Wednesday, 26 December 2007

Personalidade do Mês (Novembro)

Como aqui apenas elegemos as personalidades relevantes do mês depois de o mesmo ter acabado (embora já tenha decorrido quase um mês), aproveitamos o espírito da quadra que ora passa para agraciar com o nosso prestigiado prémio o justíssimo vencedor, que é:

Hugo Chávez, Presidente da Venezuela, que conseguiu reduzir a cinzas a pose de estado do Rei de Espanha.

Comentário do Comité do Restaurante:

Convenhamos que deve ser extraordinariamente difícil fazer com que o Rei de Espanha perca a compostura e mande calar alguém numa sessão de chefes de estado. Apenas receamos que tal intervenção tenha consequências e venha no futuro a inibir Chávez de discursar durante horas e horas a fio ao bom estilo Fidel Castro o que, bem vistas as coisas, parece-nos um bom calvário para os participantes das cimeiras Ibero-Americanas. Na dita cimeira, apenas faltou um toque de charme com actividades de palco similares às que ocorrem nos momentos controversos dos jogos de futebol sul-americanos.

CampanhaCérebros para a Madeira”:
Gabriel Drummond, deputado do PSD Madeira defendeu a independência do arquipélago caso a revisão constitucional para 2009 não acolha as propostas do parlamento regional para o aumento das suas competências legislativas. O referido deputado terá afirmado “A minha atitude pessoal, e vou convencer outras pessoas, é declararmos unilateralmente a independência na Assembleia Legislativa da Madeira”.

Wednesday, 19 December 2007

Sócrates e Salazar

Descubra as diferenças (entre outras que vêm enchendo os noticiários há longa data):

“É verdade, sou um provinciano” confessou Sócrates ao Libération – Título no DN de 18 de Dezembro de 2007.

Thursday, 22 November 2007

Uma Pausa Kitty Cat!

enquanto não vêm outras coisas...

Tuesday, 20 November 2007

Personalidade do Mês (Outubro)

Isto é um pouco a dar para o breve, porque a inspiração não dá para mais, mas esta rubrica não pode falhar no estabelecimento! E aqui vai o digníssimo nomeado:

Jardim Gonçalves, presidente do BCP que obviamente não se preocupa com questões menores de clientes que, de repente, até nem pensam liquidar qualquer coisa como 12 milhões de euros de dívida ao banco que dirige, mesmo sendo esse cliente um filho seu.

Comentário do Comité do Restaurante:

Se Pedro, no momento em que apanharam Cristo, renegou-o insistentemente por três vezes, sejamos honestos que com 12 milhões de euros em jogo, até renegávamos a nossa mãe e jurávamos a pés juntos que havíamos nascido de geração espontânea. E para quem duvide da devoção cristã do nomeado, convém lembrar que não se conhece nenhum padre que tenha reconhecido, até hoje, um dos muitos filhos bastardos perdidos no tempo histórico e que nasceram das muitas incontinências sexuais dos sacerdotes. A vida recente mais agitada do BCP conjugada com uma tremenda falta de tacto levaram Jardim Gonçalves a suportar o calvário e desembolsar os 12 milhões, mas de consolação o Comité oferece-lhe este prémio. Uma achega: se o BCP achar por bem acolher o papel de mecenas e avançar com um valor monetário para o prémio, a gerência agradece. É que 12 milhões vinham mesmo a calhar agora! Posso? Hein?! Então? O que acham? Hein!?.... Não?!.... pois.... claro, claro!... a crise e tal... mais o preço do petróleo... a vida está difícil para todos.... com certeza!.... ora essa.... pedir não custa, não é?... está alguém do outro lado?.... Hellooo!....

Thursday, 15 November 2007

I’m Loosing Control…

…of my life!

Mas como hoje ocorre a estreia nacional do filme "Control", aqui fica uma singela homenagem a uma das mais importantes bandas da música pop/rock, nascida no crepúsculo dos 70s, da Factory Records.


Este foi o single que trouxe de Inglaterra quando lá fui pela primeira vez... e em baixo está a música dos Joy Division de que mais gosto:



com o vídeo e tudo...

Thursday, 1 November 2007

Melancolia


Este post aqui fez-me recordar uma banda de que gostei imenso mas de quem, por razões que me escapam completamente, nunca comprei um único disco. Talvez porque na altura se contavam os trocos, o belíssimo disco “LC” dos The Durutti Column era uma audição regular por empréstimo de um amigo. Os The Durutti Column são o alter ego de Vini Reilly e eram mais uns dignos representantes da fornada criativa da Factory Records dos finais de 70, início de 80. Para além deste “LC” de 1981 viriam a editar também um EP com o título “Amigos em Portugal” pela etiqueta Fundação Atlântica em 1983, da qual tenho primeiro disco dos Sétima Legião. Depois disso, fui abandonando o seu percurso, mas ao que parece, Vini Reilly mantém a chama dos The Durutti Column viva, dando concertos com alguma regularidade. A sua discografia, espartilhada por uma multitude de etiquetas independentes, está em grande parte inacessível, o que só me deixa mais amargurado pela indesculpável forretice de há 26 anos não me ter dado para sacrificar outro disco bem mais dispensável que este. Para além deste tema que aqui é apresentado, “Never Known”, adorava também “Sketch for Dawn” do mesmo álbum “LC”, que de tanto passar deixou a fita da cassete mais que gasta. Guitarra melancólica, a sugerir uma atmosfera de introspecção, com uma voz susurrada e etérea como que a conter uma dor que não se quer deixar sair. Triste, mas muito bonito.

Monday, 29 October 2007

Mas Afinal a Música Serve Para Quê?


Vem isto a propósito das comemorações dos 30 anos sobre a edição do álbum “Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols” dos Sex Pistols. Por muitos considerado a “pedrada no charco” (eventualmente noutros sítios também), é um dos marcos fundadores do movimento punk em Inglaterra. Alguns dos frequentadores cá da tasca até sabem que gosto de bandas de rock do movimento progressivo do início dos anos 70 e o punk é muitas vezes apontado como a contra-corrente que devolve o rock às massas, de onde vilmente os progressitas o tinham retirado. Confesso já não ter paciência para esta discussão, mas ainda se lêm peças jornalísticas, como esta escrita por Vítor Belanciano, no Público de 28 de Outubro de 2007:

Se a música fosse apenas música, talvez nem nos lembrássemos deles. Os Beatles tiveram mais fãs a puxar pelos cabelos. Os Rolling Stones estão aí para ganhar o prémio de longevidade. Os Doors não eram verdadeiramente um grupo, eram Jim Morrison. Os Velvet Underground tinham pinta, mas apenas para uma imensa minoria. Dos Pink Floyd é difícil perceber o fascínio.

