Reflexões II
Alguém que explique ao Otelo Saraiva de Carvalho que os governos agora não se derrubam com armas mas sim com taxas de juro.
Science is built up of facts, as a house is built of stones; but an accumulation of facts is no more a science than a heap of stones is a house - Henry Poincaré
Alguém que explique ao Otelo Saraiva de Carvalho que os governos agora não se derrubam com armas mas sim com taxas de juro.
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Um Primeiro Ministro com o nome de Papademos, só pode ser uma excelente escolha para enfrentar os males da Grécia.
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«Notação é uma arte, não uma ciência», admite Standard&Poor's
Ou seja, nós não estamos cientificamente falidos, mas sim artisticamente fodidos.
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Nesta última semana, as notícias absurdas sucederam-se a um ritmo alucinante. A bem dizer, a culpa não está nas notícias, mas naquilo que configuram sobre um Governo que parece estar a cair num estado de desespero e desorientação inauditos. Se se mantivessem os prémios do Restaurante instaurados nos primórdios deste estabelecimento, creio que seria difícil apresentar um vencedor. Vamos então por partes.
Descobre-se na Madeira que existe um buraco orçamental de mais de 1.100 milhões de euros, ao que o palhaço de serviço do costume já veio contra-argumantar que o fez “em legítima defesa dos ataques do governo socialista”, que “não está minimamente preocupado com a situação”, que a “obra continuará a ser feita”, que “não haverão cortes salariais na região”, e tudo o mais que o mais criativo dos políticos possa imaginar. Se Passos Coelho já tinha levado um murro no estômago com as agências de rating, agora parece ter levado uma bordoada na face e um potapé nos colhões que até se torce de dores no chão. O Ministro das Finanças, o testa de ferro do Governo, subitamente calou-se. E o país continua a ver passar o cortejo carnavalesco com o folião Jardim à cabeça, a bater palmas e a rir-se. Entretanto já vieram notícias a público que, quer Cavaco Silva, quer a PGR, sabiam da situação. Vai-se a ver e os dividendos da venda de acções do BPN por parte do PR foram investidos na zona franca da Madeira.
O Governo cometeu a inacreditável proeza de incluir na lista de organismos a extinguir o Centro Internacional de Luta contra a Poluição no Atlântico Nordeste (CILPAN), coisa que não tem poderes nem competência para o fazer porque o dito organismo foi criado ao abrigo de um tratado internacional entre a Comissão Europeia, a Espanha, a França, Marrocos e Portugal. Não fosse tudo isto triste e de um embaraço monumental para a aventesma (para não dizer profundamente incompetente e estúpido) que teve a brilhante ideia, e até dava vontade de rir.
Afinal o projecto do TGV vai em frente... mas em via única. Aqui deixo apenas o comentário de um leitor do Público que afirmava que estava profundamente convencido que se tratava de um título do Inimigo Público. Acho que não é preciso dizer rigorosamente mais nada.
Para terminar, desejo apenas que em breve, quer madeirenses quer continentais, saibam onde fica a Praça Tahrir.
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Aquilo que poderia ter-se transformado numa forma inteligente de espetar uma farpa no governo, se dito de forma jocosa, vai ficar no anuário como mais uma atoarda da silly season, tal a seriedade com que o Bastonário da Ordem dos Médicos propôs taxar a dita “comida rápida”. Há certos pensamentos que, quando demasiadamente digeridos, dão na mesma substância que o cartoonista brasileiro Laerte ilustra tão bem nesta tira a propósito do mesmo assunto:
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Lá para os lados de Algés descobriu-se que para ir até Marte são precisos bem mais do que 30 segundos.
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Fode-Me Intensamente.
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Agora que vamos tendo uma ideia da forma como nos vão apertar os calos nos próximos anos, têm-se desmultiplicado em debates e comentários vários “especialistas” de economia que não se cansam de lançar para o ar meia dúzia de opiniões avulsas e gratuitas sobre a sua maneira peculiar de poupar dinheiro ao Estado. Numa das que ouvi, por alguém de quem se diz ter nome na praça, o seu discurso pegava em meia dúzia de indicadores, tais como os rácios docentes/alunos em Portugal, para vaticinar logo com uma ligeireza descomunal a forma como cortar despesa na Educação. Pois bem, eu nem sequer quero estar com veleidades equivalentes, até porque tenho de me remeter à minha humilde posição de pessoa vulgar e comum, sem a mesma visão presciente de sumidades deste calbre, para contra-argumentar sobre o que se passa na Educação, matéria que em grande parte desconheço mas que também reconheço ter os seus problemas. Mas não resisto a fazer um exercício semelhante: Como na Assembleia da República, dos 230 deputados do hemiciclo eu ouço intervir, em média, apenas uma dúzia deles, parece-me óbvio onde cortar nos gastos desmesurados da instituição, logo a começar no número de deputados seguido do pessoal de apoio para aquela gente toda.
