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Tuesday, 3 January 2012

E Vão Cinco Noves Fora Nada

Meus amigos e ocasionais transeuntes, este blogue faz hoje 5 anos que viu a luz do dia. Ao fim de cinco anos teve altos e baixos, mas ultimamente mais baixos que altos. Este dia vai ser também aquele que vou concretizar o que já pairava na minha cabeça há um tempo: fechar o tasco permanentemente. Tudo tem um tempo e uma altura certa para existir. É melhor acabar de vez do que arrastar um cadáver. Se muitas bandas fizessem o mesmo teríamos menos ruido à nossa volta. Já agora, se querem mesmo saber porque fechamos, foi mesmo o aumento do IVA. Como não tenho ninguém para despedir, fecho a loja. E vou seguir o conselho do nosso PM e emigrar, como de resto a Jarónimo Martins já fez. E também vou para a Holanda, mas vou vender cannabis.

Antes ficam aqui as minhas breves impressões do ano que findou. Em consonância com a crise, as escolhas são escassas e reflectem apenas o que tive pachorra de ouvir/ver/ler.

Os melhores de 2011, categoria músicas para bailarico:

1. Low – C'mon
seguidos de:
Veronica Falls – "Veronica Falls"
PJ Harvey – "Let England Shake"
Dum Dum Girls – "Only in Dreams"

Engracadito:
Tennis – "Cape Dory"

Um bom regresso:
Wire – "Strays"

Não Há Pachorra:
Radiohead – "The King of Limbs"

Com mais do mesmo, perdeu-se a graça:
Fleet Foxes – "Helplessness Blues"

Boa Canção que irrita muita gente:
Lana del Rey – "Video Games"

Os melhores de 2011, categoria concertos:
1. Swans @ Aula Magna
2. Bonnie “Prince” Billy @ Teatro Maria Matos
3. Ben Frost @ Teatro Maria Matos
4. Six Organs of Admittance @ Teatro Maria Matos
5. James Blackshaw + Nancy Elizabeth @ Teatro Maria Matos
6. Max Richter @ Teatro Maria Matos

Como podem reparar o Teatro Maria Matos é um espaço a ter cada vez mais em conta, inclusivamente financeira.

Os melhores de 2011, categoria filmes:

1. Sangue do Meu Sangue de João Canijo
seguido de
A Árvore da Vida de Terrence Malick
Beginners de Mike Mills
Mães e Filhas de Rodrigo García
O Discurso do Rei de Tom Hooper
Inception de Christopher Nolan
O Castor de Jodie Foster

Os melhores de 2011, categoria leituras:
"A Questão Finkler" de Howard Jacobson, por ser o único título editado em 2011 que li.
Com uma atenção especial a:
"O Retorno" de Dulce Maria Cardoso.
por ainda não ter lido, mas estar na já calha finalmente depois de me o subtrairem por duas vezes seguidas.

E por aqui me fico, com uma despedida em grande:



The Dave Brubeck Quartet – Take Five

Hasta Siempre. Vemo-nos na Revolução que tarda em chegar.

Thursday, 22 September 2011

Bons Princípios


Escapada cinéfila, com mais de duas semanas de atraso, serve a presente nota para falar de um singelo e simpático filme que dá pelo infeliz nome de “Assim é o Amor” mercê da criatividade dos distribuidores que assim se lembraram de baptizar este “Beginners” de Mike Mills. E é de principiantes que o filme trata, principiantes no desenrolar de uma nova vida, no sentido do recomeço. O filme deambula por um presente que vai buscar justificações a um passado distante e a um bem mais recente. Oliver (Ewan McGregor) vai desfiando os últimos 4 anos da sua vida a partir do dia em que o seu septuagenário pai (Christopher Plummer) se assume como gay depois do falecimento da sua mãe. A partir desse dia, o puzzle com muitas das memórias de infância passa a encaixar coerentemente. Mas é através da relação com o pai, à medida que também vai desfolhando a sua relação do presente com Anna (Málanie Laurent), que Oliver parece encaminhar-se para uma vida emocional mais estável e duradoura. Mas como em tudo o que implica trilhar novos caminhos, nada é simples nem fácil, e é através da lenta compreensão, ou mesmo apreciação, da atitude do pai perante a vida e que culmina com a sua luta com o cancro, que Oliver tem a coragem de dar o passo que, até aí, se vira incapacitado. Excelente trabalho de actores e uma montagem competentíssima, sem nunca deixar o espectador perdido, com pequenos blocos de marcos da cultura popular que enquadram momentos chave da vida dos personagens. É bom ver filmes assim.

(4/5)

Sunday, 16 January 2011

Mais Balanços de 2010


Numa perspectiva de dar a conhecer os gostos pessoais e assim contribuir, como outros contribuem para comigo, para despertar a curiosidade do que ainda não se provou.