Estão a perceber o fascínio que me causa a última frase. Pode questionar-se até que ponto uma peça jornalística é apenas isso, ou seja, tendo o propósito de dar informação objectiva, ou mais do que isso, sendo também uma corrente de opinião pessoal. Não vale a pena discutir sobre este assunto, porque sinceramente me estou nas tintas para a opinião do Vítor Belanciano, mas sinto desconforto com esta posição sobranceira de “incompreensão” para com quem ache fascinante ouvir e (cruzes canhoto!) gostar de Pink Floyd. Pessoalmente, eu também acho “incompreensível” o fascínio pela Madonna, mas a partir de uma certa altura um gajo cresce, é mais maduro, e começa a sorrir complacentemente com as afirmações de quem parece ainda espremer borbulhas ao espelho da casa de banho. Mas a seguir, surpresa:

Mas porque a música não é apenas música, estando ligada à maneira de os indivíduos pensarem, agirem e viverem, sendo uma das formas mais antigas de atribuir identidade, associada em certos períodos com movimentos sociais e políticos e com formas alternativas de experimentar o mundo, os Sex Pistols são um dos grupos mais importantes de sempre da história da música popular.

Ora aí está, meu caro Vítor! A música não é apenas música, assim como a literatura não são só romances de cordel, há os que pensam que a música pode também ser muito mais que um simples grito de revolta, por muito urgente que ele seja, ou meia dúzia de acordes tocados à pressa em menos de 3 minutos por quem não distingue uma pauta de música do papel de embrulho da mercearia. Como cada um de nós, age, pensa e vive de forma diferente, é natural que exprima essa atitude na música que faz de forma igualmente diferente. O que não é compreensível aqui é que nos sintamos surpresos por uma significativa maioria não pensar exactamente como nós. E com isto não retiro nenhuma das virtudes e importância ao único álbum dos Sex Pistols, bem pelo contrário. A música vale precisamente pela multiplicidade de formas de expressão, qual caldeirão étnico onde o mundo pode ser visto com cores diferentes. É que já tenho a barba rija e rezo para que não me apareçam borbulhas, que estas com a idade arriscam-se a já não desaparecerem.

Mas agora analisemos os resultados de alguma desta revolta urgente e súbita na altura, passados estes anos, ainda nas palavras de Vítor Belanciano:

Entretanto, os quatro sobreviventes, o cantor John Lydon, o baixista Glen Matlock, o guitarrista Steve Jones e o baterista Paul Cook - Sid Vicious, que também integrou a banda, faleceu em 1979 -, vão reagrupar-se para uma série de cinco concertos.

Eh lá! Então estes gajos, que foram o mais contra-sistema que a Inglaterra viu nascer na música popular nos últimos anos, vão na conversa de apoiar uma iniciativa para engordar os cofres das multinacionais da música com as vendas de mais uma catrefada de discos, mais a reedição dos singles, já para não falar dos concertos?

Em 1976, as taxas de desemprego eram as maiores de sempre desde a II Guerra Mundial e o Governo conservador de Margaret Thatcher era contestado por aqueles que não conseguiam imaginar o futuro. A utopia hippie finava-se. Os ideais contraculturais eram a nova norma. Aos baby-boomers que haviam tentado mudar o mundo e aspiravam à "paz e amor" respondiam os Pistols com No future, expressando impotência e cólera, numa atitude niilista, contra a sociedade, contra o panorama rock da época, contra tudo.

Pois... mas passados estes anos, mais parece aquela cena de ver o Durão Barroso, estudante de Direito em pleno PREC, com discursos inflamados, a exigir que pendurassem todos os capitalistas pelos tomates (ou seja, os “bollocks” dos ditos), hoje como o insigne presidente da Comissão Europeia.

...o jornalista e escritor francês Benoit Sabater resume a acção do grupo: "Eles não queriam reconstruir nada. Apenas criar situações caóticas, de forma esteticamente relevante, nas ruas ou em palco. A sua música criou uma nova dinâmica, mas também as capas, o visual, os corpos abandonados, as suas declarações. As situações criadas por eles não pretendiam gerar um mundo mais fraterno, mas sim mostrar que tudo era simulacro. Era necessária uma inversão de valores. Fazer tábua rasa de tudo. Tudo."

Acho notável que, passados estes anos, mais velhos e maduros (supõe-se, ou talvez não) não consigam perceber que o simulacro não só se mantém como também fazem parte dele, porventura mais amplo que há 30 anos atrás, e mais invisível. Revolução, precisa-se! Deixem ficar o “Never Mind the Bollocks” que até nem faz mal às mentes, mas apagem-me é estes gajos que já estão vendidos ao sistema!

Friday, 26 October 2007

Quantas Terras Calça o Estimado Cliente?

Na revista Visão desta semana, designada "edição verde", aparece uma referência ao site "Earth Day" onde podemos medir a nossa "Pegada Ecológica". É uma espécie de declaração de IRS Ambiental, a qual deveríamos tornar pública. Pois bem, o responsável cá da tasca calça 2,4 Terras, o que é muito. Há muitas incertezas nesta estimativa, mas não deixa de ser uma boa aproximação às consequências dos nossos actos diários. Por isso, aqui fica o desafio para os Mui Estimados Clientes. Façam o favor de clicar na figura e responder. Depois podem, ou não, publicitar no vosso blogue, site, pasquim, fanzine, whatever...

O resultado do Restaurante:


O do Al Gore (quando recebeu o Oscar):


E agora uma desanca: A mesma revista Visão, que em tempos cortou a sua colaboração com Clara Pinto Correia por esta ter plagiado um texto de um cronista da New Yorker, atreve-se a usar figuras e valores da edição de Setembro Hors Série da revista "Science et Vie" sem qualquer referência à fonte, nas páginas 176 a 182. Haja Vergonha! E nem sequer souberam traduzir "Clathrate" para "Clatratos".


Tuesday, 23 October 2007

A Orquestra Cinemática

Porque me apetece espairecer um bocado, e porque estava a ouvir esta excelente composição que é “All Things to All Men” dos The Cinematic Orchestra e do rapper Roots Manuva, quero partilhar este momento com os estimados clientes. O disco “Every Day” (2002) da banda de Jason Swinscoe continua, para mim, como um dos grandes discos que saíram nesta década, onde o jazz e a electrónica se fundem na perfeição gerando composições sólidas e absorventes, denunciando uma atmosfera musical fresca e um momento de inspiração que é muito procurado, mas raras vezes conseguido pelas bandas. Em 2002, os The Cinematic Orchestra conseguiram esse feito.

