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Sunday, 21 February 2010

Espaço


Por ser simplesmente bonito e porque imaginamos aqui a banda sonora de Kubrick de 2001 a dominar o bailado destas peças de tecnologia em órbita terrestre, no caso concreto, a Estação Espacial Internacional. Foto da NASA retirada do site do Público.

Monday, 20 July 2009

Walkin' On The Moon

"A small step for Man, a giant leap for Mankind" - Neil Armstrong, há 40 anos atrás, lá distante... que bem poderia ser ao som da música dos Police, por sinal, das melhores que os rapazes fizeram!


Foto: NASA

Thursday, 1 January 2009

2009: Ano Internacional da Astronomia



Caros clientes, o ano de 2009 que hoje se inicia foi declarado pela Assembleia Geral da ONU como o Ano Internacional da Astronomia. Na perspectiva de vermos as realidades terrenas algo abaladas pelo sismo financeiro, cujos danos continuarão a ser revelados no corrente ano, uma sugestão para olhar para os céus e para esse escuro infinito do Universo. Essa imensidão negra que ultrapassa as nossas mais extraordinárias visões de grandeza lembra-nos quão insignificante é a espécie humana, a tal que não consegue perceber que os males que julga infligir ao Planeta na realidade recaem sobre ela própria. Como disse Carl Sagan: nós somos filhos das estrelas.

Para visitar o site português.


Nébula da Águia: Foto do Telescópio Espacial Hubble.

Saturday, 17 May 2008

Notícias de Ciência (I)


Boas notícias para os caçadores de Planetas extra-solares: a 2 de Abril foi publicado na Nature um artigo que propõe a possibilidade de aplicar técnicas mais precisas de calibrar os espectros luminosos de corpos celestes, o que permitirá a detecção de variações nos espectros quase diminutas. A técnica em causa são os “pentes de laser” (laser combs) que deram em 2005 aos seus inventores o Prémio Nobel da Física (Roy Jay Glauber, EUA; John Lewis Hall, EUA; Theodor Wolfgang Hänsch, Alemanha). A aplicabilidade na astrofísica (já designados “astro-pentes”) permite a medição de linhas espectrais de radiação electromagnética com uma precisão 60 vezes superior às das técnicas correntes de topo de gama. Assim torna-se possível a detecção de desvios nos espectros de estrelas que sejam causados pelo trânsito de planetas com massas pequenas (na gama do planeta Terra), o que de outra forma seria indetectável. Boas notícias para a astronomia na procura de locais potencialmente habitáveis no Universo (possivelmente com almas irmãs, se não forem gémeas).

Será que há bens que vêm por mal? Parece ser a conclusão de Judith Perlwitz, climatologista da Universidade do Colorado em Boulder e do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), pois os padrões de ventos sobre a Antárctica modificaram-se com a recuperação da camada de ozono, permitindo a incursão de massas de ar mais quente no interior do continemte gelado, acelerando a fusão da calote de gelo. Desde a assinatura em 1987 do Protocolo de Montreal que baniu o uso dos meléficos CFC's, que a camada de ozono tem vindo lentamente a recuperar na estratosfera. É uma camada que filtra os perigosos raios ultra-violetas do sol que são altamente lesivos para os tecidos orgânicos. O esforço de aplicação do Protocolo assinado em 1987 tem dado resultados positivos (um dos exemplos de sucesso que muitos desejam que aconteça igualmente com Quioto) prevendo-se que dentro de 70 a 100 anos o Planeta recupere a camada de ozono com a espessura original. Agora verifica-se que a sua depleção talvez tenha contribuído para o retardamento da fusão dos gelos antárcticos devido ao aquecimento global do planeta. Mais um exemplo demonstrativo da complexidade do sistema com que lidamos e que estamos muito longe de compreender.

Figura (C) NASA

Tuesday, 26 February 2008

Um Sistema Solar Gémeo?

Descobrir exoplanetas (planetas noutros sistemas solares) não é uma tarefa fácil e muito menos directa. Alguns dos métodos usados baseiam-se na medição da luminosidade de uma estrela durante um certo período, detectando diminuições periódicas na sua luminosidade reflexo, precisamente, do trânsito de um planeta que orbita essa estrela bloqueando, temporariamente, uma certa quantidade de luz que deveria chegar até ao telescópio onde fazemos as observações. Outro método comum recorre a pequenas oscilações na posição da estrela resultado da interacção gravitacional entre esta e potenciais planetas que a orbitam. Em qualquer dos casos, as medições são difíceis e têm a desvantagem de serem principalmente sensíveis para planetas com uma certa dimensão e períodos orbitais curtos. Por isso mesmo, uma grande parte dos planetas descobertos correspondem ao que se designa por “Júpiters quentes” (hot Jupiters), não só devido à sua dimensão mas também ao facto de orbitarem a distâncias consideravelmente inferiores à que orbita o planeta Júpiter no nosso Sistema Solar.