Cinema:

O ano de 2010 não foi particularmente memorável. Houve um punhado de filmes que me despertaram suficientemente o interesse. Outros houve que perdi e espero recuperar mais tarde, como por exemplo, “O Segredo dos Seus Olhos”. O veredicto:


1. A Single Man – Tom Ford
2. O Escritor Fantasma – Roman Polanski
3. Shutter Island – Martin Scorcese
4. A Estrada – John Hillcoat
5. A Rede Social – David Fincher
6. Nas Nuvens – Jason Reitman
7. A Origem/The Inception – Christopher Nolan
8. Tamara Drewe – Stephen Frears
9. Tudo Pode Dar Certo – Woody Allen

Para esquecer:
Alice no País das Maravilhas – Tim Burton

Concertos:

Muito mais abonado que em anos anteriores, alguns foram objecto de comentário aqui na chafarica:


1. Grizzly Bear @ Coliseu dos Recreios
2. Sonic Youth @ Coliseu dos Recreos
3. Tindersticks @ Coliseu dos Recreios
4. Faust @ Teatro Maria Matos
5. The Walkmen @ Coliseu dos Recreios

O Coliseu levou claramente a melhor, o que é mau porque as condições sonoras são frequentemente sofríveis. De entre os que actuaram nas primeiras partes:


1. Danças Ocultas (1ª parte Tindersticks)
2. Cibelle (1ª parte Grizzly Bear)
3. Os Golpes (1ª parte The Walkmen)
4. Gala Drop (1ª parte Sonic Youth)

Finalmente, não vou muito em novidades literárias porque tenho dificuldade em distinguir o trigo do joio do mar que se publica. Refiro apenas um monumento que li no ano de 2010 e que me deixou de rastos:


“As Benevolentes” de Jonathan Littell

Até breve!

Saturday, 28 August 2010

Projecto Blair Ghost


O último filme de Polanski, "O Escritor Fantasma", enquadra-se num daqueles objectos cinematográficos de suspense e mistério sem verdadeiramente pretender vestir essa roupagem, pelo menos nos termos mais convencionais do género. Tendo como ponto de partida um escritor que é contratado para escrever as memórias de um antigo primeiro-ministro britânico que se encontra, para todos os efeitos, exilado nos Estados Unidos, dando assim continuidade ao trabalho do seu antecessor que morreu misteriosamente, o filme de Polanski agarra-nos pelos mais diversos motivos, a começar desde logo pela inusitada importância que é dada ao manuscrito e o seu cariz de objecto de cobiça pelas esferas da política e espionagem. Sem percebermos verdadeiramente o que se está a passar e o que se encontra por detrás, pelo filme vão-se desfiando duras críticas à actuação americana e seus lacaios (aqui materializados pelo próprio ex-primeiro-ministro) na chamada guerra contra o terrorismo. O argumento discorre pois num ambiente em que o espectador, tal como o escritor (excelente interpretação de Ewan McGregor), vai descobrindo a pouco e pouco o que realmente está a provocar tamanha celeuma nos meios políticos. Tudo isto sem deixar de haver uma ponta de ironia e sarcasmo veiculada pela personagem de McGregor, quanto mais não seja até pelo facto de o ex primeiro-ministro (Pierce Brosnan) uma vez confrontado com a mão pesada do Tribunal Penal Internacional de Haia, ter os Estados Unidos como um dos poucos (mesmo raros) países de onde não pode ser extraditado, precisamente o país onde o próprio Polanski se encontra a braços com a justiça e impedido de visitar. Aliás, a tónica humorística que por vezes vai perpassando pelo filme é um claro sinal de irreverência que quase parece fazer perder a força do argumento, quando na realidade percebemos que ele está lá de propósito, não para retirar densidade e espessura, mas para nos mostrar que não vivemos 24 sobre 24 horas em tensão, sobressalto ou enterrados nos nossos próprios fantasmas, dúvidas e receios. A colagem do argumento ao historial do governo Blair são inevitáveis não perdendo tempo nem oportunidade para lembrar da hipocrisia que são a vida política e as relacções internacionais. Felizmente que o que seria facilmente tomado com grande aparato, efeitos especiais, tiroteios e perseguições alucinantes por um qualquer realizador de blockbusters, aqui se mostra contido e na medida certa para tornar o enredo bem mais terra a terra e credível sob esse ponto de vista. Afinal, não parece ser assim tão difícil fazer um cinema suportado no argumento e nos personagens... ou se calhar é. Em todo o caso, um dos bons momentos passados numa sala de cinema. Recomendável.

4/5

Tuesday, 30 March 2010

Resenha Cinéfila

Tempo de pôr a escrita em dia, ainda que saiba a comida requentada, sobre os filmes que vi no último mês e meio e que me merecem o tempo dispendido para vir escrever algo sobre eles. Entenda-se isto como um simples diário de bordo sobre alguns dias dedicados a esta nobre arte: o cinema.

