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Tuesday, 3 January 2012

E Vão Cinco Noves Fora Nada

Meus amigos e ocasionais transeuntes, este blogue faz hoje 5 anos que viu a luz do dia. Ao fim de cinco anos teve altos e baixos, mas ultimamente mais baixos que altos. Este dia vai ser também aquele que vou concretizar o que já pairava na minha cabeça há um tempo: fechar o tasco permanentemente. Tudo tem um tempo e uma altura certa para existir. É melhor acabar de vez do que arrastar um cadáver. Se muitas bandas fizessem o mesmo teríamos menos ruido à nossa volta. Já agora, se querem mesmo saber porque fechamos, foi mesmo o aumento do IVA. Como não tenho ninguém para despedir, fecho a loja. E vou seguir o conselho do nosso PM e emigrar, como de resto a Jarónimo Martins já fez. E também vou para a Holanda, mas vou vender cannabis.

Antes ficam aqui as minhas breves impressões do ano que findou. Em consonância com a crise, as escolhas são escassas e reflectem apenas o que tive pachorra de ouvir/ver/ler.

Os melhores de 2011, categoria músicas para bailarico:

1. Low – C'mon
seguidos de:
Veronica Falls – "Veronica Falls"
PJ Harvey – "Let England Shake"
Dum Dum Girls – "Only in Dreams"

Engracadito:
Tennis – "Cape Dory"

Um bom regresso:
Wire – "Strays"

Não Há Pachorra:
Radiohead – "The King of Limbs"

Com mais do mesmo, perdeu-se a graça:
Fleet Foxes – "Helplessness Blues"

Boa Canção que irrita muita gente:
Lana del Rey – "Video Games"

Os melhores de 2011, categoria concertos:
1. Swans @ Aula Magna
2. Bonnie “Prince” Billy @ Teatro Maria Matos
3. Ben Frost @ Teatro Maria Matos
4. Six Organs of Admittance @ Teatro Maria Matos
5. James Blackshaw + Nancy Elizabeth @ Teatro Maria Matos
6. Max Richter @ Teatro Maria Matos

Como podem reparar o Teatro Maria Matos é um espaço a ter cada vez mais em conta, inclusivamente financeira.

Os melhores de 2011, categoria filmes:

1. Sangue do Meu Sangue de João Canijo
seguido de
A Árvore da Vida de Terrence Malick
Beginners de Mike Mills
Mães e Filhas de Rodrigo García
O Discurso do Rei de Tom Hooper
Inception de Christopher Nolan
O Castor de Jodie Foster

Os melhores de 2011, categoria leituras:
"A Questão Finkler" de Howard Jacobson, por ser o único título editado em 2011 que li.
Com uma atenção especial a:
"O Retorno" de Dulce Maria Cardoso.
por ainda não ter lido, mas estar na já calha finalmente depois de me o subtrairem por duas vezes seguidas.

E por aqui me fico, com uma despedida em grande:



The Dave Brubeck Quartet – Take Five

Hasta Siempre. Vemo-nos na Revolução que tarda em chegar.

Sunday, 6 November 2011

Max Richter @ Teatro Maria Matos (5 de Novembro de 2011)


De volta à escrita, e depois do concerto de Bonnie "Prince" Billy neste mesmo palco (crítica aqui), foi a vez de dar lugar à música melancólica de Max Richter. Com o objectivo de apresentar o seu último trabalho, Infra (2010), o concerto acabou por ser dividido em duas partes. Na primeira parte, a tela ao fundo do palco dá lugar a uma animação minimalista de personagens femininas e masculinas que se passeiam incessantemente de um lado para o outro, ao passo que Max Richter introduz as componentes electro-acústicas com um pequeno portátil e que sustentam as peças musicais que se desenvolvem ao piano e com uma pequena orquestra de câmara (dois violinos, uma viola e dois violoncelos). No seu elenco aparecem John Metcalfe (viola), nem mais nem menos que um ex-membro dos Durutti Column de Vini Reilly e recentemente responsável pelos arranjos dos últimos discos de Peter Gabriel, e que com Louisa Fuller (1º violino) forma o The Duke Quartet. Os temas de Infra vão-se desfiando ao sabor de uma peça orquestral dividida por movimentos, e que só terminam com o final da primeira parte do concerto. A música do disco, desconhecida para mim até aquele momento, vem na continuidade do seu trabalho anterior, em que os elementos electro-acústicos introdutórios dão o mote para um ambiente carregado de negrume e uma opressão claustrofóbica sublinhada pelas bátegas de água da chuva sendo depois melancolicamente sobrespostos pela música do piano (minimalista e afim dos tons melódicos dos compositores clássicos de princípio do século XX) mas acima de tudo comandados pelo quinteto de cordas, cujas referências se situam claramente na esfera de um Michael Nyman mas de raíz assumidamente mais classissista. Finda a apresentação, seguem-se 20 minutos de intervalo para dar lugar à segunda parte, onde Richter revisita parte da sua obra anterior. E que melhor maneira de começar senão por esse excelso disco que é The Blue Notebooks (2004), obra onde as palavras de Kafka são veiculadas pela voz da actriz Tilda Swindon, com o tema “On the Nature of Daylight”. Assim, a segunda parte torna-se mais descontraída e mais motivadora de empatia com o público que enchia a sala (para surpresa minha e dos meus companheiros destes concertos no Maria Matos), certo de que a música de Richter que acompanhou filmes como Shutter Island de Scorcese ou, em particular, Valsa com Bashir de Ari Folman onde assinou a banda sonora, tenha motivado esta adesão. Os temas vão-se seguindo e o concerto termina com o maravilhoso “The Trees”, infelizmente manchado por problemas de som onde o irritante feedback inicial nem sequer foi o pior momento. O crescendo final que estava reservado para o concerto por vezes foi penoso de ouvir. Quanto aos músicos estiveram em forma, passe o pormenor de em duas ou três ocasiões a harmonia de conjunto ter momentaneamente falhado, mas rapidamente corrigida que nem terá dado tempo para a esmagadora maioria dos presentes perceber. 3,5/5