Recentemente, Scott Gaudi da Universidade Estadual do Ohio, recorrendo à análise do efeitos de “lente gravitacional” na luz emitida por uma estrela, descobriu não um, mas dois planetas num outro sistema solar, com a incrível coincidência de possuirem massas e posições equivalentes às dos planetas Júpiter e Saturno no nosso Sistema Solar. O nome que o sistema recebeu foi o muito instrutivo OGLE-2006-BLG-109L, tendo a descoberta sido publicada na revista Science. O efeito de “lente gravitacional” é o efeito que uma dada quantidade de matéria provoca na trajectória de um raio de luz que passa nas suas imediações. Desde que Einstein formulou a Teoria da Relatividade Geral que o efeito de “lente gravitacional” é conhecido como uma consequência da mesma. Ou seja, se existir uma grande acumulação de matéria numa dada região do espaço-tempo, esse mesmo espaço-tempo encontra-se deformado tal como uma bola deforma a superfície de uma membrana elástica sobre a qual repousa. A luz que atravessa essa mesma região segue exactamente o percurso mais curto entre dois pontos no espaço-tempo o que significa que a sua trajectória se “encurva” nas imediações dessa acumulação de matéria. Esta “curvatura” não é uma verdadeira curvatura, da mesma forma que se quisermos viajar de avião de Lisboa até Vancouver o piloto traça uma linha recta sobre a superfície terrestre, que por sua vez é uma superfície esférica. Daí que, estando nós habituados a olhar para mapas dos continentes (projecções planas), sejamos tentados a assinalar essa rota unindo com uma régua os pontos de partida e de chegada. No entanto, a verdadeira rota do avião traduz-se por uma linha curva que quase passa pelo Polo Norte até chegar ao seu destino, precisamente porque a superfície de referência não é um plano mas uma esfera.

Quanto à razão pela qual esta descoberta é particularmente excitante, apenas remeto para este post que já escrevi por aqui há um tempo.

Wednesday, 6 February 2008

Faces Ocultas


A sonda Messenger anda a explorar o planeta mais próximo do nosso Sol: Mercúrio. Em resultado dessa missão, chegaram recentemente imagens da sua superfície nunca antes observada (imagem superior; clicar na imagem para ver em detalhe). Para além das simples imagens, observa-se uma superfície, cuja actividade parece bem mais interessante e activa do que se julgara anteriormente (imagem inferior; clicar na imagem para ver em detalhe). O aspecto mais óbvio são as sua inúmeras crateras, tal como as da nossa lua, resultado do impacto de objectos celestes de dimensão variável. A sua observação cuidada permite inclusivamente traçar uma cronologia relativa destes eventos, através das relações de sobreposição entre as diferentes estruturas morfológicas. Nos bordos de algumas dessas crateras, e em especial da que se encontra no canto inferior esquerdo, observa-se a dispersão de material na sua superfície sugerindo que essa mesma dispersão tenha ocorrido através de um meio fluido. Outro aspecto deveras interessante é a estrutura linear que se observa com uma orientação nordeste-sudoeste e que corresponde a uma escarpa em resultado da deformação da superfície do planeta por forças compressivas, sugerindo o que de mais próximo podemos imaginar aos processos tectónicos na Terra, que moldaram, entre outras coisas, as nossas cadeias de montanhas. Finalmente, a cratera que se observa no canto superior direito terá sido das últimas estruturas a serem formadas, dada a dispersão radial dos materiais que se observa em resultado do impacto que a originou.


Notícias sem dúvida interessantes, e mais um passo para o conhecimento dos nossos vizinhos (ainda) muito desconhecidos.

Imagem da superfície adquirida durante a primeira passagem da sonda em 14 de Janeiro de 2008, a 11 588 km da superfície do planeta Mercúrio.