Nas Nuvens/Up in the Air (Jason Reitman)

Comédia simpática e agradável de seguir, do realizador Jason Reitman (o mesmo de “Juno”), apresenta-nos uma história cujo argumento encerra em si uma boa ideia que de forma alguma é desbaratada no desenrolar da acção. Abordando um tema que não podia ser mais oportuno nos tempos incertos que se vivem, Nas Nuvens mostra-nos um conjunto de personagens que, na realidade, se sentem tão perdidos na sua vida sentimental quanto os muitos anónimos a quem têm a ingrata tarefa de anunciar que a empresa onde trabalham prescindiu dos seus préstimos. E se é verdade que Natalie (Anna Kendrick) aparece a perturbar o equilíbrio desse mundo estéril de relações e afectos a que Ryan (George Clooney) tão comodamente se habituou, não deixa de ser irónico que seja a emocionalmente frágil Natalie quem dá à sua vida a necessária mudança de rumo escapando ao inevitável buraco negro do meio onde se encontra, usando para isso os mesmos veículos de comunicação que justificaram a sua contratação. De salientar a boa prestação de Vera Farmiga no papel de Alex.

3,5/5

Um Homem Singular/A Single Man (Tom Ford)

Um Homem Singular representa o melhor filme que me foi dado a ver nos últimos tempos. Filme que passa o dia 30 de Novembro de 1962 com George Falconer (Colin Firth), um professor de literatura, que decide ser esse o último dia da sua vida, fazendo o luto pela perca do seu companheiro de há 15 anos, Jim (Matthew Goode), algo que lhe foi negado por uma sociedade ainda fechada e recriminatória de certos comportamentos sociais. As notícias recorrentes em pano de fundo sobre a crise dos mísseis de Cuba, um dos momentos mais problemáticos de toda a Guerra Fria, é igualmente premonitório de um futuro que, aos olhos do protagonista, é mais que incerto naquele presente. É nesta perspectiva que tudo se conjuga neste filme, pois as mudanças cromáticas acompanham o estado de espírito de George, assim como a música carrega consigo um constante sentimento de profunda tristeza. Adicionem-se os cuidados nos adreços e guarda roupa, que auxiliam a composição do filme como uma sequência de postais ilustrados de época com cores envelhecidas pelo tempo, e temos um obra que funciona como um todo orgânico e coerente, de tal forma manipulada que não sobrevive sem nenhuma das partes e com o cuidado de nenhuma componente se sobrepôr às restantes, deixando espaço para as personagens respirarem. Julianne Moore é soberba e protagoniza um dos raros momentos de “euforia” no filme ao som de Green Onions de Brooker T. & The MG's. Uma vez chegado o fim do dia, as peças vão-se encaixando como que a tentar dizer-nos que, por mais que queiramos, não podemos escapar ao destino e que o melhor é ficarmos em paz com a vida. E George consegue-o.

4,5/5

Shutter Island (Martin Scorcese)

Martin Scorcese é um realizador profundamente cinéfilo. É verdade que, uns mais outros menos, todos o serão, mas não há muitos que recorrentemente no seu mister façam disso uma permanente citação e homenagem aos clássicos e aos nomes que o procederam e fizeram a história do cinema. Como diria Newton, “Se eu vi mais longe foi porque me sentei no ombro de gigantes”. Shutter Island é um filme que deve muitas referências ao clássico filme negro americano, com uma genética profundamente Hitchcockiana, em que o espaço e o cenário funcionam como agentes do medo e do sobressalto com largas doses de psicanálise a repisarem os fantasmas do passado do protagonista. Ainda que competentemente filmado e elevado a um nível a que um grande realizador como Scorcese consegue fazer, o argumento não deixa de ser algo decepcionante pelo facto de a temática se encontrar demasiado revista nos últimos anos. Di Caprio não parece agarrar verdadeiramente a sua personagem, em contraste com as prestações de Mark Ruffalo e Ben Kingsley. Pese embora estes detalhes, a competência de Scorcese nunca permite estarmos perante um objecto vulgar de cinema, e por isso vale a pena ir vê-lo.