Monday, 3 October 2011

Música Para Embalar

Sleepingdog é o nome sob o qual a neerlandesa Chantal Acda grava desde 2006 e conta já com 3 álbuns no currículo, sempre em parceria com Adam Wiltzie dos Stars of the Lid e Dead Texan, pugnando por uma melancolia ambiental poderosa e sofisticada onde a voz de Chantal percorre sons afins de uma folk pastoral. Já deste ano e com o título “With Our Heads in the Clouds and Our Hearts in the Fields”, fica a amostra da primeira faixa “Untitled Ballad of You and Me”.



Untitled Ballad of You and Me – Sleepingdog ( With Our Heads in the Clouds and Our Hearts in the Fields, 2011)

Monday, 12 September 2011

Six Organs of Admittance @ Teatro Maria Matos (10 Setembro de 2011)


De volta às impressões sobre concertos, e agora que se aproximam uma mão cheia de acepipes neste mesmo Teatro Maria Matos (excelente programação, nunca será demais reforçar), desta vez coube ao guitarrista Ben Chasny na versão Six Organs of Admittance a abertura das hostilidades para a rentrée. Guitarrista de créditos firmados deambulando pelas franjas folk do presente século, embora intervaladas por ambientes mais eléctricos, foi a primeira versão que trouxe ao palco do Maria Matos. Sozinho em palco, com uma guitarra que ia dedilhando com destreza assinalável, só lá para o quarto tema é que as notas saiam sem atropelos nas partes mais exigentes das composições. E as composições iam-se sucedendo entre pequenos instrumentais e simples canções numa voz de segundo plano que reforça os traços mais intimistas e sombrios das melodias. Estas por seu lado, tendem para a divagação e raramente se repetem, a não ser nos pequenos detalhes, o que a páginas tantas até dá espaço para mandar umas piadas à custa de estilos musicais. A tempos Ben Chasny vai referindo o nome de alguns temas, como “Elk River” ou “Drinking with Jack” e nós imaginamos o pôr do sol e a melancolia de uma paisagem florestada vista de um alpendre de madeira, garrafa na mão e dois dedos de conversa com risos pelo meio. Este bem podia ser um dos vários efeitos visuais que a sequência de notas que saem da guitarra de Chasny nos sugerem. Um agradável concerto, intimista, bem apreciado e recebido por uma sala cheia, a dar o prazer de uma hora bem passada. (4/5)

Saturday, 9 July 2011

A Morte Improvisada


Morreu hoje Jorge Lima Barreto, contava 61 anos. Figura incontornável da música experimental e improvisada em Portugal, ajudou a moldar uma certa franja musical portuguesa que se movia na fronteira entre o pop/rock e a música erudita. O seu prmeiro projecto, a Anar Band, é partilhado com Rui Reininho e tem um único registo discográfico em 1976/77. Mas viria a ser mais tarde, em 1982 com a edição de “Ctu Telectu” (a reedição foi aqui mencionada na altura), primeiro registo dos Telectu agora com o ex-GNR Vítor Rua, que o nome de Jorge Lima Barreto viria a ter maior proeminência, pese embora o cariz ultra-minoritário dos que acompanharam o percurso da banda. A presença nos palcos do CAM da Gulbenkian marca o local onde vi os Telectu pela primeira vez, até uma sessão ao ar livre e um simples piano para improvisar, na Expo, para não mais o reencontrar. A obra é relativamente vasta se considerarmos o público a que se dirigia, e as colaborações diversas, em especial na esfera da improvisação, tais como Carlos Zíngaro e vários músicos estrangeiros. Para além da vertente de compositor e músico, Jorge Lima Barreto também se preocupou com questões de musicologia e de música moderna com vários livros publicados, de onde se destaca, pela maior visibilidade relativa, “Musica Minimal Repetitiva” e “Rock & Droga”. Sem dúvida que a cultura portuguesa perdeu uma pedra importante, mal-grado a polémica que gerava no seio do meio artístico, e em especial em Portugal, onde este é demasiadamente pequeno.

