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Wednesday, 9 April 2008

As Verdades Que São Mentiras e as Mentiras Que Continuam Verdades

Estive com vontade danada de publicar isto a 1 de Abril, mas acabei por não ceder às tentações. Iremos pois invocar, uma vez mais, o Ano Internacional do Planeta Terra (AIPT), não sem antes abordar a primeira parte que o título sugere. O Ano Polar Internacional esteve inicialmente programado para ocorrer durante o período de 2007/2008, mas afinal acabou por ser estendido até 2009 ao contrário do que aqui havia sido afirmado há um mês. Seguramente aproveita o balanço que o AIPT tomou para que estejamos mais um ano a falar dos polos e da sua importância para os balanços climáticos.

Quanto ao resto! É sempre com alguma amargura que constato uma clara displicência generalizada por determinadas áreas do saber. Um pouco mais ou menos como no desporto, em que se fala 364 dias do ano de futebol e das outras modalidades no resto do tempo, e somente quando ganham algo de significativo. O AIPT foi uma iniciativa proposta pela IUGS (International Union of Geological Sciences) e que foi acolhida pela UNESCO. Por cá, as movimentações não se fizeram esperar, e os que normalmente nunca se preocupam e praticamente ignoram uma ciência que dá pelo nome de Geologia (nas 24 h do seu dia-a-dia nem se lembram sequer que existe), foram dos primeiros a assomarem ao palco e ao centro das atenções e holofotes. É a chamada corja de “cientalites”, uma mistura de “cientistas” e “socialites”, pois não se lhes reconhece outra actividade no curriculum que não seja aparecerem e serem fotografados em festividades que se transformam em circos bacocos. Quanto aos que, muito seriamente e com algumas dificuldades, têm vindo a fazer trabalho efectivo nesta área desde há anos, nem sequer houve a delicadeza de lhes perguntarem a opinião. Para quê? Já não dissemos aqui que a mediocridade só prevalece se a competência se mantiver enterrada?

Sunday, 2 March 2008

A Nossa Terra

Já aqui foram mencionadas as iniciativas de cariz científico e não só relativas ao Ano Polar Internacional e Ano Internacional do Planeta Terra. O primeiro havia sido lançado há precisamente 1 ano e 1 dia e vê agora os seus dias chegarem ao fim neste mês. O segundo, arrancou também no ano passado, mas só a 12 e 13 de Fevereiro de 2008, em Paris, foi lançado oficialmente sob os auspícios da UNESCO. Ambos os eventos são oportunidades únicas para uma consciência colectiva dos problemas que nos afectam no planeta onde habitamos e, para todos os efeitos a muito longo prazo, o único no Universo onde tal é possível. Ninguém, em seu perfeito juízo, deita abaixo a sua própria casa.

A revista Nature publicou em Janeiro de 2008, um suplemento dedicado ao Ano Internacional do Planeta Terra. Uma ocasião para olharmos para uma ciência que tem sido algo menosprezada na feira das vaidades social onde se olha demasiadas vezes para a indumentária e pouco para a substância. Aliás, em 2007 decorreram 200 anos desde que foi criada a mais antiga sociedade geológica. Decorria o ano de 1807, era uma sexta-feira, 13 de Novembro, e 13 personalidades colocaram a sua assinatura no documento que criou a Geological Society of London. Acto contínuo de desrespeito por crenças supersticiosas, da ciência que mais abalou em todo o século XVIII e XIX as estruturas da fé cristã. No artigo de Frank Press, precisamente sobre “Earth Science and Society”, há duas citações que o autor usa e que merecem ser aqui reproduzidas. Uma vem da pouco simpática Margaret Tatcher, numa ocasião na Royal Society em 1988 onde afirmou “the value of Faraday's work today must be higher than the capitalization of all the shares on the stock exchange”. A outra, do historiador americano Will Durant, que afirmou “Civilization exists by geological consent, subject to change without notice”.

Cabe-nos a nós, meros habitantes neste frágil Planeta Azul, reflectir sobre ambas.


Wednesday, 23 January 2008

Over The Volcano

Os cientistas Hugh Corr e David Vaughan do British Antarctic Survey, após analisarem um conjunto de dados de radar colhidos num voo há três anos, verificaram a existência de uma camada reflectora nos gelos da Antárctica (mais forte que a do substrato geológico) cuja única explicação plausível é corresponder a um nível de cinzas vulcânicas de uma erupção recente. O artigo foi recentemente publicado na Nature Geoscience. Na realidade, estaremos na presença de um vulcão activo debaixo dos gelos da Antárctica, cujo último rugido ecoou há uns breves 2000 anos atrás. O ponto quente respectivo situa-se na região de Pine Island da Camada de Gelo da Antárctica Ocidental, um local onde os glaciares retraem a uma taxa superior à de outras regiões do continente. Embora se desconfiasse que existissem vulcões activos debaixo da espessa camada de gelo, tal nunca tinha sido confirmado até hoje. Se bem que conhecido como um continente gelado, a Antárctica possui alguns vulcões activos que emergem desse imenso mar branco, o mais importante dos quais é o Monte Erebus, na Ilha de Ross, cuja actividade contínua tem vindo a ser observada desde os anos 70.

(C) NASA

Agora imagine o leitor o espetáculo explosivo que é uma erupção destas, dando origem ao que se designa por freato-magmatismo. Se colocar água fria em cima de um ferro em brasa dá o que todos sabemos, o que serão as toneladas de gelo a derreter sobre a rocha fundida que emerge a uns confortáveis 1000ºC? Estima-se que o buracão terá sido enorme, e a pluma, que espalhou as cinzas por uma área equivalente ao País de Gales, terá atingido os 12 km de altitude.

Thursday, 1 March 2007

Ano Polar Internacional (2007-2008)


Inicia-se hoje, 1 de Março de 2007, e envolve um esforço de, pelo menos, 60 países que se desdobram em diversas actividades, mas principalmente em projectos de investigação. Em tempo de preocupações crescentes sobre o aquecimento global, as zonas polares são das mais sensíveis e as implicações nessas zonas das mais preocupantes também. Para além desse facto, os gelos milenares da Gronelândia e Antárctica encerram um historial precioso do nosso clima até há 400000 anos atrás. O conhecimento que se vem acumulando é importantíssimo e permite estabelecer de forma confiante e bastante precisa as assinaturas da presença humana desde os tempos mais remotos e, por vezes, insuspeitos.

No sítio do Ciência Viva podem encontrar-se referências a actividades sobre a iniciativa.