Monday, 10 November 2008

A Génese dos Genesis


Hoje, dia 10 de Novembro, os Genesis lançam cá para fora a 3ª e última caixa de uma série que abrange os vários períodos da sua obra e que pretende disponibilizar toda a sua discografia de originais completamente remasterizada. Esta última caixa, e para mim a única apetecida, cobre os anos 1970-1975, tambem conhecidos como os anos Gabriel. A caixa contém 7 SACD (Super Audio CD, que é um formato de alta resolução) e 6 DVD que inclui 5 dos primeiros discos que editaram (o primeiro registo continua de parte até porque os próprios não detém os seus direitos): Trespass (1970), Nursery Cryme (1971), Foxtrot (1972), Selling England By the Pound (1973) e The Lamb Lies Down on Bradway (1974). A verdadeira alma do grupo que me marcou indelevelmente encontra-se toda aqui. A sequência de discos é um crescendo de maturidade que vai formando uma sonoridade e identidade muito própria de uma banda que afirmava não pretender tocar no “Top of the Pops”, o programa da BBC onde as modas musicais se passeavam. Andavam por um género musical entretanto amaldiçoado e hoje algo ignorado, embora tenham contribuido para que a música popular não servisse exclusivamente como veículo dançável pouco dado a pensamentos mais profundos. Quando se fala em algum renascimento do “progressivo”, pontuado por exemplos óbvios como “OK Computer” dos Radiohead, ou menos óbvios como algumas propostas musicais que alguém convencionou chamar de pós-rock, não se deverá esquecer que as raízes estão também aqui, apesar da negação constante da mesma. As propostas musicais não evoluem de forma independente e estanque, e o progressivo foi uma consequência natural do psicadelismo, assim como muitas das novas formas são uma consequência natural do edifício musical que entretanto se foi construindo ao longo de décadas.

Daqui para a frente os Genesis perderam toda a sua consistência e orientação até acabarem numa vulgar banda pop. No entanto, preservaram sempre uma qualidade: qualquer um dos seus elementos é um músico de excepção, e se dúvidas há, oiçam-se precisamente estes registos iniciais. Para finalizar, lembro que o formato SACD disponibilizado é híbrido, ou seja, é compatível com os leitores de CD normais, mas para ouvir em alta resolução é mesmo necessário um leitor SACD (e um bom sistema, também!).

Saturday, 8 November 2008

Doce Tentação

O que leva um gajo como o Rui Reininho desatar agora a desenterrar uma versão de uma música das Doce dos idos anos 80, mais precisamente uma que levaram ao festival da Eurovisão? E o que é que dá numa rádio que é incapaz de passar música que não seja alternativa ou de “bom gosto” segundo o seu critério, passar uma coisa destas? Por acaso até se assistiu recentemente a uma espécie de reacção enxofrada de um colaborador da rádio aparentemente por não ter gostado de uma comparação entre intérpretes, supostamente porque uma é de “bom gosto” e a outra é de “mau gosto”. E é isto que me deixa perplexo neste mundo. Há pessoas que acham que definem o que é “bom gosto” e “mau gosto” com uma facilidade extrema e não aceitam quem pense de forma contrária. Pessoas que gostam de apregoar as suas raízes liberais, alguns laivos de intelectualidade e sentido democrático que depois aplicam uns rabiscos de lápis azul (para os mais novos, era assim que a comissão de censura da ditadura cortava os textos antes de serem publicados) em comentários e opiniões, sejam sérios ou meramente a brincar, porque obviamente são incapazes de conviver com uma diversidade de opiniões ou de sentirem que “o seu mundo idealizado da adolescência” se torna dessacralizado na perspectiva do seu interlocutor. Por mim continuo a achar a música das Doce de um mau gosto terrível, seja cantada por elas, pelo Rui Reininho, ou até mesmo pelo António Victorino D'Almeida. Há quem não concorde comigo? Também não vejo problema nisso, pois cada um é livre de se exprimir como lhe dá na real gana. E se passa na rádio e não gosto, é simples: desligo ou mudo de posto! Pode haver muita música de que não gostava quando era adolescente e que depois de ter crescido passei a ouvir com outra atenção e reflexão, mas garanto que as Doce, Abba e afins não se contam entre essas peças. São tão más agora como o eram há 20-30 anos atrás e de certeza que nunca representaram a minha adolescência.