Monday, 22 October 2007

As Chaves do Restaurante

Abalançado por uma ideia da estimada cliente Rita já há algum tempo, que por andar a pôr coisas indecentes no blogue dá para ter destas surpresas, embora não seja a única, verifiquei que o uso de linguagem cientificamente decente dá para apanhar algumas coisas curiosas. Deixo aqui algumas das palavras-chave com que os navegantes da net sem GPS usam para chegar a este estabelecimento, não sem antes responder a cada um dos incautos navegantes (mesmo que já por cá tenham passado há vários meses), fornecendo uma espécie de FAQ (Frequently Asked Questions):

porque os testiculos se mover
Assim de repente ocorrem-me várias hipóteses, a mais óbvia das quais decorrente de uma actividade física praticada no leito com uma ou mais almas gémeas emitindo gemidos sincopados e repetitivos. A menos que seja algo equivalente ao que algumas pessoas fazem para mexer as orelhas, pelo que o aconselho a consultar o Guiness.

quanto tempo leva a cover os caracois
Numa estimativa por baixo, claro está, diria que p’raí uma eternidade.

mal amanhado
O quê? Este blogue? Certamente que sim!

livro de reclamações estabelecimento com restaurante e discoteca
Belíssima síntese cá do sítio pois damos música, servimos pratos e temos espaço para reclamações. Chegou ao sítio certo. Parabéns!

reclamação sem fim restaurante
Reclamações deste tipo não são aceitáveis. Não por mim, claro, mas desconfio que o Blogger não disponibiliza Infinitabytes de espaço em disco para esse fim sem fim.

explosão no restaurante da univercidade hebraica
Nunca tivémos cá disso, e também nunca ninguém aqui andou na univercidade.

alexandra solnado
*#*&?da-ssse!

como aplicar a pops em um restaurante?
Importa-se de repetir?

adegadochico
O Google está cada vez mais esperto! Como é que esta merda veio aqui parar?

ossos
...do ofício, ter que aturar estas coisas!...

gemeos previsoes 2007
Prevejo que devem ser tipos fisicamente muito parecidos, não só em 2007 mas ao longo da sua vida.

truque do desaparecimento
Dava jeito! Acaso sabe onde o ensinam?

quero saber sobre o caso de mortos vivos
Um gajo apanha cada uma... os últimos que por cá passaram eram polícias que se passearam pelo Estádio Nacional em Setembro, levaram uma multidão de alienados a olhar para os tipos e foram os responsáveis por ter demorado uma hora e meia para chegar a casa, todo rebentado do dia de trabalho. Quais mortos vivos qual quê! Cabrões de merda é o que são!

pessoas que sabem da existencia dos mortos vivos
Eu nem sequer quería saber, mas insistem em atravessar-se à minha frente!

ovnis na idade média
Qualquer tipo instruído que tivesse vindo de um país civilizado visitar o Portugal salazarista do século passado!

os impropérios do capitão haddock
#%#$*#&*» raios e coriscos!

"um parvo qualquer" portuguesas
Mais uma pesquisa cuja perspicácia me deixa assombrado! Como é que sabiam que era eu?

irmãos quark canudos
Esta já é minha! Se eu um dia formar uma banda, é com este nome.

a,,,,,,,,m, , ,000
I’m speechless!

Sunday, 21 October 2007

A Política dos 3 F's

Fátima

Futebol

É Fodido!

Wednesday, 17 October 2007

Personalidade do Mês (Setembro)

Esta rubrica mensal não falha, nem que chovam picaretas! Até que enfim que o futebol ganha uma personalidade com protagonismo, algo que toda a população leitora desta espelunca já estranhava. A falta de inspiração não dá para grandes devaneios prosaicos (mas também não chega a tão baixo), por isso o prémio vai para:

Luis Felipe (não! não é o Menezes... esse já foi) Scolari, seleccionador nacional e praticante do toca-e-foge

Comentário do Comité do Restaurante:

Não se percebe o porquê de tanta polémica sobre um acto que “não foi bem um acto, mas pretendia ser, a modos que quase que foi, mas fica sempre uma certa dúvida, como com os penaltis e os fora de jogo, embora se tenha que analisar todo este processo com tranquilidade” (obrigado, Paulo Bento, pelo seu comentário). O Comité é da opinião que com a nossa mãe não se brinca, e muito menos com os nossos jogadores. Então que raio de merda é esta? Pena que o jogador sérvio se tenha desviado, senão Scolari levava ainda a menção “Suma Cum Laude”. E repararam naquela manobra estratégica de fugir mal a mão passa de raspão na cara do sérvio, não fosse o diabo tecê-las? Não só as selecções portuguesas dão uma clara indicação à comunidade futebolística que connosco não se brinca, como auxiliam o desenvolvimento tecnológico de materiais para a protecção de árbitos (coletes à prova de soco e correntes para prender os cartões ao bolso das camisolas) e certamente agora também de jogadores. Segundo informações obtidas pelo Comité, a FIFA encomendou já um estudo sobre a adopção de capacetes do futebol americano nas suas competições.

Monday, 15 October 2007

Prémios Ig Nobel 2007


Este post vai um bocado atrasado mas o tempo, por muito relativo que seja para o Einstein, é bastante absoluto (e escasso) para mim. Pois bem, no já distante dia 4 deste mês decorreu a entrega dos prémios Ig Nobel, antecipadamente anunciados aí na parede lateral do Restaurante. Uns prémios bem-dispostos, a mostrar que nas áreas científicas nem tudo é enfadonho. Apesar de podermos questionar a oportunidade (e sentido) de alguns dos trabalhos realizados, sempre deveremos ter presente a máxima da organização dos prémios Ig Nobel: “Ciência que primeiro nos faz rir, e depois nos faz pensar”. Acreditem que pior foi mesmo a opção pelo género Gore no elenco da Paz segundo o Board of Directors de Estocolmo.

Para mais detalhes podem consultar o site oficial do Ig Nobel.

MEDICINA: Brian Witcombe de Gloucester, UK, e Dan Meyer of Antioch, Tennessee, USA, pelo seu relatório médico “Os Efeitos Secundários de se Engolirem Espadas”.
Comentário: De facto não estou a ver assim de repente, muito bem, qual é mesmo o problema! Mas sempre estou curioso em perceber a razão do “Por favor, não tentem fazer isto em casa”.

FÍSICA: L. Mahadevan da Harvard University, USA, e Enrique Cerda Villablanca da Universidad de Santiago de Chile, pelo seu estudo sobre o enrugamento das folhas.
Comentário: Fraquito! Fraquito!...

