Friday, 26 October 2007

Quantas Terras Calça o Estimado Cliente?

Na revista Visão desta semana, designada "edição verde", aparece uma referência ao site "Earth Day" onde podemos medir a nossa "Pegada Ecológica". É uma espécie de declaração de IRS Ambiental, a qual deveríamos tornar pública. Pois bem, o responsável cá da tasca calça 2,4 Terras, o que é muito. Há muitas incertezas nesta estimativa, mas não deixa de ser uma boa aproximação às consequências dos nossos actos diários. Por isso, aqui fica o desafio para os Mui Estimados Clientes. Façam o favor de clicar na figura e responder. Depois podem, ou não, publicitar no vosso blogue, site, pasquim, fanzine, whatever...

O resultado do Restaurante:


O do Al Gore (quando recebeu o Oscar):


E agora uma desanca: A mesma revista Visão, que em tempos cortou a sua colaboração com Clara Pinto Correia por esta ter plagiado um texto de um cronista da New Yorker, atreve-se a usar figuras e valores da edição de Setembro Hors Série da revista "Science et Vie" sem qualquer referência à fonte, nas páginas 176 a 182. Haja Vergonha! E nem sequer souberam traduzir "Clathrate" para "Clatratos".


Tuesday, 23 October 2007

A Orquestra Cinemática

Porque me apetece espairecer um bocado, e porque estava a ouvir esta excelente composição que é “All Things to All Men” dos The Cinematic Orchestra e do rapper Roots Manuva, quero partilhar este momento com os estimados clientes. O disco “Every Day” (2002) da banda de Jason Swinscoe continua, para mim, como um dos grandes discos que saíram nesta década, onde o jazz e a electrónica se fundem na perfeição gerando composições sólidas e absorventes, denunciando uma atmosfera musical fresca e um momento de inspiração que é muito procurado, mas raras vezes conseguido pelas bandas. Em 2002, os The Cinematic Orchestra conseguiram esse feito.

Monday, 22 October 2007

As Chaves do Restaurante

Abalançado por uma ideia da estimada cliente Rita já há algum tempo, que por andar a pôr coisas indecentes no blogue dá para ter destas surpresas, embora não seja a única, verifiquei que o uso de linguagem cientificamente decente dá para apanhar algumas coisas curiosas. Deixo aqui algumas das palavras-chave com que os navegantes da net sem GPS usam para chegar a este estabelecimento, não sem antes responder a cada um dos incautos navegantes (mesmo que já por cá tenham passado há vários meses), fornecendo uma espécie de FAQ (Frequently Asked Questions):

“porque os testiculos se mover”
Assim de repente ocorrem-me várias hipóteses, a mais óbvia das quais decorrente de uma actividade física praticada no leito com uma ou mais almas gémeas emitindo gemidos sincopados e repetitivos. A menos que seja algo equivalente ao que algumas pessoas fazem para mexer as orelhas, pelo que o aconselho a consultar o Guiness.

“quanto tempo leva a cover os caracois”
Numa estimativa por baixo, claro está, diria que p’raí uma eternidade.

“mal amanhado”
O quê? Este blogue? Certamente que sim!

“livro de reclamações estabelecimento com restaurante e discoteca”
Belíssima síntese cá do sítio pois damos música, servimos pratos e temos espaço para reclamações. Chegou ao sítio certo. Parabéns!

“reclamação sem fim restaurante”
Reclamações deste tipo não são aceitáveis. Não por mim, claro, mas desconfio que o Blogger não disponibiliza Infinitabytes de espaço em disco para esse fim sem fim.

“explosão no restaurante da univercidade hebraica”
Nunca tivémos cá disso, e também nunca ninguém aqui andou na univercidade.

“alexandra solnado”
*#*&?da-ssse!

“como aplicar a pops em um restaurante?”
Importa-se de repetir?

“adegadochico”
O Google está cada vez mais esperto! Como é que esta merda veio aqui parar?

“ossos”
...do ofício, ter que aturar estas coisas!...

”gemeos previsoes 2007”
Prevejo que devem ser tipos fisicamente muito parecidos, não só em 2007 mas ao longo da sua vida.

“truque do desaparecimento”
Dava jeito! Acaso sabe onde o ensinam?

“quero saber sobre o caso de mortos vivos”
Um gajo apanha cada uma... os últimos que por cá passaram eram polícias que se passearam pelo Estádio Nacional em Setembro, levaram uma multidão de alienados a olhar para os tipos e foram os responsáveis por ter demorado uma hora e meia para chegar a casa, todo rebentado do dia de trabalho. Quais mortos vivos qual quê! Cabrões de merda é o que são!