Fonte (informação e imagens): NASA / Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory / Carnegie Institution of Washington

Wednesday, 5 September 2007

30 Anos a Voyager no Espaço


Foi neste dia do ano de 1977 que a nave Voyager 1 foi lançada para o espaço com o objectivo de vaguear no Universo como um vagabundo das estrelas, não sem antes ter visitado alguns objectos celestes do nosso sistema solar. Actualmente é o objecto humano mais distante da Terra, a umas respeitáveis (para nós) 104 Unidades Astronómicas, ou seja, 104 vezes a distância média da Terra ao Sol. Uma mensagem da Voyager 1 demora cerca de 13 horas a chegar até nós. Tal como uma mensagem numa garrafa que enviamos para o mar numa ilha deserta é caso para dizer que, apesar da distância, não saíu ainda sequer da praia.


No seu percurso visitou Jupiter e Saturno, mas agora está muito para além do último planeta do sistema solar, mas ainda dentro da área de influência do Sol. Apesar de ter sido lançada antes, em 20 de Agosto do mesmo ano, a Voyager 2 não se encontra tão distante. A Voyager leva consigo uma mensagem representativa da civilização e cultura terrestre na esperança que alguma civilização no espaço exterior a intersecte e assim tome conhecimento da nossa presença no Universo. Até agora parece que nos encontramos sozinhos por aqui, embora isso nos pareça ser um enorme desperdício de espaço, como afirmava Carl Sagan.


Imagens (C) NASA

Thursday, 7 June 2007

O Efeito “Caracóis de Ouro”


Já andava prometido e tinha este texto escrito há um tempo quando dei conta, nestes dias, da publicação do livro “The Goldilocks Enigma: Why Is the Universe Just Right for Life?”, por Paul Davies (Allen Lane, 2006) e que trata precisamente do assunto aqui abordado.

Pois bem, para quem não conheça a história infantil, “Caracóis de Ouro” (Goldilocks) era uma menina que um dia, quando passeava na floresta com um mau humor tremendo, decidiu entrar descaradamente na casa de uma família politicamente correcta de 3 ursos (pai, mãe e filho) e desatar a bisbilhotar e usar sem permissão tudo o que lhe aparecia à frente. A situação descrita na história e razão deste post é a particularidade de somente o que pertencia ao urso filho servir na perfeição a Goldilocks (“it’s just right” como afirmava). E o que é que isto tem a ver com ciência?

Tal como a moral de uma história, com o “Efeito Caracóis de Ouro” pretende-se realçar que há certas coincidências (ou serão meras limitações do nosso conhecimento?) que parecem ter-se conjugado todas para o nosso bem-estar, seja para a nossa própria existência no Universo ou na Terra. No primeiro caso, podemos evocar a raíz desse problema no chamado “Princípio Antrópico”. Dito de uma forma muito (muito) simples, admite que o Universo é como é porque nós existimos e, enquanto espécie inteligente, podemos efectuar observações nesse mesmo Universo. Existem contudo outras variantes do princípio, originalmente proposto pelo astrofísico Brandon Carter em 1973. John D. Barrow é um astrofísico inglês que tem livros dedicados a este assunto, um dos últimos, “The Constants of Nature: From Alpha to Omega” (Jonathan Cape, London, 2002), foi de onde retirei estes exemplos. Não deixa de ser inquetante que quando se consideram os valores que certas constantes da Natureza devem tomar para que o Universo seja habitável se chegue a uma desconfortável zona restrita, apesar dela representar a confortabilidade da nossa existência. Ou seja, considerando a razão entre as massas do electrão e do protão e a constante da estrutura fina (nome para uma constante que se define pelas constantes da carga do electrão, de Plank, velocidade da luz no vácuo, gravítica universal e massa do protão, e cujo valor é aproximadamente 1/137), a área onde se podem desenvolver estruturas no Universo é deveras apertada: um pouco mais de uma e não existem estruturas ordenadas; um pouco menos de outra e não existem estrelas; um pouco mais de ambas e não existem átomos não relativistas... Se metemos a força nuclear forte ao barulho também não chegamos muito longe: de menos e os elementos essenciais às formas de vida que conhecemos não se formam; demais e forma-se o diprotão (hélio-2) que permite um consumo rápido do hidrogénio das estrelas, ou seja, consomem-se demasiado depressa e não sobra tempo suficiente para originar estruturas vivas complexas. Em termos do Universo, parece que as leis da Natureza são “just right” para nós pulularmos por aqui e eu andar a chatear quem (ainda) tem a paciência de ler esta prosa. Filosoficamente, para mentes racionalistas, não deixam de ser questões desconfortáveis para as quais não há uma resposta satisfatória. Alguns, mais afoitos, até se aproveitam da situação para propalar que esta é uma prova de que Deus existe. Não exageremos! No entanto, até parece que o Universo foi feito para nós, e de encomenda!... Será?