Saturday, 28 May 2011

A Revolução do Gil

Raras vezes faço ecos de óbitos, mas Gil Scott-Heron foi um dos nomes fundamentais da música negra americana, nome influente no desenvolvimento dos estilos musicais hoje conhecidos como rap e hip-hop. Possuidor de uma voz de barítono vinda das profundezas da alma, Scott-Heron havia editado um disco o ano passsado, por sinal enaltecido aqui como um dos melhores que saíram durante o ano, após mais de uma dezena de anos de silêncio. Como gesto de homenagem ao homem que foi e ao legado que nos deixa, fica aquele que será, porventura, o seu tema mais celebrado, “The revolution will not be televised”.



The revolution will not be televised - Gil Scott-Heron (Small Talk at 125th and Lenox, 1970)

Thursday, 28 April 2011

A Quimera do Som

Amanhã será a vez de Tim Hecker se apresentar ao público na Galeria Zé dos Bois. Música que é, em grande parte, alma gémea da de Ben Frost, Hecker apresentará seguramente os temas que constituem o seu última longa-duração, Ravedeath, 1972, editado já este ano, gravado na fria Reykjavik com ajuda à produção do mesmo Ben Frost. Como amostra fica um dos temas do seu álbum de 2006, Harmony in Ultraviolet.



Chimera – Tim Hecker (Harmony in Ultraviolet, 2006)

Wednesday, 27 April 2011

Soul Mates

Ainda no rescaldo do último concerto, fica aqui a evidência do pontos de contacto que eram óbvios entre os concertos deste mês.



We Love You Michael Gira - Ben Frost (Theory of Machines, 2007)

Ou então, a desolação dos Cárpatos ao som dos lobos.



The Carpathians – Ben Frost (By the Throat, 2009)

Tuesday, 26 April 2011

Ben Frost @ Teatro Maria Matos (25 de Abril de 2011)

Para terminar o dia da liberdade, pelas bandas do Maria Matos libertaram-se os demónios sonoros de Ben Frost, um músico australiano que mora para os lados da Islândia, como que a fazer jus à frieza da sua música e do seu apelido. Depois de editar “By the Throat” em 2009, obra que veio apresentar em Lisboa, não faltaram elogios à obra, mormente da parte de Tim Hecker, cuja música partilha muitos pontos em comum.


Num Maria Matos com mais de meia casa e pouco depois das 22 h, o singelo Ben Frost assoma ao palco, descalço, acompanhado pelo contrabaixista Borgar Magnason, e sentado ao piano lança um lacónico “Sorry we're late” começando uma troca de notas musicais com o contrabaixo arranhado por um arco produzindo sons minimalistas naquele que seria o único momento integralmente acústico do concerto. A partir daí Frost aproxima-se do portátil Macintosh e da bateria de amplificadores para, ao correr do momento, ir construindo uma sequência de paineis sonoros que deambulam entre um minimalismo noise, a mistura de ruído digital, loops do som do contrabaixo (sempre tocado com arco), passando a espaços pela guitarra (usada parcimoniosamente e sujeita aos mesmos tratamentos) e pelo piano. Os momentos variam entre o discreto olhar de uma paisagem idilicamente transformada em ambiente dark, até à produção sonora intensa com níveis de volume de fazer inveja às bandas de metal. As paisagens, como By The Throat já o indiciava, são frias e inóspitas com o contabaixo a soltar os uivos lancinates de uma alcateia no penúltimo tema da noite. A sequência de temas não deixa espaço a respirações, e o público apenas num momento apanha uma aberta para lançar umas palmas que são basicamente ignoradas por representarem uma distração ao que se estava a passar em palco. Tal como numa obra orquestral dividida em vários movimentos, as manifestações de agrado e aprovação foram por isso deixadas para o fim. No ar fica uma sensação de estranheza afim de performances deste género, uma vez que o objectivo não é produzir melodias mas sim causar sensações e cada um de nós imaginar as paisagens que os sons sugerem, onde mesmo o simples olhar para o palco e para os músicos pode constituir em si uma distracção. Em qualquer dos casos, as paisagens nunca serão agradáveis nem quentes, antes pelo contrário. São momentos de intensidade que cada espectador vive de maneira diferente e não deixa lugar a escolhas dúbias. Ou se gosta, ou não se gosta. Ao contrário também do já mencionado Tim Hecker, a música de Ben Frost é bem mais crua e despojada de tonalidades melódicas. O resultado porém, mereceu inteiramente a deslocação e o pouco mais de uma hora de actuação.