“pessoas que sabem da existencia dos mortos vivos”
Eu nem sequer quería saber, mas insistem em atravessar-se à minha frente!

“ovnis na idade média”
Qualquer tipo instruído que tivesse vindo de um país civilizado visitar o Portugal salazarista do século passado!

“os impropérios do capitão haddock”
#%#$*#&*» raios e coriscos!

“"um parvo qualquer" portuguesas”
Mais uma pesquisa cuja perspicácia me deixa assombrado! Como é que sabiam que era eu?

“irmãos quark canudos”
Esta já é minha! Se eu um dia formar uma banda, é com este nome.

“a,,,,,,,,m, , ,000”
I’m speechless!

Sunday, 21 October 2007

A Política dos 3 F's

Fátima

Futebol

É Fodido!

Wednesday, 17 October 2007

Personalidade do Mês (Setembro)

Esta rubrica mensal não falha, nem que chovam picaretas! Até que enfim que o futebol ganha uma personalidade com protagonismo, algo que toda a população leitora desta espelunca já estranhava. A falta de inspiração não dá para grandes devaneios prosaicos (mas também não chega a tão baixo), por isso o prémio vai para:

Luis Felipe (não! não é o Menezes... esse já foi) Scolari, seleccionador nacional e praticante do toca-e-foge

Comentário do Comité do Restaurante:

Não se percebe o porquê de tanta polémica sobre um acto que “não foi bem um acto, mas pretendia ser, a modos que quase que foi, mas fica sempre uma certa dúvida, como com os penaltis e os fora de jogo, embora se tenha que analisar todo este processo com tranquilidade” (obrigado, Paulo Bento, pelo seu comentário). O Comité é da opinião que com a nossa mãe não se brinca, e muito menos com os nossos jogadores. Então que raio de merda é esta? Pena que o jogador sérvio se tenha desviado, senão Scolari levava ainda a menção “Suma Cum Laude”. E repararam naquela manobra estratégica de fugir mal a mão passa de raspão na cara do sérvio, não fosse o diabo tecê-las? Não só as selecções portuguesas dão uma clara indicação à comunidade futebolística que connosco não se brinca, como auxiliam o desenvolvimento tecnológico de materiais para a protecção de árbitos (coletes à prova de soco e correntes para prender os cartões ao bolso das camisolas) e certamente agora também de jogadores. Segundo informações obtidas pelo Comité, a FIFA encomendou já um estudo sobre a adopção de capacetes do futebol americano nas suas competições.

Monday, 15 October 2007

Prémios Ig Nobel 2007


Este post vai um bocado atrasado mas o tempo, por muito relativo que seja para o Einstein, é bastante absoluto (e escasso) para mim. Pois bem, no já distante dia 4 deste mês decorreu a entrega dos prémios Ig Nobel, antecipadamente anunciados aí na parede lateral do Restaurante. Uns prémios bem-dispostos, a mostrar que nas áreas científicas nem tudo é enfadonho. Apesar de podermos questionar a oportunidade (e sentido) de alguns dos trabalhos realizados, sempre deveremos ter presente a máxima da organização dos prémios Ig Nobel: “Ciência que primeiro nos faz rir, e depois nos faz pensar”. Acreditem que pior foi mesmo a opção pelo género Gore no elenco da Paz segundo o Board of Directors de Estocolmo.

Para mais detalhes podem consultar o site oficial do Ig Nobel.

MEDICINA: Brian Witcombe de Gloucester, UK, e Dan Meyer of Antioch, Tennessee, USA, pelo seu relatório médico “Os Efeitos Secundários de se Engolirem Espadas”.
Comentário: De facto não estou a ver assim de repente, muito bem, qual é mesmo o problema! Mas sempre estou curioso em perceber a razão do “Por favor, não tentem fazer isto em casa”.

FÍSICA: L. Mahadevan da Harvard University, USA, e Enrique Cerda Villablanca da Universidad de Santiago de Chile, pelo seu estudo sobre o enrugamento das folhas.
Comentário: Fraquito! Fraquito!...

BIOLOGIA: Prof. Dr. Johanna E.M.H. van Bronswijk da Eindhoven University of Technology, The Netherlands, pela execução de um censo sobre todos os ácaros, insectos, aranhas, pseudo-escorpiões, crustáceos, bactérias, algas, fetos e fungos com os quais partilhamos as nossas camas todas as noites.
Comentário: é reconfortante saber que nunca vamos sozinhos para a cama, mas dado que os hábitos de higiene dos tipos do norte da Europa não são lá muito famosos, faltam indicadores como sejam, as vezes em que a roupa da cama é lavada e mudada por semana. O que os holandeses precisam é de uma ASAE.