E o Planeta Terra? Nos últimos tempos têm-se descoberto vários planetas extra-solares e é óbvio que existe na mente de quem empreende estas buscas ou de quem somente vai dando conta das notícias, que há uma esperança de, um dia, se descobrir um planeta como a Terra, com as condições favoráveis para o desenvolvimento da vida. E que condições são essas? Quando alguns cientistas começaram a pensar de forma mais séria sobre o assunto, chegaram à conclusão que a Terra parece ser bem mais especial do que se pensava. Mais, que a nossa existência (ou sobrevivência) resulta de um punhado de eventos felizes e coincidentes, tão difíceis de conciliar de uma só vez que a probabilidade, sequer, de se terem repetido no Universo é extremamente baixa. Nesse sentido, Peter Ward e Donald Brownlee, geólogo e astrónomo, respectivamente, da Universidade de Washington em Seattle, publicaram o livro controverso “Rare Earth” (Copernicus, Springer-Verlag, 2000) e que acaba por ser uma resposta à equação de Drake, apresentada num post anterior. Nele se argumenta porque é que a vida complexa deverá ser efectivamente rara no Universo. A talhe de foice vêm também as diversas condições para o desenvolvimento e sobrevivência da vida. Desde logo a nossa posição na galáxia, a Via Láctea, o tipo de galáxia e a idade actual do Universo. Mas comecemos por dar outros exemplos, um por um:

1. A distância do Sol: mais perto e isto era um forno; mais distante e era um frigorífico;
2. A massa do Sol: dá-lhe um tempo de vida suficientemente longo e não acaba de forma catastrófica, além de não emitir muitos raios ultra-violetas (não fosse a nossa camada de ozono...)
3. Órbitas planetárias estáveis: nomeadamente a existência de planetas com uma massa grande;
4. A massa da Terra: consegue reter uma atmosfera (um problema em Marte) e mantém um interior activo que resulta na Tectónica de Placas (os continentes andam todos à deriva na superfície do planeta). A Tectónica de Placas é uma manifestação externa do interior tumultuoso que permite, entre outras coisas, manter um termostato à custa do CO2 e dos silicatos através da meteorização (alteração) das rochas (só válido à escala dos milhões de anos) e gera o campo magnético terrestre sem o qual éramos continuamente bombardeados por raios cósmicos de alta energia;
5. A presença de Júpiter: devido à sua enorme massa pode enviar para longe de perigo um grande número de cometas e asteróides. Se a Terra estivesse constantemente a ser bombardeada (como já foi no passado remoto, e tem sido embora com uma frequência baixa) não havia vida que perdurasse por muito tempo;
6. A Lua: a sua dimensão e distância estabiliza a inclinação do eixo de rotação da Terra em relação à sua órbita. O próprio ângulo, não sendo muito grande, permite que as estações existam e não sejam muito severas.

E existiriam ainda alguns pontos adicionais... Em suma: “It’s just right!” mais uma vez. Is it?

Pode ser uma profissão de fé como outra qualquer, mas para mim tudo isto é sinal de quão pequenos somos perante a nossa ignorância. E continuo a dispensar a existência de Deus sem qualquer problema.

Friday, 18 May 2007

“Where is everybody?”

Era esta a interrogação que o físico italiano Enrico Fermi (Prémio Nobel da Física em 1938 e um dos pais da bomba atómica) colocava aos entusiastas da existência de vida inteligente aos magotes pelo Universo. A pertinência da observação de Fermi era tão grande que acabou por ficar conhecida como o “Paradoxo de Fermi”. A existência de vida extraterrestre tem desde há bastante tempo ocupado a imaginação de muita gente, se pensarmos em H. G. Wells e o seu livro “A Guerra dos Mundos”, ou a imaginação fértil de Percival Lowell que atribuía aos marcianos a construção dos famosos canais que observava na sua superfície. Há medida que o sistema solar foi sendo conhecido, as hipóteses de existência de vida noutros locais que não somente no Planeta Terra foram perdendo fulgor, mas não a esperança. Hoje acha-se muito provável que a vida possa ter-se desenvolvido, de forma rudimentar tal como o foi na Terra, noutros planetas do sistema solar atendendo ao conhecimento que existe actualmente sobre formas de vida em condições extremas. Se essa vida sobreviveu até aos dias de hoje mantém-se como uma interrogação à qual ainda se procura uma resposta. No entanto, na imensidão do Universo, as palavras de Carl Sagan sobre a hipótese de estarmos sózinhos são arrebatadoras: “é um imenso desperdício de espaço”.