4/5

Tuesday, 16 February 2010

Whatever Works! Not Always


Até parece que dei em cinéfilo, mas na realidade serei apenas um amante da 7ª arte com gosto pela coisa que agora arranjou um pouco mais de tempo para reavivar este prazer antigo. Pois bem, os mais atentos reconhecerão no título deste texto o título do último filme de Woody Allen. Falar de Woody Allen, é como falar das férias ou das noites de farra com os amigos. Aparte o exagero de reduzir Woody Allen a uma mera conversa de circunstância, ao olhar para a longa carreira deste realizador fica-me a sensação de alguém que nunca quis fazer do seu cinema mais do que um momento de boa disposição conjugado com (auto)terapia psiquiátrica. Também não quero dar a sensação que não gosto do Woody Allen, o que não podia estar mais longe da verdade. Allen tem a sensibilidade cinematográfica dos mestres que admira e a veia literária adequada aos temas que aborda. Em vários aspectos é um realizador singular. Enquanto que vemos a maioria dos realizadores como uma peça numa engrenagem gigantesca que ele se esforça a todo o custo não atrapalhar, Allen é uma espécie de homem dos 7 instrumentos, o performer de rua que apresenta, toca, canta, dança, lança os foguetes e apanha as canas, e segue descansado para casa dispensando a meia dúzia de amigos que o ajudaram naquele dia. É pois uma free-mind que faz o que lhe dá na real gana como forma de expiar as suas crises existenciais e amorosas, as suas dúvidas teológicas e morais, a sua hipocondria, lançando algumas farpas às realidades sociais que o rodeiam num dado contexto, sendo que este é frequentemente o meio artístico de Nova Iorque.

Nova Iorque, pois! Se há realizador que mostra amor por Nova Iorque, a resposta vem célere em forma de Woody Allen. Veja-se Manhattan e precebe-se porquê. Este último filme parece por isso um regresso do filho pródigo, ou o reatar de uma relação que acabou em divórcio. E nesse aspecto este Whatever Works (Tudo Pode Dar Certo) (a)parece (como) uma súmula de tudo o que Allen já nos deu. Colocar ali todos os fantasmas e problemas já passados e esperar que... whatever works. E se a fluência até nos mostra um filme que tem piada, não aborrece e nos deixa com a sensação de uma hora e meia bem passada, já por outro lado fica aquela sensação de déja vu, em que o efeito surpresa desvanece-se a cada cena que passa pois temos a certeza que Woody Allen, pese embora as citações cinematográficas (com especial ênfase em Apocalypse Now), se cita a si próprio com tal asseverança que praticamente se auto-plagia. E não é só a relação entre Boris (Larry David) e Melody (Evan Rachel Wood) que nos remete para a relação em Manhattan, é a recorrência sobre a sua crise existencial cimentada pelo acto de envelhecer e até o interpelar da audiência (lembremo-nos de Rosa Púrpura do Cairo). Aqui não há lugar ao brilhantismo do argumento de Match Point, nem tão pouco da comédia despretenciosa de Scoop. Poderemos dizer que Woody Allen não se deu mal em Londres e que se dá melhor em Nova Iorque. Mas não por este Whatever Works, mas pelo que fez no passado. E é por isso que é preciso mais que uma simples reconciliação para que essa relação volte a funcionar como algo fresco e que nos diga que vale a pena. Nota positiva para o facto de Larry David não tentar sequer emular os tiques nem a hiperactividade de Allen que dispara palavras ao ritmo alucinante de uma metralhadora, tal como Kenneth Branagh o fez em Celebridades, detalhe que nos dava vontade de lhe despejar o carregador de uma metralhadora em cima.

(3/5)

Wednesday, 3 February 2010

O Fim da Estrada


O livro “The Road” de Cormac McCarthy, foi não só amplamente elogiado como acabou vencedor de um Pulitzer, pelo que deu naturalmente lugar a uma versão cinematográfica, estreada entre nós há umas semanas. Não sendo conhecedor da obra de McCarthy, senão pela mão dos irmãos Coen através do filme onde a força presencial daquela personagem inacreditável interpretada pelo Javier Bardem é esmagadora, a curiosidade para ver o filme foi ainda alimentada pela sugestão do camarada M.A. cujo conselho foi bastante oportuno.

