúvida e o cepticismo são fulcrais em ciência e por isso é importante quem age de forma crítica no campo oposto. O que já não é aceitável são pressões políticas e de outra índole que ambas as partes promovem. Assim, alguma contestação recaíu em problemas efectivos, como a dúvida sobre os métodos de medição das temperaturas. Os críticos argumentavam que essas medições estariam viciadas por serem feitas principalmente próximo de aglomerados urbanos, onde essas mesmas temperaturas serão mais elevadas. Por outro lado, as medições efectuadas por satélites pareciam reforçar isso mesmo uma vez que apresentavam uma diferença sistemática que ninguém conseguia explicar de forma convincente. No entanto, essas discrepâncias foram parcialmente eliminadas e publicadas num relatório de Abril de 2006 pelo US Climate Change Science Program, apresentando uma subida consistente das temperaturas na atmosfera a nível global, restando por explicar apenas as diferenças nas zonas tropicais. Outra vertente da contestação já pega em argumentos que são mais heurísticos, baseando-se apenas em situações particulares que servem de generalizações. Exemplos disso são as evidências do arrefecimento que parece afectar presentemente a Antárctica ou, em termos históricos, a existência de períodos particularmente frios (como na Europa do século XVI) ou particularmente quentes (como no início da Idade Média). O que se questiona é se não estaremos nós a atravessar um período equivalente. Estes pequenos episódios serão apresentados noutro texto, quando falar do clima no passado, mas diremos que honestamente, nada se pode garantir sobre esse assunto. Actualmente, as observações indicam uma consistência entre as várias variáveis em questão, nomeadamente o CO2 e o aumento da temperatura.


Que outros exemplos evidenciam aumento das temperaturas médias globais? A resposta é: retracção da cobertura de gelo no polo Norte; retracção dos glaciares a nível global evidenciada, pelo menos, desde os anos 80; subida da linha de altitude de diversas espécies vegetais em várias regiões do globo; aumento da frequência de tempestades violentas; aumento da temperatura média da superfície do oceano. Que mais será preciso ainda?


Artigos anteriores:

Saturday, 21 July 2007

A 10 000 m do Chão...

Junção de dois glaciares na Gronelândia.

Na Baía de Hudson, no Canada.

Baía de Hudson, no Canada. Os padrões são o resultado do dobramento das rochas.

Por um Planeta onde ainda seja possível ver estas imagens no futuro...

Tuesday, 15 May 2007

A Parcialidade da Natureza Humana

Pode parecer que os nomes que se dão às coisas sejam apenas meras questões de formalismo linguístico, mas não é verdade. Em matéria de ciência, a linguagem deve procurar atingir sempre dois princípios básicos: simplicidade e rigor. E é disto que se trata e mais nada! Serve esta pequena introdução a um texto publicado pelo Professor Galopim de Carvalho, no jornal Público de 5 de Maio passado, sobre a mudança do nome do ICN (Instituto de Conservação da Natureza). Claro que os nomes são apenas a face visível de algo mais profundo a que se deveria dar mais importância, e que é o cerne da questão levantada por este texto. E porque já estamos em plena actividade do Ano Internacional do Planeta Terra (2007-2009), embora o mesmo seja apenas decretado pelas Nações Unidas em 2008, o texto que transcrevo do Professor Galopim de Carvalho servirá para dar o mote e alertar para uma parte da Natureza que, tão injustamente (para ser brando nas palavras), alguém quer ver esquecida. E também pela sua clarividência.