BIOLOGIA: Prof. Dr. Johanna E.M.H. van Bronswijk da Eindhoven University of Technology, The Netherlands, pela execução de um censo sobre todos os ácaros, insectos, aranhas, pseudo-escorpiões, crustáceos, bactérias, algas, fetos e fungos com os quais partilhamos as nossas camas todas as noites.
Comentário: é reconfortante saber que nunca vamos sozinhos para a cama, mas dado que os hábitos de higiene dos tipos do norte da Europa não são lá muito famosos, faltam indicadores como sejam, as vezes em que a roupa da cama é lavada e mudada por semana. O que os holandeses precisam é de uma ASAE.

QUÍMICA: Mayu Yamamoto do International Medical Center of Japan, pelo desenvolvimento de um método para extrair vanilina – do sabor a baunilha – a partir de fezes de vaca.
Comentário: Vai um geladinho de baunilha? E uma bolachinha? Não?!

LINGUÍSTICA: Juan Manuel Toro, Josep B. Trobalon e Núria Sebastián-Gallés, da Universitat de Barcelona, por demonstrarem que os ratos por vezes não conseguem distinguir uma pessoa que esteja a falar Japonês ao contrário de uma que esteja a falar Holandês ao contrário.
Comentário: Nem eu!

LITERATURA: Glenda Browne de Blaxland, Blue Mountains, Australia, pelo seu estudo da palavra "the" e pelos problemas que põe a alguém que queira colocar coisas por ordem alfabética.
Comentário: com um curso de croché isso passa!

PAZ: O Air Force Wright Laboratory, Dayton, Ohio, USA, pela promoção da investigação e desenvolvimento de uma arma química, denominada “Bomba Gay”, a qual produz o efeito de tornar os soldados inimigos sexualmente irresistíveis entre si.
Comentário: Ser soldado nos dias de hoje é fodido! Perfiro dar um tiro em alguém que levar um, com amor, onde menos espero.

NUTRIÇÃO: Brian Wansink da Cornell University, pela pesquisa sobre o apetite infindável dos seres humanos, alimentando-os através de uma tigela de sopa, sem fundo e que é continuamente cheia.
Comentário: Há muitas mais coisas infindáveis nos seres humanos... Einstein, em tempos, apontou uma delas.

ECONOMIA: Kuo Cheng Hsieh, de Taichung, Taiwan, por ter patenteado um aparelho, em 2001, para apanhar ladrões de bancos fazendo caír uma rede sobre os mesmos.
Comentário: De facto! Porque raio é que ninguém ainda tinha pensado nisto?

AVIAÇÃO: Patricia V. Agostino, Santiago A. Plano e Diego A. Golombek da Universidad Nacional de Quilmes, Argentina, pela descoberta que o Viagra ajuda na recuperação do jetlag em hamsters.
Comentário: Senhores executivos, VIP’s e globe trotters em geral! Agora, sempre que chegam a casa acabaram-se as desculpas...

Monday, 1 October 2007

Espanta-Espíritos*

A propósito dos comentários aos resultados das votações da segunda série de álbuns de família da rádio Radar, veio à baila a indiferença para com o disco dos Spiritualized, lançada ironicamente pelo Prometeu, em cujo blog podem apreciar alguns momentos musicais da banda. A propósito disso dei comigo a pensar até que ponto um programa de divulgação como é o “Álbum de Família” tem efectivamente esse papel. Normalmente ouço sempre o programa, quando me é possível, e tomo-o como uma oportunidade para conhecer muito do que não conheço, mas dou comigo a cogitar que o comum dos mortais normalmente só parece dar atenção ao que já conhece e até está pouco receptivo à novidade do que foi feito no passado (basta analisar os resultados das votações). No lote de discos que passaram na primeira série, lembro de ter pegado em grupos como os Go-Betweens, os Depeche Mode ou os My Bloody Valentine e ser levado a descobri-los ou simplesmente redescobri-los. O caso dos Depeche Mode foi claramente uma redescoberta já que os conhecia, e até muito bem, do seu primeiro disco. O suficiente para os arrumar de lado e não lhes ligar pêva daí para a frente. Os outros eram somente referências dispersas.


Os Spiritualized foram, para mim, uns ilustres desconhecidos até que por circunstâncias retorcidas me vêm parar aos ouvidos. Já aqui referi que em 1998 vi o Balanescu Quartet ao vivo, e o impacto dessa actuação foi tão forte que andei uns tempos à procura dos seus discos (coisa difícil na pasmaceira nacional) . Ao fim de um tempo lá consegui uma cópia do “Luminitza”. Como estavam integrados no lote de convidados que antecederam a actuação de David Byrne (embora tenham sido os meus verdadeiros cabeça-de-cartaz), não me foi muito difícil encontrar o disco de Byrne onde o quarteto colaborava. E vai daí, de procura em procura, dou com outra das suas colaborações: “Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space” dos Spiritualized. Ora acontece que obras que me cativam imediatamente da primeira à última nota acabam por predurar na minha adoração durante anos e até agora nenhuma deixou ainda de me encantar. Ainda não há muito tempo, no blog do Puto, dei com uma referência a outros ilustres desconhecidos denominados Swell, que no mesmo ano de 1997 editam um disco de seu nome “Too Many Days Without Thinking”. A espantosa música “Sunshine Everyday” era uma vaga memória sem referência temporal, mas não conseguia fazer qualquer associação com o nome da banda que me dizia tanto quanto o nome do primo afastado do fulano que mora três quarteirões abaixo da minha casa. Depois de ter arranjado recentemente um exemplar do disco afirmo que, não tendo tido um impacto imediato, me rendo à obra extraordinariamente consistente que é, daquelas que sucessivas audições atentas nos levam a gostar cada vez mais do disco. Esta é, também, uma característica rara nos dias de hoje, onde a música se consome com a rapidez com que se fuma um cigarro. Assim, o ano de 1997 que ficou na memória de muitos como o ano de “OK Computer” dos Radiohead (eu incluido), assistiu à nascença de outras obras, mais ou menos esquecidas, das que mostram a necessidade de um bom serviço público de divulgação de música.

E para finalizar, fica em exposição lateral uma peça desse disco espantoso que é “Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space”: “Broken Heart” toca profundamente no nosso íntimo e os arranjos de cordas são da autoria de J. Spaceman, o nome por detrás dos Spiritualized, e Clare Connors, do Balanescu Quartet.

Though I have a broken heart
I'm too busy to be heartbroken
There's a lot of things that need to be done
Lord I have a broken heart


*Espanta-Espíritos é, ao mesmo tempo, uma referência ao nome dos Spiritualized e uma homenagem a António Sérgio, já que representa o nome de uma rubrica do seu programa “Grande Delta” emitido na extinta XFM. E porque é de pessoas como o António Sérgio que necessitamos para nos fazerem descobrir precisamente o que nem fazemos sequer ideia que existe. Quanto aos que acham que António Sérgio é dispensável, o tempo encarregar-se-á de os enterrar nos confins do esquecimento colectivo, pois só perdura na memória quem alimenta os espíritos famintos dos nossos sentidos.