Falar deste filme não é fácil. Tendo sido visionado há mais de uma semana, os seus ecos ainda reverberam no meu cérebro. Não direi que estamos perante um filme perfeito ou de uma obra-prima, mas estamos seguramente perante um dos filmes mais perturbantes que me foi dado a conhecer nos últimos anos. Para começar, vamos depurar alguns detalhes que, embora façam pouco sentido, são na realidade irrelevantes para o essencial da história mas que convirá esclarecer. O cenário pós apocalíptico que se vive no período em que decorre a acção não permitiria a sobrevivência da espécie humana, ou de qualquer espécie superior, em detrimento das restantes espécies de quem as primeiras dependem e que basicamente foram extintas por um processo ou mecanismo que nos é completamente desconhecido. Aparte esta imprecisão científica que, conforme se afirmou, se revela irrelevante, o autor apenas pretende tornar ainda mais dramática e desesperante a situação em que a espécie humana se vê confrontada, como uma espécie de gedanken experiment, facto que desde logo desclassifica o filme (ou o livro) como ficção científica. E esta é a pedra de toque de tudo o que está por detrás da história. Tal situação limite leva a espécie humana a cometer actos de perfeita barbárie, do qual o canibalismo não será seguramente o único, sob condições que não são passíveis de imaginarmos, nem sequer perante as maiores catástrofes que a humanidade já tenha passado em qualquer período da sua história. Neste contexto somos levados a seguir um pai e um filho na luta diária pela sobrevivência, mas mais importante, na sua luta pela manutenção e preservação da réstia de humanidade que sobra num mundo hostil e sem esperança. É essa esperança que os faz lutar e viver, como a crença num El Dorado que não seja apenas uma simples miragem das memórias de um passado ao qual não é possível regressar. A realização é contida e a ambiência do cenário é transmitida pelos tons cinzentos predominentes, de um céu permanentemente encoberto de cinzas e chuvoso, de locais urbanos em ruinas deixados a um abandono desolador, de um mar (azul, não era?) envolvido por uma bruma persistente que não quer desaparecer. Algumas cenas são chocantes, sem contudo entrarem pelo voyeurismo barato e pornográfico em que muitos filmes tentadoramente caem. Depois há o trabalho de actores, pois é sobre eles que recaem as despesas da história, e bem, pois é algo que um certo cinema mainstream tem vindo a passar progressivamente para segundo (ou mesmo enésimo) plano. A transfiguração que John Hillcoat impôs aos que nos aparecem no ecrã é extraordinária a ponto de tornar quase impossível reconhecermos algumas das faces do cinema (Robert Duvall é um exemplo). Viggo Mortensen mostra-nos mais uma vez a sua capacidade em compôr personagens de valor singular, ao nível do melhor que nos habituou nas duas experiências que partilhou com Cronenberg (A History of Violence e Eastern Promisses). Os flashbacks tornam-se, em certa medida, supérfulos e irrelevantes, mas não ao extremo a que alguma crítica os colocou. Em última análise, foram uma opção do realizador, mas também poderiam não ter sido. Finalmente, falta mencionar o desconforto com que o final deixa o espectador, pois a sensação ambígua em perceber se a história continua ou não bem, estranhamente persiste. O retrato não podia ser mais desencantado e deprimente e qualquer mensagem de esperança vê-se, no máximo, pela greta de uma porta que não sabemos quando será fechada. Daqui sobra agora a vontade de ler o livro, pois se os elogios já eram superlativos e faziam temer a incapacidade de uma trasnposição cinematográfica decente, este resultado só antevê que o melhor ainda estará para vir.


(4/5)

Sunday, 3 January 2010

Three of a Perfect Pair

É verdade. Passaram-se 3 anos desde que tive a infeliz ideia, diria mesmo que a todos os títulos lamentável, de começar este blogue. Como o aniversário (quase que) coincide com o início do novo ano, faremos uma breve recapitulação sobre algumas das coisas boas do ano passado. São apenas as minhas impressões sobre o (pouco) que tive oportunidade de acompanhar, ver ou fazer, por isso, nada de exaustivo.

Cinema: “Gran Torino” de Clint Eastwood e “Inimigos Públicos” de Micheal Mann;
Teatro: “O Ano do Pensamento Mágico” de Joan Didion com Eunice Muñoz no TNDM;
Concerto: Wilco no Coliseu dos Recreios, Lisboa;
Leitura de “O Leopardo” de Giuseppe Tomasi di Lampedusa;
Música: Ainda não, por razões sobejamente conhecidas dos frequentadores deste tasco, mas poderei afirmar que Grizzly Bear, Bill Callahan e The Legendary Tiger Man estão, até agora, entre os eleitos.

O que foi para esquecer:
A minha persistência em continuar por aqui, que já se assemelha perigosamente à atitude do Pedro Santana Lopes na política.

Quanto ao título, é apenas uma referência aos King Crimson, sobre quem espero em breve vir a escrever algo na continuação de uma rubrica que não está esquecida.


Um Bom 2010!

Monday, 4 May 2009

A Granja do Vasco...


… era a banda desenhada e o cinema de animação. Faleceu, hoje de madrugada, Vasco Granja. Para sempre indissociado do fenómeno da banda desenhada em Portugal, creio que há uma certa geração de portugueses, onde me incluo, que via a sua presença tutelar na televisão onde divulgava as mais variadas cinematografias de animação, em especial as da Europa de Leste. Com ele descobri um certo vanguardismo na animação, e uma adoração especial pela obra de Norman McLaren. Vasco Granja foi também, desde o seu início em 1968, director da revista Tintim publicada pela Bertrand e que sobreviveu até aos anos 80 (não me lembro exactamente até quando). A cultura e a divulgação da banda desenhada deve imenso a este homem que nos deixou com um sentido de dever cumprido (digo eu!).