Friday, 7 November 2008

Obamania


Qual espécie de Beatlemania pós-moderna assiste-se, um pouco por todo lado, ao rejúbilo pela vitória de Barack Hussein Obama na corrida presidencial americana. Cá nestas hostes também se saúda essa vitória, mas confesso uma certa indifereça e baixa expectativa pelas eleições americanas, e esta não foi excepção. Afinal, a dualidade democrata/republicano é bem mais difusa e ambígua que o simples liberal/conservador ao bom estilo europeu, e tenho para mim que os presidentes americanos são, normalmente, um bom exemplo de pragmatismo na governação, e quando toca a comandar o país é tão certo como me chamar Strange Quark que nada é deixado ao acaso ou irá contra os intresses da pátria que se comanda. Obama não será por isso diferente do que espero que ele seja, ou então ainda nos arriscamos a ter um ícone da dimensão de um Kennedy, provavelmente com o mesmo fim trágico. O que me assustou na candidatura opositora foram fundamentalmente as posições perante a ciência e política ambiental. Aqui residem as minhas maiores expectativas relativamente a esta nova administração, e logo veremos se estarão à altura. E aproveito para referir que, em termos de preferências, a minha pessoal recaíu sempre em Obama, mesmo no momento em que lutava contra Hilary Clinton. Contudo, é inegável o momento histórico da eleição, a começar pelo facto de ser o primeiro afro-americano a dirigir os destinos dos americanos. O segundo facto, mais simbólico que outra coisa qualquer, é que neste momento de grande tensão no Médio-Oriente termos um presidente americano que se chama Hussein talvez seja um bom pronuncio sobre a política externa americana e a potencialidade de se promover o apaziguamento da região, algo que foi completamente esquecido pelo macaco que ainda mora na Casa Branca. Finalmente, creio que esta onda de felicidade comum se justifica porque Bush filho terá sido seguramente o presidente mais imbecil da História, deixando um legado desastroso de guerra, ruina financeira e crise económica. E para terminar, deixo o link para a melhor frase de congratulação pela vitória de Obama.

Wednesday, 29 October 2008

O CNE Ataca de Novo!

Em tempos ouve um ministro que viu o oásis em Portugal, e mais ressentemente até à um que plantou um deserto na margem çul. E agora tenho para mim que no Ministério da Educassão andam a ter mirajens. O estado da Educassão em Portugal está ao seu melhor nível. Os resultados dos ezames nacionais melhoraram este ano de uma forma expantóza. Até para mim é um mistério que os paises estranjeiros não venham cá estudar os progressos atingidos pelo governo. Agora é o grupo de terroristas armados do CNE que vem apreguar que os alunos nem sequer devem xumbar até aos 12 anos. Axo que esta proposta vem terminar com uma injustissa medônha pois eu próprio fui vítima de perseguissões sistematicas por parte dos profs de português que me xumbaram durante 20 anos concecutivos (sem nunca me esplicarem porquê). Oje tenho pendurado na parede o meu diploma da Independente em Estudos Portugueses que é para eu um dia exfregar nas trombas dos meus profs e mustrarlhes que consegui aquilo que me diceram que nunca conseguia (ou conceguiria, já não sei bem...). E digo ainda mais que se deve levar a proposta mais lonje e acabar de vês com os xumbos, desde a primaria até ao doutouramento, que eu acim posso ter uma xances de arranjar um também (o raio é que já fexaram a Independente). Por isso mesmo tambem axo que os terroristas do CNE devem propor o saneamento dos profs competentes, pois se estes se mantém nas escolas são uma ameassa para os terroristas do CNE que voltem para eças escolas quando o taxo se acabar. E por favor não se esquessão de mim, tá bem? Eu até tomava café com o Sócrates lá na Independente, do tipo assim a duas mesas de distancia, mas lá que tomava, tomava!