(4/5)

Sunday, 10 April 2011

Swans @ Aula Magna


Ontem foi o dia de uma das mais míticas bandas americanas de 80s pisar o palco da Aula Magna, os Swans de Michael Gira. Apesar de não fazerem parte do lote de bandas que enchem salas com facilidade, a Aula Magna apresentava-se razoavelmente composta para os receber, fruto seguramente dos largos anos de actividade da banda (pese embora a interrupção) fomentando uma legião de admiradores que já vai cruzando várias gerações. Da parte que me toca, o encontro veio em finais de 80 até ir residindo um pouco no esquecimento. Renascidos em 2010 com um disco cuja atenção me foi despertada pelo concerto, constituiu assim uma oportunidade de os ver ao vivo, para constatar in loco a intesidade do seu experimentalismo sónico.


Antes porém, a primeira parte deu-nos uma agradável surpresa com os powerdove de Annie Lewandowski que, fazendo-se acompanhar por um guitarrista e tocando ela própria por vezes uma guitarra acústica de menores dimensões, presenteou o público com um punhado de canções melodiosas de uma pop/folk luminosa, com um suporte musical minimalista, de adorno sóbrio e sustentado por sequências de acordes simples, ou notas soltas tocadas de forma espaçada e lenta deixando à voz o desenho principal das canções. A voz essa, apresentava-se frágil mas segura, como se se dirigisse apenas para um punhado de amigos. A grandeza da sala contrastava enormemente com o intimismo da performance, mas ainda assim, notou-se uma aprovação maioritária por parte do público. Os powerdove editaram este ano o seu primeiro longa duração, Be Mine, pela Square Records, e direi que vale a pena fazerem-lhe uma visita.


Após esta introdução de tons tão suaves ninguém suspeitaria a enorme descarga energética que se seguiria. Arrancando já às 22h com um drone contínuo que teimava em persistir sem ninguém em palco (o que parecia já incomodar algumas gentes do público), os músicos dos Swans foram entrando, um a um, espaçadamente em palco construindo sobre o drone inicial um conjunto de estruturas rítmicas sucessivas que terminaram com a entrada de Gira dando assim termo a 30 minutos de pura neurose sónica, incluindo a reinterpretação do tema de abertura do seu último álbum, “No Words/No Thoughts”. E é de reinterpretação que aqui se fala, pois as estruturas melódicas das canções estavam reduzidas ao esqueleto, soterradas numa imensidão de desgarga sonora rítmica de guitarras distorcidas comandadas ao ritmo da bateria e percursões. Esta carga sonora foi levada a uma intesidade tal que era impossível não nos sentirmos quase hipnotizados pela sequências rítmicas repetitivas e densas por vezes unindo dois e três temas de uma vez. Aqui não houve espaço para descanso e os músicos deram muito poucas tréguas ao público, parando por vezes para receber uns aplausos, ou quando finalizado o primeiro tema Gira convida os presentes a ocuparem as cadeiras vazias das doutorais, ou já no final quando apresenta os seus cúmplices em palco. Também não houve lugar a destaques, menção talvez ao baterista que ía comandando os ritmos com um frenesi incansável, tudo sob a batuta de Gira que, várias vezes, ía dando instruções à banda como se de uma orquestra se tratasse. E foi de facto uma comunhão impressionante o que se assistiu em palco e confesso que nunca tinha presenciado a algo semelhante por parte de uma banda ao vivo. Notável também a performance de Thor Harris nas percursões e vários outros instrumentos, incluindo de sopro. Impossível ter saído indiferente deste concerto. Impossível ficarmo-nos por meias-impressões. Foi quase uma descida aos infernos sonoros, sublinhada por um imperativo “Jesus, come down” que Gira solta no final do segundo tema. E assim continuou por 2 horas. Esmagador, é o mínimo que me ocorre dizer. Quanto aos Swans, ainda parece estar longe o seu canto do cisne.

4,5/5

Tuesday, 29 March 2011

Caridadezinha

Ao ler isto:

“Os gestores do programa de ajuda ao Malawi posto em marcha pela cantora Madonna, que previa a construção de uma academia para raparigas, foram afastados dos seus cargos depois de terem gasto 3,8 milhões de dólares no projecto de uma escola que nunca chegará a ser construída.” in Público, 26 de Março de 2011.
Escusado será dizer que o dinheiro foi gasto em futilidades e salários.

Só me faz lembrar que, em termos de futilidades inúteis e mecanismos de auto-promoção, há coisas que nunca mudam:



Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha
Vamos brincar à caridadezinha

A senhora de não sei quem
Que é de todos e de mais alguém
Passa a tarde descansada
Mastigando a torrada
Com muita pena do pobre
Coitada

Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha
Vamos brincar à caridadezinha

Neste mundo de instituição
Cataloga-se até o coração
Paga botas e merenda
Rouba muito mas dá prenda
E ao peito terá
Uma comenda

Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha
Vamos brincar à caridadezinha

O pobre no seu penar
Habitua-se a rastejar
E no campo ou na cidade
Faz da sua infelicidade
Alvo para os desportistas
Da caridade

Vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta e boa comidinha
Vamos brincar à caridadezinha

E nós que queremos ser irmãos
Mas nunca sujamos as mãos
É uma vida decente
Não passeio ou aguardente
O que é justo
E há-que dar a toda a gente

Não vamos brincar à caridadezinha
Festa, canasta é falsa intençãozinha
Não vamos brincar à caridadezinha
Não vamos brincar à caridadezinha
Não vamos brincar à caridadezinha


Tuesday, 25 January 2011

Os Melhores de 2010 #3

Ora, continuando na senda dos melhores álbuns do ano passado, as honras hoje cabem a Gil Scott-Heron, o poeta e músico americano, especialmente notabilizado pelo tema “The Revolution Will Not Be Televised” de 1970 presenteou-nos com um disco após 16 anos de silêncio. Trata-se de uma obra curta, com diversos textos declamados entre temas cantados, movendo-se por territórios musicais bastante actuais mas que o próprio ajudou a fundar nos idos 70's. I'm New Here é um testemunho pungente de um homem que olha para o que é fruto daquilo que foi e dos que o rodearam. “I'm New Here” é também um tema composto por Bill Callahan que aqui é usado por Gil Scott-Heron de uma forma mais melódica mas musicalmente despojado para dar o mote com um significativo “No matter how far wrong you've gone/You can always tournaround”. Possuidor de uma voz forte e penetrante ao melhor estilo de um blues-man de ar agastado a denunciar a vida conturbada na última década, Gil Scott-Heron consegue ir ao fundo de si mesmo para chegar ao fundo dos que o ouvem. E para que não restem dúvidas, o tema que hoje fica em exposição bem pode servir de lição para as bandas que fizeram do trip-hop a sua matriz mas que parecem ter esquecido, algures pelo caminho, como se faz boa música.

(4/5)





Me and the Devil – Gil Scott-Heron (I'm New Here, 2010)

Sunday, 16 January 2011

Mais Balanços de 2010


Numa perspectiva de dar a conhecer os gostos pessoais e assim contribuir, como outros contribuem para comigo, para despertar a curiosidade do que ainda não se provou.

Cinema:

O ano de 2010 não foi particularmente memorável. Houve um punhado de filmes que me despertaram suficientemente o interesse. Outros houve que perdi e espero recuperar mais tarde, como por exemplo, “O Segredo dos Seus Olhos”. O veredicto:


1. A Single Man – Tom Ford
2. O Escritor Fantasma – Roman Polanski
3. Shutter Island – Martin Scorcese
4. A Estrada – John Hillcoat
5. A Rede Social – David Fincher
6. Nas Nuvens – Jason Reitman
7. A Origem/The Inception – Christopher Nolan
8. Tamara Drewe – Stephen Frears
9. Tudo Pode Dar Certo – Woody Allen

Para esquecer:
Alice no País das Maravilhas – Tim Burton

Concertos:

Muito mais abonado que em anos anteriores, alguns foram objecto de comentário aqui na chafarica:


1. Grizzly Bear @ Coliseu dos Recreios
2. Sonic Youth @ Coliseu dos Recreos
3. Tindersticks @ Coliseu dos Recreios
4. Faust @ Teatro Maria Matos
5. The Walkmen @ Coliseu dos Recreios

O Coliseu levou claramente a melhor, o que é mau porque as condições sonoras são frequentemente sofríveis. De entre os que actuaram nas primeiras partes:


1. Danças Ocultas (1ª parte Tindersticks)
2. Cibelle (1ª parte Grizzly Bear)
3. Os Golpes (1ª parte The Walkmen)
4. Gala Drop (1ª parte Sonic Youth)

Finalmente, não vou muito em novidades literárias porque tenho dificuldade em distinguir o trigo do joio do mar que se publica. Refiro apenas um monumento que li no ano de 2010 e que me deixou de rastos:


“As Benevolentes” de Jonathan Littell

Até breve!

Friday, 14 January 2011

Os Melhores de 2010 #2

Segundo capítulo da saga “o ano passado em formato musical”, desta vez com as honras a caberem a Micah P. Hinson. O americano tranquilo deixa-nos com um disco que consegue superar o nível do que nos tem habituado, com aquela country/folk por vezes meio freak, por vezes sofisticada, por vezes experimental, por vezes simplemente normal. No seu quinto registo de longa duração, agora sob o título “... and the Pioneer Saboteurs” como se em cada nova gravação nos dissesse que se faz acompanhar por uma orquestra de improváveis cúmplices, alarga o espírito da sua cruzada, não se fazendo rogado a exercícios de distorção ao nível do melhor que há no mercado, servindo-nos um disco fresco e amplo nos espaços estéticos que percorre. Por muito estranho que seja enquanto objecto country/folk, o certo é que algumas vocalizações entrecortadas com cordas ao ritmo das tribos indígenas das planícies norte americanas localizam claramente a geografia por onde se move. Some-se a isto tudo um sentido melódico, a espaços contemplativo e ritmado, e estamos perante dos projectos musicais mais singulares e originais que se tem vindo a mostrar nos últimos anos. Fiquemos então com um dos momentos altos, “The Cross That Stole This Heart Away”, onde alguns germes de distorção abraçam elegantemente uma estrutura melódica simples, mas suficientemente penetrante a ponto de nos dar um nó na garganta.