Saturday, 29 September 2007

Dias Vulcânicos

A 27 de Setembro de 1957 entrava em erupção o vulcão dos Capelinhos no extremo oeste da ilha do Faial, nos Açores. A erupção duraria por mais de um ano e a ilha ficou um bocadinho maior. Hoje, passados 50 anos, são visíveis restos de algumas casas e o antigo farol, parcialmente soterrados pela acumulação de cinzas da erupção vulcânica. Parte do que foi acrescentado à ilha foi já objecto de erosão, que nestas coisas o mar não perdoa. Em 2005 percorri esse pedaço de terra, que é o mais jovem pedaço de território nacional que existe, onde a paisagem é ainda estranhamente alienígena, sem vestígios visíveis de algo vivo à superfície. Cinquenta anos não é tempo suficiente para formar um solo, um recurso importantíssimo que o abate de árvores e os incêndios deixa indefeso à delapidação pelos agentes erosivos da Natureza.



Tuesday, 18 September 2007

Alterações Climáticas: Um “Rough Guide” (III)

Depois de algum tempo de pausa, eis-me regressado a este tema. Entretanto, num outro blog, e ainda por causa de Michael Crichton, encetei uma breve discussão sobre este assunto, o que é sempre salutar. Desta vez vamos abordar algumas evidências que nos dão razões para ficarmos preocupados.


As medições do CO2 atmosférico iniciaram-se de forma sistemática nos anos 50 no observatório do Mauna Loa no Havai e desde então mostram que a concentração deste gás tem vindo continuamente a aumentar na atmosfera terrestre. Este gráfico, designado como curva de Keeling (superior), é um clássico onde se observam oscilações em forma de serra dentada devidas à variação do CO2 nos períodos de verão e de inverno em face da maior e menor intensidade da fotossíntese, respectivamente. Como é sabido a fotossíntese redunda num processo que, em última análise, transforma o CO2 absorvido em tecidos vegetais, mas há aqui dois aspectos a considerar: o total de CO2 absorvido na fotossíntese, correspondendo ao que designamos por produção primária bruta, não é todo transformado em carbono orgânico, isto porque na ausência da luz solar, as plantas respiram e libertam CO2 nesse processo. A diferença entre ambas as taxas é que determina, de facto, a quantidade de CO2 fixa em tecidos vegetais, ou seja, a produção primária líquida. Conforme constatamos, a biomassa vegetal (na realidade a grande maioria da biomassa terrestre) é um importante sumidouro de carbono da atmosfera, por isso é que a gestão dos solos, a desmatação e ocupação urbanas têm implicações no equilíbrio do CO2 atmosférico.


A par destas observações, os registos da temperatura média ao longo dos anos também demonstram uma clara subida, por vezes com patamares, como durante os anos 60. Já Svante Arrhenius, o químico sueco prémio Nobel da Química em 1903, previu quantitativamente a capacidade de o CO2 poder actuar como gás de efeito de estufa. Parece lógico que, mantendo todas as outras variáveis constantes, os efeitos da crescente introdução de CO2 na atmosfera por parte das actividades humanas tivessem como resultado esta mesma subida da temperatura. Mas será legítimo estabelecer um paralelismo de causa e efeito entre o CO2 e a subida da temperatura atmosférica? Não completamente. Os factores que influenciam o clima na Terra e a temperatura atmosférica não se esgotam no CO2. Tem sido com base nestes pressupostos que muita da contestação às evidências das alterações climáticas se tem manifestado. A dúvida e o cepticismo são fulcrais em ciência e por isso é importante quem age de forma crítica no campo oposto. O que já não é aceitável são pressões políticas e de outra índole que ambas as partes promovem. Assim, alguma contestação recaíu em problemas efectivos, como a dúvida sobre os métodos de medição das temperaturas. Os críticos argumentavam que essas medições estariam viciadas por serem feitas principalmente próximo de aglomerados urbanos, onde essas mesmas temperaturas serão mais elevadas. Por outro lado, as medições efectuadas por satélites pareciam reforçar isso mesmo uma vez que apresentavam uma diferença sistemática que ninguém conseguia explicar de forma convincente. No entanto, essas discrepâncias foram parcialmente eliminadas e publicadas num relatório de Abril de 2006 pelo US Climate Change Science Program, apresentando uma subida consistente das temperaturas na atmosfera a nível global, restando por explicar apenas as diferenças nas zonas tropicais. Outra vertente da contestação já pega em argumentos que são mais heurísticos, baseando-se apenas em situações particulares que servem de generalizações. Exemplos disso são as evidências do arrefecimento que parece afectar presentemente a Antárctica ou, em termos históricos, a existência de períodos particularmente frios (como na Europa do século XVI) ou particularmente quentes (como no início da Idade Média). O que se questiona é se não estaremos nós a atravessar um período equivalente. Estes pequenos episódios serão apresentados noutro texto, quando falar do clima no passado, mas diremos que honestamente, nada se pode garantir sobre esse assunto. Actualmente, as observações indicam uma consistência entre as várias variáveis em questão, nomeadamente o CO2 e o aumento da temperatura.


Que outros exemplos evidenciam aumento das temperaturas médias globais? A resposta é: retracção da cobertura de gelo no polo Norte; retracção dos glaciares a nível global evidenciada, pelo menos, desde os anos 80; subida da linha de altitude de diversas espécies vegetais em várias regiões do globo; aumento da frequência de tempestades violentas; aumento da temperatura média da superfície do oceano. Que mais será preciso ainda?


Artigos anteriores:

Thursday, 13 September 2007

Personalidade do Mês (Agosto)

Um Agosto que não parece ter dado o verão que todos desejariam, mas que assistiu a mais uma prova que o português só não é um gajo criativo poque lhe faltam meios, porventura financeiros, para se cultivar. Assim, o prémio vai para

Luis Filipe Menezes, presidente da Câmara Municipal de Gaia e eterno candidato à liderança do PSD, por ter escrito um blog sem uma única palavra da sua autoria.

Comentário do Comité do Restaurante:

Um óbvio discípulo de Clara Pinto Correia mas não ao mesmo nível já que Clara Pinto Correia pensava que neste país de parolos ninguém lia a New Yorker, exceptuando mentes esclarecidas como a sua. Já Luis Filipe Menezes mostra a natural limitação dos políticos portugueses, recorrendo à bem mais modesta Wikipédia. É mais um sinal que os políticos possuem salários miseráveis, pois nem uma assinatura da New Yorker conseguem manter. Propõe-se uma campanha de angariação de fundos para oferecer ao premiado a Enciclopédia Luso-Brasileira. Sempre poupa uns trocos a navegar na internet.