Na realidade, quando pensamos no Universo, as hipóteses parecem multiplicar-se por milhões (literalmente). Nesse sentido, em 1961, Frank Drake escreveu uma equação que se espressa da seguinte forma:

N = R* × fp × ne × fl × fi × fc × L

onde cada variável representa o seguinte:

N representa o número de civilizações na nossa galáxia com as quais poderíamos contactar;
R* é a taxa de formação de estrelas na nossa galáxia;
fp é a fracção destas estrelas que têm planetas;
ne é o número médio de planetas que podem suportar vida por unidade de estrelas que possuem planetas;
fl é a fracção do valor anterior de planetas onde na realidade se desenvolveu vida em algum momento;
fi é a fracção destes planetas onde acabou por se desenvolver vida inteligente;
fc é a fracção destes planetas onde a vida inteligente que se desenvolveu está disposta a comunicar exteriormente;
L é a esperança de vida dessa civilização para um período em que pode comunicar através do espaço interstelar.

A equação de Drake, como é conhecida, incendiou um entusiasmo que, com altos e baixos, ainda persiste nos nossos dias através do projecto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence) actualmente um instituto de fundos privados que se dedica em exclusividade a “escutar” os céus por algum sinal que indicie a presença de almas gémeas algures na nossa galáxia. O projecto em si tem sido algo contestado e acusado de inútil, mas o sentido romântico que esta demanda tem não deixa de ser igualmente importante pois, o que aconteceria se viessem a detectar alguma coisa? Sem dúvida representaria a descoberta mais sensacional de toda a história da humanidade, e há quem dedique uma vida por este sonho. E sem querer emitir juízos de valor sobre a pertinência de tal empresa, onde estaríamos hoje se nos séculos passados não tivessem existido pessoas com o sonho de um dia, por exemplo, poderem voar? Terá seguramente parecido a muitos que as ideias e os esboços de Leonardo da Vinci eram meras fantasias irrealizáveis. Que dizer nos dias de hoje?

Para termos uma percepção desta realidade, lembremos que detectar emissões electromagnéticas vindas do espaço exterior implica que o que hoje observamos nos céus foi emitido há muito tempo da fonte. A luz anda muito depressa, mas a sua velocidade é finita: 300.000 km por segundo. A luz do Sol demora cerca de 8 minutos a chegar à Terra. Nós somos emissores activos em grande quantidade de ondas electromagnéticas desde cerca dos anos 40/50, com a vulgarização da televisão e telecomunicações. Significa que a Terra estará envolta por um halo esférico de radiação com cerca de 60 anos-luz de raio (1 ano-luz são cerca de 9,5 biliões de km). Se pensarmos numa civilização extraterrestre que empreende a mesma busca, das duas uma: ou se encontra dentro dos limites deste halo e poderá detectar esta fonte, ou então nada feito. Depois há a considerar a intensidade, e para uma dada fonte a intesidade de radiação que recebemos dela decresce com o quadrado da sua distância, ou seja, se estiver ao dobro da distância a que outra fonte equivalente se encontra (e que se considera unitária), a intensidade de radiação recebida é 4 vezes menor; se estiver 4 vezes mais distante é 16 vezes menos intensa. Mas mesmo para emissões tão fracas o seguinte exemplo é ilustrativo: se mandarmos alguém para a superfície da Lua com um telemóvel, o nosso satélite passa a ser a terceira fonte de rádio mais intensa do espaço que nós detectamos aqui na Terra.

Thursday, 10 May 2007

Uma Nova Supernova?