(4,5/5)





The Cross That Stole This Heart Away – Micah P. Hinson (...and the Pioneer Saboteurs, 2010)

Para ouvir, só mesmo no blogue...

Thursday, 13 January 2011

Os Melhores de 2010 #1

Pois bem, segue uma série de publicações sobre os discos que melhor me ficaram na memória no ano que findou. A primeira série de 5, são também os meus preferidos pela mesma ordem. Os restantes virão ao sabor dos sons.

Começamos por essa obra fantástica que é o disco de John Grant, “Queen of Denmark”. O ex-vocalista dos The Czars regressa das cinzas com um disco assumidamente pessoal e possuidor de um punhado de canções elegantes e belas, incisivas e penetrantes que não nos deixa indiferentes á primeira audição e a todas as que se seguem. Para este disco, John Grant contou com a colaboração dos Midlake, que imprimem à música um estilo assumidamente vintage seventies.


Para audição fica uma das pequenas pérolas deste disco, “I Wanna to go to Marz”, que nos leva a percorrer todos os sabores de uma montra de gelados em que o doce da letra contrasta assumidamente com a melancolia angustiante da música, a puxar para uma nostalgia feliz, mas perdida.

(4,5/5)



I Wanna Go To Marz - John Grant (Queen of Denmark, 2010)

Tuesday, 17 August 2010

Boas Notícias

Hoje deu-me para aqui... o tasco está abandonado e não tenho muitas perspectivas de o reactivar, mesmo ao relativamente ritmo lento que vinha tendo. Escrever toma-nos tempo e tenho muitas outras escritas em atraso e bem mais importantes pelo caminho, pelo que há que tomar opções. Ainda assim, pode ser que esporadicamente venha descarregar aqui a minha ira ou alegria, conforme o caso.

Pois bem, para começar, aqui a gerência mostra regozijo pela seguinte notícia:

Rock in Rio regressa ao Rio em 2011

em que se acrescenta: de onde nunca deveria ter saído...

Até à proxima!

Thursday, 27 May 2010

Grizzly Bear @ Coliseu (26 de Maio de 2010)

Novo concerto na carteira, estímulo justificado para aqui retornar e estrebuchar um pouco este sítio a caminho de se tornar moribundo. Desta vez são os Grizzly Bear, que me fizeram voltar ao Coliseu pela segunda vez este ano (e ao blogue a primeira vez este mês). Mais uma vez também (e já lá vão 3 aqui escritas), confirma-se que o som no Coliseu, se não é sofrível, anda lá perto. Melhor no entanto que Wilco ou mesmo Sonic Youth. Desta vez corrigiram as frequências com um pouco mais de sucesso, as palavras eram audíveis, mas carregaram em demasia nos graves a ponto de não só serem ouvidos como sentidos, mas quando o sistema puxava a potência ao máximo, a cacofonia era tanta que dificilmente conseguíamos perceber que instrumentos estavam a tocar. A sala está claramente desadequada para níveis sonoros elevados e quem sofre são os nossos pobres ouvidos. Não tenho dúvidas que os jornalistas e demais profissionais cujas obrigações os remetem para assistir a estes concertos com frequência, têm profissões de desgaste rápido e concorrem para passar a reforma numa qualquer Sonotone a comprar aparelhos auditivos.


Foto:(C) Rita Carmo/Espanta Espíritos; BLITZ

Entrada morna da brasileira Cibelle, uma cantora/performer vinda do desconhecido (se exceptuarmos a sua colaboração recente com Paulo Furtado), que apesar disso deu um belíssimo e agradável espectáculo graças à sua capacidade vocal. Uma música que remete para raízes indie mais freak e obscuras (fosse a guitarra acústica e não teríamos problema em catalogá-la de freak-folk), cujo timbre de voz por vezes ressoava a umas Cocorosie. O facto de ser uma one-woman-show, coadjuvada por sons (explosões, pássaros, e sei lá que mais) e música gravada (o que mais me desconforta, pois o resultado pode aproximar-se a uma espécie de karaoke), deu-nos a clara impressão de um espectáculo de rua, apanhado rapidamente ali na esquina mais próxima, tomando o palco de uma sala de concertos. No entanto, as canções e melodias entrosavam lindamente, e as variações musicais da guitarra, apesar de minimalistas, enlaçavam-se com a voz de Cibelle (bem bonita, nunca é demais referir) de uma forma harmoniosa e bem conseguida. A terminar, presenteou-nos com uma canção dos tempos áureos da bonecada do Jim Henson: (It's Not Easy) “Being Green”, celebrizada por uma personagem com a mesma coloração e que tinha uns arames a suportar os braços, Kermit the Frog. O facto de a sua actuação ter sido presenciada por menos de metade de uma sala que se encontrava esgotada não é seguramente demonstrativo da qualidade de Cibelle, que merecia ter sido mais bem recebida.