QUÍMICA: Mayu Yamamoto do International Medical Center of Japan, pelo desenvolvimento de um método para extrair vanilina – do sabor a baunilha – a partir de fezes de vaca.
Comentário: Vai um geladinho de baunilha? E uma bolachinha? Não?!

LINGUÍSTICA: Juan Manuel Toro, Josep B. Trobalon e Núria Sebastián-Gallés, da Universitat de Barcelona, por demonstrarem que os ratos por vezes não conseguem distinguir uma pessoa que esteja a falar Japonês ao contrário de uma que esteja a falar Holandês ao contrário.
Comentário: Nem eu!

LITERATURA: Glenda Browne de Blaxland, Blue Mountains, Australia, pelo seu estudo da palavra "the" e pelos problemas que põe a alguém que queira colocar coisas por ordem alfabética.
Comentário: com um curso de croché isso passa!

PAZ: O Air Force Wright Laboratory, Dayton, Ohio, USA, pela promoção da investigação e desenvolvimento de uma arma química, denominada “Bomba Gay”, a qual produz o efeito de tornar os soldados inimigos sexualmente irresistíveis entre si.
Comentário: Ser soldado nos dias de hoje é fodido! Perfiro dar um tiro em alguém que levar um, com amor, onde menos espero.

NUTRIÇÃO: Brian Wansink da Cornell University, pela pesquisa sobre o apetite infindável dos seres humanos, alimentando-os através de uma tigela de sopa, sem fundo e que é continuamente cheia.
Comentário: Há muitas mais coisas infindáveis nos seres humanos... Einstein, em tempos, apontou uma delas.

ECONOMIA: Kuo Cheng Hsieh, de Taichung, Taiwan, por ter patenteado um aparelho, em 2001, para apanhar ladrões de bancos fazendo caír uma rede sobre os mesmos.
Comentário: De facto! Porque raio é que ninguém ainda tinha pensado nisto?

AVIAÇÃO: Patricia V. Agostino, Santiago A. Plano e Diego A. Golombek da Universidad Nacional de Quilmes, Argentina, pela descoberta que o Viagra ajuda na recuperação do jetlag em hamsters.
Comentário: Senhores executivos, VIP’s e globe trotters em geral! Agora, sempre que chegam a casa acabaram-se as desculpas...

Monday, 1 October 2007

Espanta-Espíritos*

A propósito dos comentários aos resultados das votações da segunda série de álbuns de família da rádio Radar, veio à baila a indiferença para com o disco dos Spiritualized, lançada ironicamente pelo Prometeu, em cujo blog podem apreciar alguns momentos musicais da banda. A propósito disso dei comigo a pensar até que ponto um programa de divulgação como é o “Álbum de Família” tem efectivamente esse papel. Normalmente ouço sempre o programa, quando me é possível, e tomo-o como uma oportunidade para conhecer muito do que não conheço, mas dou comigo a cogitar que o comum dos mortais normalmente só parece dar atenção ao que já conhece e até está pouco receptivo à novidade do que foi feito no passado (basta analisar os resultados das votações). No lote de discos que passaram na primeira série, lembro de ter pegado em grupos como os Go-Betweens, os Depeche Mode ou os My Bloody Valentine e ser levado a descobri-los ou simplesmente redescobri-los. O caso dos Depeche Mode foi claramente uma redescoberta já que os conhecia, e até muito bem, do seu primeiro disco. O suficiente para os arrumar de lado e não lhes ligar pêva daí para a frente. Os outros eram somente referências dispersas.