Se os nossos “especialistas” não conseguem construir opiniões melhores do que aquelas que se ouvem da boca do homem da rua, melhor será as televisões deixarem de pagar aos comentadores e convidados de estúdio e façam mas é directos com abordagens aos transeuntes ocasionais. Não só a informação não piora, como ficaremos a saber qual o verdadeiro sentir do povo.
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O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras confirmou a recepção de um pedido de naturalização por parte do Super-Homem.
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Ao ler isto:
“Os gestores do programa de ajuda ao Malawi posto em marcha pela cantora Madonna, que previa a construção de uma academia para raparigas, foram afastados dos seus cargos depois de terem gasto 3,8 milhões de dólares no projecto de uma escola que nunca chegará a ser construída.” in Público, 26 de Março de 2011.
Escusado será dizer que o dinheiro foi gasto em futilidades e salários.
Só me faz lembrar que, em termos de futilidades inúteis e mecanismos de auto-promoção, há coisas que nunca mudam:
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De vez em quando aparece nos meios de comunicação social um assunto que assume características do mais absurdo que possamos imaginar e inicia-se uma controversa troca de opiniões sobre uma banalidade que não merece mais palavras que as que foram escritas até agora neste texto. Desta vez coube ao Festival da Canção, instituição essa de enorme prestígio para a música nacional e grande estandarte da cultura portuguesa na Eurolândia, e à canção vencedora de Os Homens da Luta. Pois bem, contrariamente a muita alma ofendida e envergonhada desta terra com tal decisão, a opinião da gerência da casa é a seguinte:
“Congratulamos e aplaudimos efusivamente o par de trolhas musicais que são Os Homens da Luta pela brilhante canção Luta é Alegria pois finalmente, ao fim dos provectos anos que leva esta instituição, os portugueses colocaram como sua representante uma canção que não só se encontra verdadeiramente ao nível do que o Festival merece como ao nível daquilo que verdadeiramente é.”
E para assistir a este resultado nem sequer tive que pagar 0,60 euros + IVA.
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A gerência espera que o candidato Abstenção não renuncie ao mandato para que foi eleito à primeira volta em favor do 2º candidato mais votado. Estamos em crer que nenhum outro candidato reflecte tão fielmente a nobre atitude do povo português*.
* é assim mesmo, em letra pequenina.
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Os idiotas que baptizam crianças com nomes como Lyonce Viiktórya deviam levar com uma queixa na Comissão para a Protecção de Menores.
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A sério! Cada vez me custa mais a compreender as razões de João Lopes.
Se alguém belisca a Madonna arrisca-se a levar uma dentada e um sermão sobre a ditadura de alguma coisa. Confesso que já não sei o que é pior, se defender os símbolos religiosos ou os ídolos endeusados. Mas tal como com a prédica da Katy, não só não se pode obrigar os mais jovens a evitarem o ridículo, como o mesmo se aplica aos menos jovens. Aparte este detalhe, cada um é livre de dizer o que lhe der na real gana, mas se quer tornar públicos os seus pensamentos poupe-se ao menos os outros com as tristes figuras que se fazem.
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Em tempos muito idos, foi este grande feito que aqui a equipa atribuíu ao Sr. Jardim. Quando nos chovem notícias do mau momento económico que o país atravessa, com o governo a desfazer-se em explicações para controlar o descalabro da imagem portuguesa a nível internacional, políticas de congelamento salarial e tentativa de contenção da despesa pública, a oposição (nem sei bem porquê, mas talvez porque sim) aprova uma lei que permite um acréscimo de 52 milhões de euros nos gastos para a região autónoma da Madeira. O Sr. Silva ainda terá oportunidade de vetar a dita, embora não pareça que isso venha a acontecer. Entretanto, o Sr. Sócrates e o Sr. Santos, já vieram dizer que tudo farão para contrariar a aplicação da lei, uma espécie de refúgio para compensar a ameaça de demissão política. Entretanto crê-se que o Sr. Louçã, o Sr. Sousa, o Sr. Portas e a Srª D. Manuela terão lugar cativo nas festas madeirenses do próximo fim de semana, como forma de abrilhantar devidamente este momento de elevação e responsabilidade política perante o eleitorado e as pessoas que acham que o que aqui está em causa não é o valor da despesa, mas sim o princípio. Para mais estando tudo isto enquadrado num historial de despesismo ostensivo e criador de clientelismo político que subsiste há vários anos no arquipélago em questão. Aliás, só em pleno ambiente carnavalesco se consegue assistir à bancada direita do parlamento aplaudir a bancada esquerda, e não terão sido os seguidores do governo os únicos a ficar boquiabertos. Pior que caricata, a situação é profundamente triste pois nem um dos intervenientes sai merecedor sequer do respeito dos eleitores, uns pela asneira que proporcionaram e os outros por não demonstrarem dignidade suficiente para transformarem em facto o que não passou de uma ameaça. E o que eu me riria a bandeiras despregadas se o Sr. Sócrates viesse a ganhar uma maioria absoluta. Por muito que me custe essa eventualidade, teria sido o merecido castigo para esta corja de imbecis que não consegue elevar a política acima de questiúnculas saloias. Da minha parte, era desta que o Dr. Garcia Pereira levava um voto meu.
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