Foto:(C) Rita Carmo/Espanta Espíritos; BLITZ

Por volta das dez é servido o prato principal. Os Grizzly Bear fazem a sua entrada e dão logo o mote do que iria ser o suporte do espectáculo, abrindo com o mesmo tema que abre Veckatimest (aqui no estaminé mantém-se como o melhor disco que saiu em 2009). Os temas do último álbum dos Grizzly Bear deixavam-me apreensivo sobre a forma como o seu poder melódico e textural se enquadrariam num espectáculo ao vivo. Contudo, ao fim de dois temas os receios desvanecem-se e com um público receptivo e ansioso por ver este conjunto de músicos de uma certa corrente indie subitamente catapultados para um espectro de audiência bem mais alargado que a sua música faria suspeitar, a comunicação e empatia torna-se imediata o que muito ajudou para que o espectáculo acabasse por ser, a todos os títulos, memorável. O desfilar das músicas de Veckatimest continuava, entrecortadas por algumas dos álbuns anteriores, até que atacam “Two Weeks” fazendo levantar toda a plateia para gingar a anca ao ritmo das teclas de Daniel Rossen. Os temas podiam variar do mais acústico “Deep Blue Sea” (da colectânea Dark Was the Night), até ao mais elaborado “Ready, Able” (uma das favoritas aqui da casa) que o grau de profissionalismo e execução musical não as deixavam perder o brilho e magia que emanam. Os 4 elementos em palco contribuem exemplarmente para dar uma coesão sonora e musical ao melhor nível do que os temas gravados em estúdio merecem, e enquanto Daniel Rossen dava voz à maior parte das canções, juntamente com a guitarra e raros momentos nas teclas, Edward Droste secundava-o nos coros ou tomava primazia em temas onde a voz ecoava mais fundo (fruto do tratamento no microfone), dando um cheirinho na guitarra ou nos efeitos do pequeno omnichord e Chris Taylor ficava com as despesas rítmicas no baixo, ou ainda na flauta, clarinete ou saxofone (tudo tratado) bem como nas vocalizações. A amálgama encaixava na secção rítmica tradicional assegurada por Christopher Bear, que não enjeitava uma colaboração vocal de vez em quando. As vocalizações e os respectivos arranjos dos Grizzly Bear, aqui soberbamente executadas, é outro dos seus pontos fortes enraizando assim a sua herança na pop de 60 (os Beach Boys vêm-nos logo à cabeça) com boas doses de psicadelismo e conjugação sónica inovadora (por vezes próximo do experimental), dando corpo a uma das mais interessantes propostas musicais que se revelaram no ano transacto catapultando-os como um dos valores seguros neste início de século. Depois de terminarem a prestação, que pecou por curta, ainda vieram ao palco para nos brindarem com uma versão acústica minimalista (guitarra acústica, precurssão e vozes) de “All We Ask”, não perdendo nada do seu fulgor e beleza, mostrando mais uma vez que por aqui habita o profissionalismo e uma dose substancial de entrega emocional à arte que praticam. Seguramente um concerto para ficar na memória e para repetir em condições ao nível do que os Grizzly Bear representam e vieram mostrar.

4,5/5

Sunday, 25 April 2010

Em pleno ano quente de 1974, para o dia de hoje:



Sérgio Godinho "Liberdade" - À Queima Roupa (1974)

Friday, 23 April 2010

Sonic Youth @ Coliseu (22 de Abril, 2010)



Foto: (C) Rita Carmo/Espanta Espíritos; BLITZ

Não sendo um frequentador assíduo de concertos nos anos mais recentes, voltar à casa onde há quase um ano tinha ido ver o excelente concerto dos Wilco, colocava as expectativas bastante altas. Com bilhete comprado há mais de 2 meses, esta foi a forma de me impôr a estar presente, e posso dizer que não só não me arrependo como viveria amargurado perder a prestação dos Sonic Youth em nome próprio e não encaixotados num pacote promo em saldo de verão, como tem sido habitual nos últimos anos com as bandas que passam por este país. Para aperitivo, foram oferecidos os portugueses Gala Drop (o tipo disse o nome ao microfone, mas o som estava tão empastelado que não percebi patavina). Abrir com uma espécie de electro-funk-jazz não parecia mau de todo, mas passado o primeiro tema (algo repetitivo), os restantes não mostraram mais do que um enxerto da mesma ideia com variações para ritmo e (por vezes) guitarra. Para alguns até pode ser agradável, mas tudo não passou de música para encher o tempo, recorrendo a meia dúzia de truques fáceis que qualquer tipo com jeito improvisa e entra no esquema sem grandes floreados. O destaque vai todo para o baterista, no entanto, até o facto de o guitarrista ter tocado de costas para o público denuncia uma música que é feita para ouvir enquanto se toma uns copos e se fala com os amigos. Não desagrada, mas também não fica na memória.