Friday, 17 April 2009

Um Eastwood em Grande Forma


Gran Torino de Clint Eastwood é o filme em alta que corre por aí, com rasgados elogios em toda a imprensa e demais meios que falem destes assuntos. Habituei-me sempre a ver Eastwood como o anti-heroi Dirty Harry ou o cowboy solitário e sem nome de O Bom, o Mau e o Vilão de Sergio Leone. No tempo em que ainda andava pelo cinema com muito mais frequência que agora, nunca dei grande conta do Eastwood realizador. Essa percepção mudou com Bird, sobre a vida de Charlie Parker, e manteve-se firme até hoje. Filmes como As Pontes de Madison County e Mystic River são apenas dois exemplos que perduraram na memória depois disso.

Gran Torino é um filme de uma espessura e densidade incomum, daqueles que nos enchem as medidas e os sentimentos (para o bem e para o mal) e nos remoem a cabeça ao retardador. Não sendo um exemplo primoroso de interpretação (não contando com o próprio Eastwood), a sua força está no homem que capta das suas personagens aquilo que quer e Eastwood soube-o fazer com mestria, produzindo um objecto cinematográfico sólido e consistente. Gran Torino revela-nos, acima de tudo, uma grande parábola sobre uma certa América, uma América feita de emigrantes (o protagonista, Kowalski, é de origem polaca) maioritariamente de matriz europeia, que lutou em guerras e que se vê a braços com um mundo em transfiguração. Esta é a América tradicional, profundamente dura, patriota, racista e religiosa (à sua maneira). Esta América está a desaparecer e a transformar-se numa burguesia sem ideais e convicções nem amor pelo próprio país, incapaz sequer de compreender a linha geracional que a procede. Ao mesmo tempo nasce uma outra América, marginal, excluída, culturalmente deslocada e necessariamente sobrevivente e muito agarrada às suas próprias tradições. No fim, não será por acaso que o grande legado da América tradicional, o famoso Ford Gran Torino, vá parar às mãos do jovem Hmong, simbolizando o passar de um testemunho. Será pois o desejo de renascimento de uma nova América que, tal como a anterior, continuará a ser feita de emigrantes, embora de matriz cultural completamente diferente.

Sunday, 8 March 2009

10 Anos Sem Kubrick


Ontem, dia 7 de Março, decorreram 10 anos sobre a morte de Stanley Kubrick que faleceu escassos dias após ter concluído o seu último filme, “Eyes Wide Shut”. Para os cinéfilos e admiradores em geral, é inevitável a pergunta: como seria o próximo filme de Kubrick? Atendendo ao facto de cada um dos seus últimos filmes ter saído com intervalos de tempo cada vez maiores, 4 anos entre “A Clockwork Orange” e “Barry Lyndon”, 5 anos entre este e “The Shining”, mais 7 anos para “Full Metal Jacket” e mais 12 anos para “Eyes Wide Shut”. O mais provável seria não haver ainda um novo projecto, mas a haver seria diferente, de tudo e de todos, incluindo dele próprio. É esta surpresa e capacidade de reformulação cinematográfica que torna a obra de Kubrick tão singular e, ao mesmo tempo, fascinante. E este fascínio deixa-nos órfãos perante uma miríade de cineastas, alguns dos quais igualmente grandes, mas nenhum suficientemente egocêntrico, obsessivamente meticuloso e louco megalómano à escala do que Kubrick foi, e foi tão grande que vergava os próprios estúdios (Warner) para quem trabalhava (ou talvez fossem os estúdios que trabalhassem com ele). Em qualquer dos casos, Kubrick faz-nos falta e de uma coisa apenas poderemos estar certos: não haverá mais nenhum filme seu.

Monday, 8 December 2008

Sob o Signo de Kubrick


Apologia de um Cineasta por um seu admirador confesso

Se há cineasta e cinema onde a fusão orgância entre imagem e música chega à alquimia pura é precisamente com Stanley Kubrick. O seu visionarismo perfeccionista andou largos anos à frente de toda a gente, de tal forma que algumas das suas obras continuam irrepetíveis. Passados 40 anos, o silêncio do espaço exterior não voltou a ser emulado da forma como Kubrick o fez em “2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968), onde as valsas de Strauss ficaram para sempre ligadas ao bailado das naves em órbita terrestre, e a abertura de “Assim Falou Zaratustra” de Richard Strauss se associa ao nascimento do Homem abençoado por uma estranha tecnologia extraterrestre. As fusões entre electrónicas e música clássica foram outro caldo laboratorial iniciado em “A Laranja Mecânica” (1971) com Wendy Carlos e o inconfundível tema principal, uma adaptação da música de Henry Purcell para as cerimónias fúnebres da Raínha Maria. Uma atmosfera negra e perfeita como retrato de uma sociedade decadente e uma visão pouco complacente da natureza humana que consegue revolver os nossos sentimentos de pernas para o ar. Wendy Carlos haveria ainda de colaborar no filme “The Shinning” (1980), um marco incontornável no género de terror. O piano de György Ligeti é presença constante na existência atormentada do Dr. Harford em “De Olhos Bem Fechados” (1999), e a ambiência da festa privada ficou para sempre materializada na extraordinária composição de Jocelyn Pook “Backwards Priests”. Em “Barry Lyndon” (1975), uma brilhante narrativa cinematográfica e porventura o seu filme mais convencional da fase pós-2001, onde as cenas foram filmadas com luz natural, a ponto de obrigaram à construção de uma câmara com lentes próprias para o efeito, os corpos são muitas vezes animados ao ritmo de um bailado imposto pela banda sonora. E que melhor forma de unir uma comunidade humana sem barreiras senão com uma simples canção, mesmo que cantada em alemão, perante uma plateia de soldados cansados de uma guerra cujas razões no fundo desconhecem, em “Horizontes de Glória” (1957)? A escolha cuidada de uma banda sonora para cinema não é um exclusivo de Kubrick, mas Kubrick levou essa relação a um quase incesto entre duas formas de expressão de tão íntimas que são que imediatamente nos levam a pensar numa delas quando (ou)vimos a outra.