Thursday, 6 September 2007

BuziNão

Há dias assim, uma pessoa acorda e dá logo de trombas com uma notícia radiofónica (confesso que não sei muito bem como é que se dá de trombas com uma coisa que nos entra pelos ouvidos, mas soa bem e além disso a anatomia nunca foi o meu forte) que uns putos ingleses, que se autointitulam como “Buzinas”, ganharam o prémio maior de música daquela ilha. Como eu de música não percebo nada, sou da opinião que os gajos ganharam aquilo pelo título do disco: “Miths of the Near Future”. Qualquer coisa que tem um cheiro de futurismo no título deve, de certeza, representar a vanguada do que vai surgir por essas ondas radiofónicas mundo fora. Pior ainda é quando se utiliza a palavra “mito”: acho que foi com isto que arrasaram a concorrência. Agora que se exacerbou mais um “hype”, pobres dos nossos ouvidos que terão que aturar isto não sei quanto tempo. O que vale é que a maior parte das denominadas “mais uma grande banda da década” que vão aparecendo todos os anos, enlevadas num altar pelos doutos críticos musicais que atiram a tudo o que mexe com cagufa de deixarem passar, em vida, os génios que marcarão a música das décadas seguintes, vão desaparecer da memória colectiva com a mesma rapidez com que decidiram, um dia, pegar nuns instrumentos e começar a tirar de lá uns acordes (inspira! que o ar já escasseia depois de ler esta frase). Felizmente não lhes deu para usarem campaínhas, apesar de o nome da banda fazer recear o pior, talvez por ser o instrumento mais tocado por toda a gente. A propósito: acham que ainda há macacos no Árctico, ou teremos de esperar pelo aquecimento global?

Informação Científica: o Mercúrio é um metal tóxico que causa lesões graves no cérebro.

Advertência ao Consumidor: Esta crítica foi escrita por um gajo que não percebe nada do assunto, e que só ouviu umas duas ou três musiquinhas (são mesmo musiquinhas) destes tipos mas que foram o suficiente para os achar particularmente irritantes. Assim mesmo, sem concessões!

Wednesday, 5 September 2007

30 Anos a Voyager no Espaço


Foi neste dia do ano de 1977 que a nave Voyager 1 foi lançada para o espaço com o objectivo de vaguear no Universo como um vagabundo das estrelas, não sem antes ter visitado alguns objectos celestes do nosso sistema solar. Actualmente é o objecto humano mais distante da Terra, a umas respeitáveis (para nós) 104 Unidades Astronómicas, ou seja, 104 vezes a distância média da Terra ao Sol. Uma mensagem da Voyager 1 demora cerca de 13 horas a chegar até nós. Tal como uma mensagem numa garrafa que enviamos para o mar numa ilha deserta é caso para dizer que, apesar da distância, não saíu ainda sequer da praia.


No seu percurso visitou Jupiter e Saturno, mas agora está muito para além do último planeta do sistema solar, mas ainda dentro da área de influência do Sol. Apesar de ter sido lançada antes, em 20 de Agosto do mesmo ano, a Voyager 2 não se encontra tão distante. A Voyager leva consigo uma mensagem representativa da civilização e cultura terrestre na esperança que alguma civilização no espaço exterior a intersecte e assim tome conhecimento da nossa presença no Universo. Até agora parece que nos encontramos sozinhos por aqui, embora isso nos pareça ser um enorme desperdício de espaço, como afirmava Carl Sagan.


Imagens (C) NASA

Tuesday, 4 September 2007

Blog Alvo de Espionagem

A internet parece ser um meio promíscuo para ensaiar diversos tipos de manobras invasoras de propriedade alheia com o intuito de nos espiarem. Eu a julgar que só os americanos é que apanhavem destas no Pentágono mas eis que, sem saber como, me aparece aqui no blog esta mensagem:


Não faço a menor ideia de qual o significado da mensagem, mas desconfio que é para mandarem este blog à fava, talvez a pedido de algum ministro nacional preocupado com as sucessivas vagas de contestação que por aí andam.

Thursday, 30 August 2007

Os Eco-Idiotas

É Agosto, ninguém acha de mau-gosto

Num tempo em que a facilidade de reconhecimento maniqueista do capitalismo americano bom e do comunismo soviético mau se esvaneceu, procuram-se identificar novas referências e causas por que lutar. Os novos contestatários, sem as figuras carismáticas dos regimes revolucionários para os guiarem numa demanda romântica típica dos primeiros anos da juventude, atiram-se ao que apanham pela frente. Uma das causas actuais é a da preservação do meio ambiente. Vem isto a propósito da recente destruição de uma plantação de milho transgénico no Algarve por um bando de arautos da defesa ecológica. A manifestação por causas ecológicas e em prol da defesa do ambiente ou da saude pública são, a meu ver, de importância inquestionável. O que já não é compreensível é que a pretexto disso se prive alguém do seu rendimento vandalizando uma plantação. Aliás, tem-se criado um alarmismo exagerado relativamente aos organismos transgénicos condimentado com muita falta de informação, mas pouca importância se dá à actividade agrícola que faz uso de fertilizantes e pesticidas com um manancial de químicos cujos efeitos imediatos na saúde pública são bem mais graves. Notáveis são igualmente as declarações de Miguel Portas, mostrando simpatia para com a acção mas censurando o facto de se ter atingido um pequeno agricultor. Dá para questionar qual o plafond mínimo a partir do qual a acção passa a ser perfeitamente aceitável. Já estou a ver os activistas a investigarem as declarações de IRS dos proprietários ou o IRC das explorações agrícolas para determinar se a plantação visada cumpre os requisitos para a vandalizarem. Finalmente, creio que só mesmo os elementos de uma sociedade abastada e sem preocupações com a alimentação se lembrariam de cometer tal acto.