Os Spiritualized foram, para mim, uns ilustres desconhecidos até que por circunstâncias retorcidas me vêm parar aos ouvidos. Já aqui referi que em 1998 vi o Balanescu Quartet ao vivo, e o impacto dessa actuação foi tão forte que andei uns tempos à procura dos seus discos (coisa difícil na pasmaceira nacional) . Ao fim de um tempo lá consegui uma cópia do “Luminitza”. Como estavam integrados no lote de convidados que antecederam a actuação de David Byrne (embora tenham sido os meus verdadeiros cabeça-de-cartaz), não me foi muito difícil encontrar o disco de Byrne onde o quarteto colaborava. E vai daí, de procura em procura, dou com outra das suas colaborações: “Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space” dos Spiritualized. Ora acontece que obras que me cativam imediatamente da primeira à última nota acabam por predurar na minha adoração durante anos e até agora nenhuma deixou ainda de me encantar. Ainda não há muito tempo, no blog do Puto, dei com uma referência a outros ilustres desconhecidos denominados Swell, que no mesmo ano de 1997 editam um disco de seu nome “Too Many Days Without Thinking”. A espantosa música “Sunshine Everyday” era uma vaga memória sem referência temporal, mas não conseguia fazer qualquer associação com o nome da banda que me dizia tanto quanto o nome do primo afastado do fulano que mora três quarteirões abaixo da minha casa. Depois de ter arranjado recentemente um exemplar do disco afirmo que, não tendo tido um impacto imediato, me rendo à obra extraordinariamente consistente que é, daquelas que sucessivas audições atentas nos levam a gostar cada vez mais do disco. Esta é, também, uma característica rara nos dias de hoje, onde a música se consome com a rapidez com que se fuma um cigarro. Assim, o ano de 1997 que ficou na memória de muitos como o ano de “OK Computer” dos Radiohead (eu incluido), assistiu à nascença de outras obras, mais ou menos esquecidas, das que mostram a necessidade de um bom serviço público de divulgação de música.

E para finalizar, fica em exposição lateral uma peça desse disco espantoso que é “Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space”: “Broken Heart” toca profundamente no nosso íntimo e os arranjos de cordas são da autoria de J. Spaceman, o nome por detrás dos Spiritualized, e Clare Connors, do Balanescu Quartet.

Though I have a broken heart
I'm too busy to be heartbroken
There's a lot of things that need to be done
Lord I have a broken heart


*Espanta-Espíritos é, ao mesmo tempo, uma referência ao nome dos Spiritualized e uma homenagem a António Sérgio, já que representa o nome de uma rubrica do seu programa “Grande Delta” emitido na extinta XFM. E porque é de pessoas como o António Sérgio que necessitamos para nos fazerem descobrir precisamente o que nem fazemos sequer ideia que existe. Quanto aos que acham que António Sérgio é dispensável, o tempo encarregar-se-á de os enterrar nos confins do esquecimento colectivo, pois só perdura na memória quem alimenta os espíritos famintos dos nossos sentidos.

Saturday, 29 September 2007

Dias Vulcânicos

A 27 de Setembro de 1957 entrava em erupção o vulcão dos Capelinhos no extremo oeste da ilha do Faial, nos Açores. A erupção duraria por mais de um ano e a ilha ficou um bocadinho maior. Hoje, passados 50 anos, são visíveis restos de algumas casas e o antigo farol, parcialmente soterrados pela acumulação de cinzas da erupção vulcânica. Parte do que foi acrescentado à ilha foi já objecto de erosão, que nestas coisas o mar não perdoa. Em 2005 percorri esse pedaço de terra, que é o mais jovem pedaço de território nacional que existe, onde a paisagem é ainda estranhamente alienígena, sem vestígios visíveis de algo vivo à superfície. Cinquenta anos não é tempo suficiente para formar um solo, um recurso importantíssimo que o abate de árvores e os incêndios deixa indefeso à delapidação pelos agentes erosivos da Natureza.



Tuesday, 18 September 2007

Alterações Climáticas: Um “Rough Guide” (III)

Depois de algum tempo de pausa, eis-me regressado a este tema. Entretanto, num outro blog, e ainda por causa de Michael Crichton, encetei uma breve discussão sobre este assunto, o que é sempre salutar. Desta vez vamos abordar algumas evidências que nos dão razões para ficarmos preocupados.


As medições do CO2 atmosférico iniciaram-se de forma sistemática nos anos 50 no observatório do Mauna Loa no Havai e desde então mostram que a concentração deste gás tem vindo continuamente a aumentar na atmosfera terrestre. Este gráfico, designado como curva de Keeling (superior), é um clássico onde se observam oscilações em forma de serra dentada devidas à variação do CO2 nos períodos de verão e de inverno em face da maior e menor intensidade da fotossíntese, respectivamente. Como é sabido a fotossíntese redunda num processo que, em última análise, transforma o CO2 absorvido em tecidos vegetais, mas há aqui dois aspectos a considerar: o total de CO2 absorvido na fotossíntese, correspondendo ao que designamos por produção primária bruta, não é todo transformado em carbono orgânico, isto porque na ausência da luz solar, as plantas respiram e libertam CO2 nesse processo. A diferença entre ambas as taxas é que determina, de facto, a quantidade de CO2 fixa em tecidos vegetais, ou seja, a produção primária líquida. Conforme constatamos, a biomassa vegetal (na realidade a grande maioria da biomassa terrestre) é um importante sumidouro de carbono da atmosfera, por isso é que a gestão dos solos, a desmatação e ocupação urbanas têm implicações no equilíbrio do CO2 atmosférico.