Natureza: biodiversidade e geodiversidade

O Presidente da República encorajou, no seu discurso do 25 de Abril, os jovens a não se resignarem. Já não sou jovem, mas escrevo porque não me resigno com a mudança de nome do Instituto da Conservação da Natureza (ICN) para Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) estabelecida pelo Decreto-Lei n.º 136/07. Biodiversidade é uma forma de dizer, numa só palavra, diversidade biológica, ou seja, o conjunto dos seres vivos. É, para muitos, a parte mais visível da natureza, mas não é, seguramente, a mais importante. Outra parte, com idêntica importância, é a geodiversidade, sendo esta entendida como o conjunto das rochas, dos minerais e das suas expressões no subsolo e nas paisagens. No meu tempo de escola ainda se aprendia que a natureza abarcava três reinos: o reino animal, o reino vegetal e o reino mineral. A biodiversidade abrange os dois primeiros, e a geodiversidade o terceiro. Estando assente, e bem, que biodiversidade é parte integrante da natureza, a designação agora decretada para este importante organismo do Estado é, no mínimo, desnecessária e redundante. Esta redundância vem de trás. Ficou consagrada em 2001 na Estratégia Nacional para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade, na sequência da Convenção sobre a Diversidade Biológica (Conferência do Rio, 1992). O nome vem daí, mas custa-me a crer que, num organismo onde trabalham mais de quarenta biólogos e uma quinzena de arquitectos paisagistas, ninguém tenha chamado a atenção do legislador para esta aparente ingenuidade que, cientificamente, raia o ridículo - a menos que alguém me explique aquilo que me parece inexplicável. Está fora de causa qualquer juízo crítico à reestruturação deste instituto, mas ela poderia ter sido feita sem mudar o nome original, que era sintético, coerente, expressivo e, por isso, mais correcto. Retirar a biodiversidade da natureza é o mesmo que retirar o sobreiro do conjunto das árvores, o bacalhau do dos peixes, o papagaio do das aves, os morcegos do dos mamíferos, os jornais do da comunicação social e por aí adiante, num nunca mais acabar de exemplos disparatados. Ao enfatizar a componente biológica, a nova designação do ex-ICN torna mais evidente a subestima que, lamentavelmente, a nossa administração tem manifestado pelos valores da geologia. Como se a paisagem e a civilização não dependessem do substrato geológico. Os governantes deveriam estar mais elucidados sobre o papel da geodiversidade na civilização moderna, na prospecção e exploração das matérias-primas metálicas e não metálicas, dos combustíveis fósseis e nucleares, das águas subterrâneas, para não falar no conhecimento dos riscos sísmico e vulcânico ou no dos terrenos sobre os quais se edificam barragens, pontes e outras grandes obras de engenharia. É que, apesar de na quinta das 10 opções estratégicas aprovadas em 2001 se propor "desenvolver em todo o território nacional acções específicas de conservação e gestão de espécies e habitats, bem como de salvaguarda e valorização do património paisagístico e dos elementos notáveis do património geológico, geomorfológico e palentológico", nem o decreto-lei que lhe deu seguimento, nem a Portaria n.º 530/07, que lhe fixa os estatutos, têm um artigo, uma alínea, uma palavra referente à componente geológica da natureza. Mas tem meia centena de referências à biodiversidade. Esta pouquíssima importância dada à geodiversidade por este instituto fica, aliás, bem demonstrada pelo número de geólogos que ali trabalham, menos do que os dedos de uma mão entre 180 técnicos superiores. Que país é este que tem na geodiversidade (mármores, granitos, cobre, zinco, volfrâmio, estanho) a maior fonte de riqueza e a subestima na instituição que seria suposto zelar por ela? É o mesmo país que extinguiu, em 2003, o Instituto Geológico e Mineiro. Valha-nos Santa Bárbara!

A. M. Galopim de Carvalho

Geólogo

Público (5/Maio/2007)

Sunday, 22 April 2007

Dia Internacional do Planeta Terra


Hoje comemorou-se o Dia Internacional do Planeta Terra e já há vários meses que, sob os auspícios da IUGS (International Union of Geological Sciences), se determinou que 2008 será o Ano Internacional do Planeta Terra. Um gesto para alertar consciências, sobretudo políticas, de onde partem decisões que determinam as nossas vidas.