O mundo está cada vez mais plural, miscigenado e urbanóide, mas mais igual em termos de referências, nomeadamente por via da sociedade de consumo. A Natureza é algo que está longe, é bonito e importa preservar a todo o custo, mesmo que para isso se tenha que privar os nativos dos paraísos naturais das oportunidades de melhorarem as suas condições de vida, esquecendo-se que a verdadeira preservação da Natureza está na alteração dos (nossos) hábitos de vida no primeiro mundo. Ao mesmo tempo também se vai achando piada fazer férias do tipo “ecológico” em sítios remotos, que não são isentas de impactos negativos para esses locais no pressuposto que o privilégio seja exclusivo dos eco-turistas e vedado às massas. Vão igualmente surgindo formas de vida alternativas que até têm várias virtudes, mas alguns dos seus praticantes revelam certos indícios de intolerância, a exemplo do que li recentemente sobre “veganossexuais” (já haviam os metrossexuais... é mais um género!). Aí, uma adepta afirmava que a ideia de beijar alguém que usa carne na sua dieta alimentar era nojenta. Em primeiro lugar, até desconfio que a autora destas palavras deve ser familiar do Macário Correia. No entanto, gostaria de salientar que considero que cada um é inteiramente livre de seguir os princípios de vida que entender sem que tal me cause qualquer incómodo. Mas isso não me impede de considerar que a forma como a afirmação foi proferida raia uma intolerância típica de algumas seitas religiosas. O espírito de tolerância parece-me um dever cívico básico de cada um de nós e acima de tudo devemo-nos saber respeitar uns aos outros reconhecendo precisamente aquilo em que somos diferentes e não apenas o que temos em comum.


Cartoon de Bandeira, publicado a 20 de Agosto de 2007 no DN (clicar para ver melhor).

Tuesday, 28 August 2007

As Conversas dos Outros

Creio que todos nós damos conta em diversas ocasiões que somos involuntariamente transportados para o interior da vida privada de terceiros que nunca vimos senão naquele momento em que sacam de um telemóvel e desatam a conversar, alto e bom som, sobre as chatices da Paula que agora também anda com o Carlos mas que afogou as mágoas no shopping da zona de residência. A moda, embora ainda não tão privada, parece ter-se transferido para os blogs...

Saturday, 18 August 2007

Garbage In, Music Out


Em mais uma breve aparição (a dar para o virtual), com as férias terminadas a 15 mas o corrupio de mais uma fugida Europa adentro em tarefas de comunicar ciência inter pares que me levam ausente por mais uma semana, venho aqui agradecer os desejos de boas férias dos obstinados visitantes. Em sinal de reconhecimento, e porque a edição de um Best of dos Garbage me fez retirar o seu disco homónimo do já distante ano de 1995 da prateleira, relembrando assim a sua excelente estreia com uma música que fundia alguns géneros dentro do rock, pop e electrónica e que por vezes nos leva a apetecer pular que nem loucos com um som uns decibéis acima da média, deixo o painel das audições renovado. Foi um dos grandes discos desse ano. Como corolário do que também acontece ou vai acontecer a muita banda do momento, os Garbage nunca mais se acercaram deste nível, passando a aproximar-se mais da máxima “Garbage In, ...”. Fica um dos momentos altos do disco, Queer, para audição.

Enjoy!

Friday, 27 July 2007

A Personalidade do Mês (Julho)

Com o aproximar da Estação Idiota (mais conhecida por Silly Season) aumentam também as notícias igualmente idiotas. Nesta altura não há muita pachorra para ouvir notícias, mas ocasionalmente, alguma acaba por cruzar o trajecto dos meus ouvidos e lá fica registada alguma coisa. Assim, e até porque o nomeado é um representante da região com a maior concentração de idiotas por metro quadrado durante a referida Estação, daqueles que aparecem depois muito em revistas igualmente idiotas, o prémio vai para:

Macário Correia, Presidente da Câmara de Tavira e ex-qualquer coisa do ambiente, ao ser questionado por uma jornalisa da TSF sobre o que havia causado a explosão em Tavira respondeu que “...a explosão se deveu a material explosivo”.

Comentário do Comité do Restaurante:

Atendendo ao facto que o Comité pensou durante dias e horas a fio sobre uma resposta equivalente e não consegui encontrar nenhuma, é no mínimo notável a rapidez e clareza da resposta de Macário Correia. Na nossa opinião, o premiado anda a lamber demasiados cinzeiros.

Nota do Comité: O Comité do Restaurante avisa o Dr. Alberto João Jardim que não vale a pena armar-se ao pingarelho e não aplicar as leis da República só para que se veja nomeado para este prestigiado prémio. O Comité não responde a ameaças e atitudes idiotas que só ficam bem a adornar a estação que agora se aproxima, mas avisa que ao contrário dos últimos comentários proferidos por V. Exa. aconselhamos vivamente que apanhe com urgência um avião e consulte os serviços médicos de uma instituição nas bandas da Avenida do Brasil em Lisboa, com especialistas em tratamento de doenças crónicas que revelem obsessões graves, como a que tem demonstrado há já várias décadas.

Umas Boas Férias!

Saturday, 21 July 2007

A 10 000 m do Chão...

Junção de dois glaciares na Gronelândia.

Na Baía de Hudson, no Canada.

Baía de Hudson, no Canada. Os padrões são o resultado do dobramento das rochas.

Por um Planeta onde ainda seja possível ver estas imagens no futuro...

Monday, 16 July 2007

Portugal Já Não Mora Aqui

José Saramago, por Vasco

Senilidade: s.f., deterioração mental ou física devida à idade avançada; velhice; senectude.

Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha” – José Saramago (DN, 15 de Julho de 2007)

“Não sou conselheiro de ninguém, mas se eu fosse aos espanhóis não sonhava sequer em promover tal integração, salvo se lhes quisesse lixar a vida e os níveis de desenvolvimento” – Membro deste estabelecimento, que nunca ganhou um Nobel nem tem importância nenhuma.

Saturday, 14 July 2007

Personalidade do Mês (Junho)

Tem sido muito complicado arranjar tempo onde ele não existe, mas a equipa cá da casa não poderia deixar de manter esta rubrica dos prémiozitos para a rapaziada desse mundo fora que demonstre ser merecedora de tal distinção.

A bufaria e o controlismo agudo parece ser o mote no Ministério da Educação, tendo agora a Associação de Professores de Matemática (APM) sido convidada a abandonar a comissão de acompanhamento do Plano da Matemática uma vez que criticou as declarações proferidas pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Mas achamos que esta matéria começa a ser perigosamente repisada, revelando já alguns laivos de demência que colocam a democracia em estado de desgraça, e denota também uma profunda falta de imaginação. Assim, o prémio referente ao mês passado (com as eleições para a CML jà amanhã) vai para

Manuel Monteiro, candidadato à CML, que afirmou, em entrevista à TSF, que é um anormal da política.

Comentário do Comité do Restaurante:

Os nossos sinceros parabéns ao Dr. Manuel Monteiro pois a sua afirmação é de uma profundidade que julgávamos inexistente na classe política. De forma sucinta, tomou a vanguarda da própria classe sendo pioneiro em reconhecer e assumir algo que, no fundo, é comum a todos os políticos portugueses que até ao momento foram incapazes de o ver (e assumir) de forma tão clara, o que coloca a anormalidade do Dr. Manuel Monteiro numa anormal normalidade.