A par destas observações, os registos da temperatura média ao longo dos anos também demonstram uma clara subida, por vezes com patamares, como durante os anos 60. Já Svante Arrhenius, o químico sueco prémio Nobel da Química em 1903, previu quantitativamente a capacidade de o CO2 poder actuar como gás de efeito de estufa. Parece lógico que, mantendo todas as outras variáveis constantes, os efeitos da crescente introdução de CO2 na atmosfera por parte das actividades humanas tivessem como resultado esta mesma subida da temperatura. Mas será legítimo estabelecer um paralelismo de causa e efeito entre o CO2 e a subida da temperatura atmosférica? Não completamente. Os factores que influenciam o clima na Terra e a temperatura atmosférica não se esgotam no CO2. Tem sido com base nestes pressupostos que muita da contestação às evidências das alterações climáticas se tem manifestado. A dúvida e o cepticismo são fulcrais em ciência e por isso é importante quem age de forma crítica no campo oposto. O que já não é aceitável são pressões políticas e de outra índole que ambas as partes promovem. Assim, alguma contestação recaíu em problemas efectivos, como a dúvida sobre os métodos de medição das temperaturas. Os críticos argumentavam que essas medições estariam viciadas por serem feitas principalmente próximo de aglomerados urbanos, onde essas mesmas temperaturas serão mais elevadas. Por outro lado, as medições efectuadas por satélites pareciam reforçar isso mesmo uma vez que apresentavam uma diferença sistemática que ninguém conseguia explicar de forma convincente. No entanto, essas discrepâncias foram parcialmente eliminadas e publicadas num relatório de Abril de 2006 pelo US Climate Change Science Program, apresentando uma subida consistente das temperaturas na atmosfera a nível global, restando por explicar apenas as diferenças nas zonas tropicais. Outra vertente da contestação já pega em argumentos que são mais heurísticos, baseando-se apenas em situações particulares que servem de generalizações. Exemplos disso são as evidências do arrefecimento que parece afectar presentemente a Antárctica ou, em termos históricos, a existência de períodos particularmente frios (como na Europa do século XVI) ou particularmente quentes (como no início da Idade Média). O que se questiona é se não estaremos nós a atravessar um período equivalente. Estes pequenos episódios serão apresentados noutro texto, quando falar do clima no passado, mas diremos que honestamente, nada se pode garantir sobre esse assunto. Actualmente, as observações indicam uma consistência entre as várias variáveis em questão, nomeadamente o CO2 e o aumento da temperatura.


Que outros exemplos evidenciam aumento das temperaturas médias globais? A resposta é: retracção da cobertura de gelo no polo Norte; retracção dos glaciares a nível global evidenciada, pelo menos, desde os anos 80; subida da linha de altitude de diversas espécies vegetais em várias regiões do globo; aumento da frequência de tempestades violentas; aumento da temperatura média da superfície do oceano. Que mais será preciso ainda?


Artigos anteriores:

Thursday, 13 September 2007

Personalidade do Mês (Agosto)

Um Agosto que não parece ter dado o verão que todos desejariam, mas que assistiu a mais uma prova que o português só não é um gajo criativo poque lhe faltam meios, porventura financeiros, para se cultivar. Assim, o prémio vai para

Luis Filipe Menezes, presidente da Câmara Municipal de Gaia e eterno candidato à liderança do PSD, por ter escrito um blog sem uma única palavra da sua autoria.

Comentário do Comité do Restaurante:

Um óbvio discípulo de Clara Pinto Correia mas não ao mesmo nível já que Clara Pinto Correia pensava que neste país de parolos ninguém lia a New Yorker, exceptuando mentes esclarecidas como a sua. Já Luis Filipe Menezes mostra a natural limitação dos políticos portugueses, recorrendo à bem mais modesta Wikipédia. É mais um sinal que os políticos possuem salários miseráveis, pois nem uma assinatura da New Yorker conseguem manter. Propõe-se uma campanha de angariação de fundos para oferecer ao premiado a Enciclopédia Luso-Brasileira. Sempre poupa uns trocos a navegar na internet.