Stanley Kubrick não foi um realizador prolífico porque era um perfeccionista nato, mas cada obra que nos deixou não desdenharia ser considerada entre as maiores na filmografia de qualquer outro ilustre realizador. Desde uma “Lolita” (1962) onde a sugestão e subtileza são infinitamente mais eficazes que um seu remake mais recente de Adrian Lyne, até um “Dr. Estranhoamor” (1964) em que a insanidade militar e política do Mundo em plena Guerra Fria raiam o ridículo e o risível, passando pelo “Nascido Para Matar” (1987) onde a sequência do “sniper” parece ser premonitória do que se passaria, anos mais tarde, na guerra da ex-Jugoslávia. Visionário? Sem dúvida...

Sob o signo de Kubrick, pois! What else?

Sunday, 28 September 2008

Mais um Mito que se Apaga

Dizer que Paul Newman era um mito talvez não lhe faça muita justiça, até porque a sua humildade é contraditória com essa condição, mas para mim representava, a par de Marlon Brando, um dos actores gigantes de uma certa época dourada do cinema que parece completamente perdida da perspectiva de uma Hollywood presentemente mais preocupada com uma produção cinematográfica em massa e imbecilizante. Eu sei que esta notícia está espalhada desde ontem por tudo quanto é blogue, jornais, televisões e sei lá o que mais. O que eu não queria era deixar de juntar uma muito singela homenagem. Sexta-feira dia 26, aos 83 anos, Paul Newman deixou o nosso palco. (Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap!)


Paul Newman (1925-2008)

Friday, 6 June 2008

Um Livro, Um Disco, Um Filme

Entrar em cadeias faz-me sentir preso e eu prezo a minha liberdade, mas em tempos a nossa amiga Rita desafiou a equipa cá da casa para uma destas actividades que acabou por não acontecer. Recentemente, nova investida aconteceu e em face do tema até acho que vale bem a pena dedicarmos um tempo das nossas vidas a eleger um livro, um disco e um filme que, de alguma forma, nos tenha marcado, ainda para mais com o aliciante de ser um português e um internacional. Falarmos sobre os nossos gostos e do que nos marcou é também uma forma de falarmos de nós próprios e de nos darmos a conhecer. Ora aqui vai:

Um Livro

Nacional: “Finisterra” de Carlos de Oliveira. Há poucos livros que tenha lido e que tenha sentido vontade de os voltar a reler no instante seguinte a os ter acabado. Mais raros são aqueles em que isso aconteceu de facto. Este foi um desses casos raros. Nem sequer consigo explicar porquê, mas a leitura deste livro de um autor português muito esquecido é de uma beleza indescritível e é pura poesia romanceada (ou romance poético, como preferirem). Não se explica, lê-se e é urgente passar por ele.

Internacional: “Narciso e Goldmundo” de Hermann Hesse. Uma busca da vida, da beleza e perfeição das coisas. Para sempre há-de ficar retida na minha memória a descrição notável da ressaca após alguém ter a noção consciente de que produziu uma obra-prima. E um confronto de personalidades, algo que já tinha sido explorado em “Ele e o Outro” (“Klein und Wagner”) de forma menos conseguida embora igualmente brilhante.

Um Disco

Nacional: “Coisas do Arco da Velha” da Banda do Casaco. Não foi algo de imediato, mas conheci este disco na altura em que saíu em 1976, e passados estes anos fui-me apercebendo de como um bando de visionários transformou e transfigurou por completo os cânones da música tradicional portuguesa, misturando um manancial de estilos da forma mais imaginativa possível. Olhando para as obras produzidas em solo luso, nada até aos dias de hoje sequer se assemelha ao que a Banda do Casaco conseguiu na época em que reinaram. E pensar que eram conotados como reaccionários de direita é a prova acabada da imbecilidade e provincianismo que, até aos dias de hoje, nos afecta de forma profunda.