Tuesday, 28 October 2008

O (h)OMO (sapiens) Lava Mais Branco

Passe a leve referência publicitária no título, esta fotografia tem tanto de belo como de assustador, embora esta última característica esteja oculta ao leitor não informado. E é para isso que aqui estamos: esclarecer! A fotografia, retirada hoje do site do Público, representa corais da Grande Barreira Australiana descoloridos devido a um fenómeno conhecido como “coral bleaching”. A descoloração dos corais deve-se à morte dos organismos simbióticos que com eles vivem, normalmente algas fotossintéticas, que por sua vez resulta de dois factores principais: 1. modificação da temperatura das águas do oceano, nomeadamente aquecimento; 2. acidificação dos oceanos, devido ao aumento do CO2 atmosférico que não é mais que um ácido (embora fraco, não deixa de o ser). As conclusões são desnecessárias. Cada um tire as suas!


Fotografia: Ove Hoegh-Guldberg/ cedida à Reuters pelo Centro de Estudos Marinhos da Universidade de Queensland.

Tuesday, 14 October 2008

Deixem-me Trabalhar!


Pois é! A partir de dia 20 de Outubro, Ringo Starr, o Beatle Mono, vai deixar de dar autógrafos e receber correspondência dos fans. Meus amigos, tenham lá paciência e compreensão para com o homem, que o tipo está numa idade que já nem duas seguidas consegue dar num ano. Aliás, a equipa cá da casa conseguiu por artes travessas uma cópia de um registo audio do Ringo num momento de verdadeiro desespero pela situação que o levou a colocar um vídeo na inetrnet.

(Avisa-se que as palavras que se seguem podem ferir gravemente a sensibilidade dos leitores mais impressionáveis)

(Ruido branco) (voz de Ringo Starr) “...não há pachorra, pá! Foda-se! Cabrões de fans sempre a pedinchar estas merdas... estou farto, pá! Vão todos pró caralho! À custa desta merda já estou com uma tendinite na mão, o pulso fodido de pegar na caneta, já nem toco bateria decentemente....” (outra voz) “...mas tu nunca tocaste bateria decentemente. E vê lá se te acalmas que o pessoal já aqui está para gravar a tua declaração.” (voz de Ringo Starr) “Manda esses gajos pró caralho também! Mal entraram houve logo um que me pediu para assinar a merda do microfone. Deixem-me trabalhar! Não tenho tempo para estas merdas.” (outra voz) “Foda-se! O gravador está ligado. Desliga-me essa merda, pá!...” (Ruido branco)

Paz e Amor, meu!

Sunday, 12 October 2008

Dedicatória ao Grupo Parlamentar do PS

Ainda há poucas semanas trouxe aqui a Tom Robinson Band (TRB), e agora deixo duas peças musicais desse contundente grupo, mais politizado que os The Clash.

TRB - EP Rising Free (1978)

TRB - Power in the Darkness (1978)

Darkhaired dangerous schoolkids
Vicious, suspicious sixteen
Jet-black blazers at the bus stop
Sullen, unhealthy and mean
Teenage guerillas on the tarmac
Fighting in the middle of the road
Supercharged FS1Es on the asphalt
The kids are coming in from the cold

Look out, listen can you hear it
Panic in the County Hall
Look out, listen can you hear it
Whitehall (got us) up against a wall
Up against the wall...

High wire fencing on the playground
High rise housing all around
High rise prices on the high street
High time to pull it all down
White boys kicking in a window
Straight girls watching where they gone
Never trust a copper in a crime car
Just whose side are you on?