Figura: Ilustração artística da supernova SN 2006gy; fonte: NASA/CXC/M. Weiss

Já desde os finais do ano de 2006 que os astrónomos tinham a sua “fotografia”, mas só agora foram tornados públicos os resultados. A uns confortáveis 240 milhões de anos-luz da Terra, assistiu-se à mais brilhante explosão de uma estrela supernova registada até agora. A estrela, baptizada SN 2006gy, aparenta ter 150 vezes a massa do nosso Sol e foi registada por telescópios ópticos no solo e pelo Observatório de Raios-X Chandra da NASA em órbita. Nathan Smith da Universidade da Califórnia em Berkeley e líder do grupo da sua Universidade e da Universidade do Texas em Austin que estudou o fenómeno, afirma no site da Nature que o poder explosivo desta supernova foi tão grande que requer a definição de um novo tipo de mecanismo previsto teoricamente mas nunca observado. De parte parecem estar eliminadas as hipóteses de se tratar de uma estrela anã branca. O fenómeno da explosão de supernova ocorre em estrelas cuja massa do seu núcleo central seja 1,4 vezes a massa do Sol, potenciando uma situação em que o balanço entre a energia radiativa da estrela no fim do seu ciclo de vida, que exerce uma pressão que impede o colapso, e a força da gravidade devida à sua massa deixa de estar em equilíbrio. Quando isso acontece de uma forma catastrófica, a estrela colapsa sob si mesma e o ressalto subsequente origina uma extraordinária explosão.

Uma observação interessante é que antes de SN 2006gy ter explodido expeliu uma grande quantidade de massa. Erupções similares têm sido observadas em Eta Carinae uma estrela maciça a apenas 7.500 anos-luz de nós. Somando dois mais dois, sugere-se que Eta Carinae possa sofrer o mesmo destino, amanhã, ou daqui a 1000 anos (ninguém sabe). O que se sabe (ou que se prevê) é que a acontecer poderá ser possível, com a sua luz, ler um livro a meio da noite.

Thursday, 3 May 2007

Ground Control to Major Tom


Agora mais novidades do nosso sistema solar… A sonda New Horizons, da NASA, está incumbida da missão de atravessar o sistema solar para lá de Plutão (o tal que perdeu o direito de se arrogar planeta) e bem dentro da Cintura de Kuiper, uma banda entre cerca de 30 UA (Unidades Astronómicas), onde se encontra Neptuno, e 50 UA (1 UA corresponde a aproximadamente 150 milhões de km). Conjectura-se que esta Cintura contém diversos corpos celestes, de entre os quais os cometas de período curto. A sonda encontra-se nas imediações de Júpiter e tirou esta espantosa fotografia de Io, um dos seus satélites, onde se observa uma pluma na parte superior da mesma, a qual resulta de uma erupção vulcânica. Io é o corpo vulcanicamente mais activo do sistema solar, sobretudo devido aos fortes efeitos de maré provocados pelo gigante Júpiter. A observação de erupções vulcânicas no sistema solar não é novidade, mas até há pouco tempo pensava-se que somente a Terra continuava a ser um planeta interiormente activo com manifestações externas. Saliente-se que o conceito de “vulcânico” não significa necessariamente o que vulgarmente conhecemos no nosso Planeta, pois na lua Europa o fenómeno resulta da erupção de água que acaba por congelar em contacto com a superfície (criovulcanismo). A clareza da imagem de Io é bem reveladora do fenómeno. Mais, mostram-se igualmente as diferenças observadas nessa mesma superfície desde o ano de 1999, quando foi fotografada pela sonda Galileu, e agora em 2007 pela New Horizons (sem esquecer também uma foto da família...). Todas as fotografias: (C) NASA.

Wednesday, 2 May 2007

Major Tom to Ground Control


Os astrónomos do Observatório Europeu do Sul (ESO – European Southern Observatory) descobriram um planeta extra-solar, o Gliese 581 c, que dos descobertos até hoje é o que aparenta mais semelhanças com a nossa Terra. Ainda assim, tem 5 vezes a massa do nosso planeta, mas acalenta as esperanças que possa conter água na sua superfície em face da sua posição relativamente à estrela que orbita, uma anã-vermelha. É óbvio o entusiasmo por tal descoberta, fundamentalmente pelo que implica em termos de possibilidades para a existência de vida fora do nosso sistema solar. Até agora, todos os planetas descobertos têm pouca aparência com a Terra e até com as características do nosso sistema solar. A maioria são gigantes (do tipo Júpiter) e orbitam a distâncias inferiores à nossa distância do Sol das respectivas estrelas. Este facto decorre da dificuldade da sua observação: os planetas não emitem luz, pelo que são detectáveis por formas indirectas como sejam a diminuição periódica da luminosidade da estrela por via do trânsito do planeta, ou oscilações na orbita da estrela induzidas pela presença destes planetas. Para medir estes efeitos, os planetas precisam mesmo de ter uma massa apreciável, pelo menos até que os métodos de detecção não melhorem de forma considerável.