Uma hora depois da hora marcada, o quinteto Sonic Youth faz a entrada no palco e começa a atacar o seu último álbum de originais o qual, por circunstâncias diversas, não colheu o meu interesse para o ouvir mais aprofundadamente. Mas é para isso que estes concertos também servem, pois agora é mais um que vai para a “lista dos desejos”. Os temas foram descarregados com a dose avantajada de decibéis que se espera do grupo (os meus ouvidos ainda zumbem em background), sustentado por um wall of sound de guitarras, por vezes dissonantes, conferindo uma dinâmica característica aos temas, onde o trio Gordon - Moore - Ranaldo entrosam de forma extraordinária, como velhos amigos que conhecem todos os seus defeitos e virtudes e se entendem na perfeição. Isto sem desmerecer, muito pelo contrário, a excelente prestação no suporte rítmico dado por Steve Shelley e Mark Ibold, com particular ênfase no dinamismo de Shelley. Às variações dinâmicas acrescem algumas rítmicas e desvarios sónicos, atributo pelo qual são particularmente conhecidos, aspectos estes que conferem à música dos Sonic Youth a sua diversidade e originalidade, algo que a maioria das bandas com coordenadas semelhantes não consegue ou então atola-se em repetidas emulações de fórmulas gastas. De permeio ainda se vão ouvindo temas do período dourado da banda (dois temas do Sister), algo que causa ataques de nostalgia na plateia em alguma malta à minha volta. O concerto passa ainda pela comunhão entre Thurston Moore e os espectadores da linha da frente, mas vai ganhando um crescendo extasiante terminando com a belíssima "Massage the History". A saída do palco naquele momento foi sentida como uma espécie de coitus interruptus, e o certo é que ainda voltaram mais duas vezes ao palco para nos brindarem com mais quatro temas dando assim, no conjunto, uma visão curta da sua carreira entre Bad Moon Rising e Daydream Nation. No fim, após creca de 1 hora e 50 minutos de concerto, notava-se a satisfação plena da turba pelo que se tinha assistido. Os Sonic Youth são um valor seguro ao vivo. São profissionais, são excelentes músicos, criaram a devida empatia com o público e a resposta só poderia ser um concerto, a todos os títulos, memorável. O som, como na última vez, tem nota negativa, embora melhore consideravelmente com a casa cheia, algo que falhou com os Wilco. Quem quisesse falar (cantar) ao microfone dificilmente se fazia perceber, no entanto esse aspecto foi corrigido algumas vezes, embora não as necessárias para que tudo estivesse, efectivamente, perfeito. O rock está vivo e continua a recomendar-se.

4,5/5

Set do concerto no Coliseu (com recurso à internet):
Os temas de The Eternal estão assinalados (*)
No Way*
Sacred Trickster*
Calming The Snake*
Anti-Orgasm*
Stereo Sanctity
Malibou Gas Station*
Walkin Blue*
Poison Arrow*
Schizophrenia
Antenna*
Leaky Lifeboat*
What We Know*
Massage The History*

Encore 1
Sprawl
Cross The Breeze

Encore 2
Shadow of a Doubt
Death Valley 69

That's all folks!

Monday, 1 March 2010

Fama Show



E não é que os Genesis foram nomeados este ano para o Rock 'n' Roll Hall of Fame?

Eis o que está no site respectivo:

Almost no group in rock history has had such a long and varied career as Genesis, who began as a cult art-rock band in England in the late 1960’s and went on to pack stadiums across the globe in the 1980’s, 1990’s and on their 2007 reunion tour. In the early 1970’s frontman Peter Gabriel shocked audiences and grabbed headlines by taking the stages in outrageous costumes and occasionally even levitating above the audience. Their music was equally innovative, and early albums Selling England By The Pound and The Lamb Lies Down On Broadway are two of the most acclaimed prog-rock albums in the history of the genre. In 1975 Gabriel left the band to pursue a solo career and drummer Phil Collins stepped out from behind the kit to take over. The band experienced many more hits and successful worldwide tours over the next 30 years.

Embora seja da praxe ir lá tocar umas cenas, ainda não é desta que o grupo se reune com a formação clássica, pois Peter Gabriel já fez saber que nem sequer pode estar presente.

Ainda assim, esta nomeação talvez denote uma outra coisa: será que o rock progressivo está a deixar a aura de estilo maldito e desprezável pela intelligenzia da música pop? Se sim, é apenas um sinal que a dita intelligenzia se está a tornar um pouco mais inteligente, pois a falta deste reconhecimento era um dos pontos em que o dito Hall of Fame era mais criticado. Mas ainda restam vários estilos (aliados a preconceitos) a serem devidamente reconhecidos, se é que se quer fazer disto um digno representante da história da música popular.