Look out, listen can you hear it
Panic in the County Hall
Look out, listen can you hear it
Whitehall (got us) up against a wall
Up against the wall...

Consternation in Brixton
Rioting in Notting Hill Gate
Fascists marching on the high street
Carving up the welfare state
Operator get me the hotline
Father can you hear me at all?
Telephone kiosk out of order
Spraycan writing on the wall

Look out, listen can you hear it
Panic in the County Hall
Look out, listen can you hear it
Whitehall got us up against a wall
Up against the wall...

Saturday, 11 October 2008

Que Pague a Crise Quem a Criou!


Nem mais! E na sequência do que já aqui havíamos mencionado, esta fotografia faz-nos sentir que afinal não seremos todos otários.


Fotografia: Luke MacGregor/Reuters in Público.

Thursday, 9 October 2008

O Nobel da Física 2008


Não é que tencione dar uma notícia que já muita gente sabe, nem explicar grandemente a razão do Prémio Nobel da Física em 2008, coisa que aliás nem sequer consigo fazer como deve de ser. Acontece que este ano os laureados, Makoto Kobayashi, Toshihide Maskawa e Yoichiro Nambu descobriram o fenómeno de quebra espontânea da simetria no mundo das partículas subatómicas bem como a origem dessa quebra de simetria a qual permitui prever a existência de pelo menos 3 famílias de quarks. Ora, caros leitores, estão a ver a razão do nosso contentamento. Um Nobel que celebra a existência do nosso alter-ego que aqui se dá ao trabalho de vir rabiscar umas palavritas sobre assuntos vários que ora deambulam pela ciência, ora pela música, ora pela boa disposição, ora pela política e opinião, é algo para comemorar.

Não foi na altura em que estes ilustres cientistas descobriram esta quebra de simetria que o termo quark nasceu. Esse baptismo veio do trabalho de outro físico que formulou um esquema de classificação para os hadrões de que resulta o modelo dos quarks, trabalho que conjuntamente com a matemática que confere ao modelo um carácter predictivo lhe valeu o Prémio Nobel da Física em 1969, Murray Gell-Mann. Para o efeito, Gell-Mann queria uma palavra que imitasse o som dos patos (digam lá que os cientistas não têm espírito e capacidade para bricarem com o que estudam...) até que se deparou com a palavra quark no poema Finnegans Wake de James Joyce, o qual reza assim (isto vem repetido vezes sem conta em inúmeros livros de divulgação):

Three quarks for Muster Mark!
Sure he has not got much of a bark
And sure any he has it's all beside the mark.

E assim, caros leitores, ficam a conhecer um pouco sobre a origem do meu misterioso nome... A estranheza é mesmo um “sabor” quântico.

Sunday, 5 October 2008

Velha p'ra Caraças!

É o que uma rocha encontrada num afloramento no Quebeque, Canada, é após ter sido medida a razão dos isótopos de neodímio e samário pela equipa de Jonathan O'Neil da Universidade de McGill em Montreal. O grupo de rochas a que este afloramento faz parte já havia sido datado como tendo 3,8 mil milhões de anos usando um mineral muito útil para o efeito: o zircão, que é um silicato de zircónio extraordinariamente resistente à alteração. Acontece que a rocha agora datada não continha zircões pelo que os investigadores tiveram de usar outro método. E a bonita idade do exemplar? Uns singelos 4,28 mil milhões de anos, quebrando em 250 milhões de anos o anterior recorde. Atendendo a que a nossa visão da Terra primitiva é tão boa quanto a de um objecto a 2 km de distância numa noite de nevoeiro cerrado, este resultado demonstra que a diferenciação de uma crosta sólida terá ocorrido cedo na história do planeta que já leva uns respeitáveis 4,6 mil milhões de anos.

O trabalho científico foi publicado há pouco mais de uma semana na revista Science.