Internacional: “The Lamb Lies Down on Broadway” dos Genesis. Estávamos em finais de 1974 e não é propriamente normal que um puto que tinha apenas 9 anos de idade andasse a ouvir coisas deste calibre. Acontece que o irmão de 17 anos ouvia destas coisas e era o modelo a seguir. Ao sexto disco de estúdio, os Genesis gravam a sua obra-prima, um disco ecléctico a piscar o olho à modernidade, com um forte cunho pessoal de Peter Gabriel em consequência do qual acaba por gerar tensões na banda e levar ao seu abandono do grupo no ano seguinte. Antes da despedida, o tour de apresentação do álbum ainda passou pelo Dramático de Cascais, coisa rara na altura ter bandas destas a pisar solo nacional, e é o concerto da minha vida que nunca vi (com 9 aninhos, o que é que eu estava à espera?). Durante anos este disco atormentou-me pela sua estranheza sendo uma obra singular na carreira dos Genesis. Hoje, não tenho dúvidas que o meu gosto musical foi muito influenciado por este disco (e outros também, obviamente), abrindo-me os olhos (e os ouvidos) para as manifestações mais estranhas da música.

Um Filme

Nacional: “Recordações da Casa Amarela” de João César Monteiro. Continuo a achar que é quase uma obra singular no universo cinematográfico português: bem realizada, melhor argumentada e competentemente filmada. Em vez de andarmos com acessos de intelectualismos ou banalidades telenovelescas, ou seja, o 8 e o 80, bem podiam os realizadores aprender a olhar para os clássicos e preocuparem-se em fazer apenas uma coisa: um simples filme!

Internacional: “2001: A Space Odyssey” de Stanley Kubrick. No tempo em que haviam reposições nos cinemas em Lisboa, ver este filme no grande ecrã do Apolo 70 foi uma experiência única. Uma Obra de Arte (assim mesmo, com maiúsculas)! O poder visual e musical, as valsas no espaço, o negro e o silêncio, o Homem e a Máquina, a tecnologia alienígena como instrumento do divino. Uma referência absoluta. Depois deste filme, a ficção científica nunca mais poderia ser a mesma.

Para finalizar, a todos os que resistiram a ler isto até aqui, levam com a maldição de fazerem o mesmo no vosso blogue, sabendo de antemão que se não o fizerem a vossa vida vai caír em desgraça, o Sócrates nunca mais vai saír do governo, os combustíveis irão subir mais 500%, o Santana Lopes é nomeado presidente do PSD porque a Manuela Ferreira Leite vai aceitar um cargo de Provedora dos políticos da 3ª idade, e o país irá mergulhar numa depressão profunda que o vai fazer desligar para sempre do futebol. Por isso, vejam lá o que fazem, está bem?

Thursday, 7 February 2008

Shine a Light










Cinema e música de mãos dadas não é propriamente uma novidade, embora nem sempre venha acompanhado da melhor receita. Vem isto a propósito do recentemente estreado (4 de Fevereiro nos cinemas do Tio Sam, segundo rezavam umas crónicas por aí) filme-documentário de Martin Scorcese sobre os Rolling Stones, de seu título “Shine a Light”. Acima de tudo é uma reunião de dois ícones monumentais em cada uma das expressões artísticas. Scorcese conta-se entre os mais académicos cineastas da actualidade, com uma obra consistente que guarda já presença cativa no panteão dos clássicos futuros. Os Rolling Stones são o exemplo paradigmático dos tubarões da música, aquela espécie altamente eficaz que sobreviveu quase incólume ao agitado desenrolar da história da Terra, a que nem os dinossáurios resistiram, desde os tempos em que por aqui apareceram peixes pela primeira vez. Por cá fala-se que o documentário chegará em Abril, mas esperemos que não seja no dia 1.

E porque o título é tambem o de uma composição dos Spiritualized, quando J. Spaceman (a.k.a . Jason Pierce) decidiu dar corpo a uma banda que em 1992 edita o seu primeiro trabalho, “Lazer Guided Melodies”, a antecipar o magistral “Ladies and Gentlemen we are Floating in Space”, aqui fica em exposição lateral a beleza melancólica e distorcida das guitarras com saxofone dos Spiritualized. Esta é também uma singela homenagem aos vultos que se uniram para fazerem reluzir mais uma luz: Martin Scorcese e os Rolling Stones (Mick Jagger, Ron Wood, Keith Richards, Charlie Watts, Bill Wyman e não esquecendo o malogrado Brian Jones).

Ainda apanhei este clássico:

The Rolling Stones - shine a light


Found at skreemr.com


The Rolling Stones - "Shine a Light", Exile on Main St. (1972)