Menção Honrosa:

Então não é que George W. Bush consegui fazer desaparecer um relógio de pulso enquanto cumprimentava, calorosamente, uma multidão na Albânia?

Comentário: O Comité do Restaurante acreditava piamente que George W. Bush só conseguia fazer merda, mas enganou-se redondamente. O Comité soube, de fonte segura, que a sua filha lhe ofereceu um kit de ilusionismo, pelo que o presidente americano aproveitou precisamente esse contacto com a população albanesa para executar o truque do desaparecimento do relógio do pulso. Pelos vistos a sua demonstração foi brilhante, e somente os serviços de segurança deram pela manha do presidente, prontificando-se a esclarecer o Mundo. É extraordinário! Ninguém consegue enganar estes Americanos!

Thursday, 5 July 2007

Berardamerda de País


A abertura do tão propalado Museu Berardo, Colecção de Arte Moderna e Contemporânea tem feito gastar muita tinta e alguma saliva na comunicação social. Uns apoiam, outros contestam e outros ainda, nem por isso ou talvez sim. Mais recentemente, após a data de abertura do Museu que ocupa os espaços do CCB, veio ao de cimo a divergência entre o senhor Comendador e António Mega Ferreira. Não sei de pormenores, mas no blog Sound+Vision, essa polémica até me parece bem comentada por João Lopes no essencial que importa dizer sobre a mesma. A minha questão é, aliás, completamente diferente e resume-se à oportunidade (ou oportunismo) de tal iniciativa proposta por um senhor Comendador, título que nem sei bem o que quer dizer (é como o Intelectual).

O senhor Joe (ou será José?) Berardo tem na sua posse uma colecção de arte contemporânea que, segundo especialistas, está entre as melhores a nível mundial. Valendo-se desse facto, o estimado senhor faz ao governo desta espécie de país uma proposta para que a sua colecção de arte fique residente no que diz ser o seu país de origem. Revelando um sentido patriótico sem precedentes, mas não renegando a sua veia para o negócio do tipo merceeiro, quer contrapartidas financeiras do estado e, para além disso, um espaço público para expor a sua colecção. O seu sentido patriótico ficou até muitíssimo bem patente com a chantagem (sim, chantagem!) de levar a sua colecção para outro país se não visse satisfeitas as condições que impôs ao Estado. Perante a opinião pública, Berardo mostra-se como um patrono das artes e da cultura em Portugal, mas só engole a patranha quem não consegue distinguir o sabor de um limão do de uma azeitona. Assim, amarra-se o generoso espaço do CCB a uma exposição fixa, em detrimento de muitas outras que por ali tinham condições de serem exibidas com sucesso, com uma programação incerta em função de um orçamento a curto prazo vindo do erário público. Um bom negócio para o Comendador, um mau negócio para todos nós. O problema aqui é que Berardo vê a sua colecção como mais uma fonte de rendimento e nunca como um verdadeiro objecto de cultura. Quanto a prejuízos, se os houver, serão acarretados pelo Estado. Assim, até um mentecapto com cérebro de galinha e destreza de uma preguiça consegue fazer fortuna a vender dicionários no Bangla Desh. Se isto é sentido de cultura e filantropia, que dizer de um Calouste Gulbenkian que ainda por cima era arménio? Ninguém viu Berardo usar da sua imensa fortuna, ou sequer das mais-valias das suas recentes especulações financeiras que são mais que suficientes para construirem um edifício condigno para albergar a sua colecção. Em toda a sua acção, não há um único gesto filantropo, somente há negócio e uma atitude nos antípodas do que se passa em países civilizados, onde muitas fortunas criadoras de Fundações são fonte de investimento nos valores da educação, saúde e cultura. Aqui, como já afirmou em tempos Miguel Sousa Tavares, são meros expedientes para fugir ao fisco ou arrecadar mais uns trocos. Justiça seja feita ao falecido António Champalimaud pela forma como decidiu aplicar uma parte substancial da sua fortuna. Mas para que seja reconhecido o mesmo estatuto a Berardo era preciso que ele tivesse algo que nunca o dinheiro conseguiu ou conseguirá comprar.

Tuesday, 3 July 2007

Uma Fugaz Aparição

Estou de volta! O tempo tem sido escasso e assim vai continuar, por isso os corajosos (e teimosos) visitantes deste espaço terão de esperar mais tempo que o habitual pelas actualizações. Dei conta também que a mui ilustre visitante Extravaganza decidiu eleger esta chafarica como uma das 7 Maravilhas da Blogosfera. Muito me honra tal distinção vindo da sua pessoa, mas espero que a performance do Restaurante fique à altura do país nos Festivais da Eurovisão o que, ao contrário do que a generalidade pensa, muito nos deve orgulhar.

Durante a minha ausência também deixei um desafio que espero ter sido apreciado por todos os que por aqui passaram entretanto. Acreditem que vale a pena ouvir as versões de Pascal Comelade. Assim, os títulos e respectivos compositores/executantes originais de cada uma das covers é o seguinte:

Cover 1 – “Smoke on the WaterDeep Purple (Ian Gillan, Ritchie Blackmore, Roger Glover, Jon Lord e Ian Paice), do seu álbum “Machine Head” (1972)

Cover 2 – “All Tomorrow’s Parties” Lou Reed / The Velvet Underground, do seu álbum “The Velvet Underground and Nico” (1967)

Cover 3 – “Honky Tonk Women” Keith Richards e Mick Jagger / The Rolling Stones, originalmente um single (Julho de 1969) e depois incorporado no seu álbum “Through The Past, Darkly (Big Hits Vol. 2)” (1969)

Cover 4 – “Grândola, Vila MorenaJosé Afonso, do seu álbum “Cantigas de Maio” (1971).

Deixo ainda, por algum tempo, as versões de Pascal Comelade.

Sunday, 24 June 2007

Ossos do Ofício

Durante a próxima semana encontro-me a desfrutar estes ambientes:


Até ao meu regresso, deixo aí ao lado 4 covers por Pascal Comelade e a sua Bel Canto Orquestra gravadas ao vivo em Lisboa, um nome já previamente citado neste estabelecimento. Aos estimados clientes é colocado o desafio de identificarem cada uma delas. Note-se que o público só deu pela última ao fim de 43 s. Have a nice week!

Wednesday, 20 June 2007

Balanescu Quartet


Um quarteto de cordas que debita ondas de musica moderna fazendo, de quando em vez, uma ponte com ritmos da música popular. Tendo como principal mentor o violinista Alexander Balanescu, o Balanescu Quartet tem poucos discos editados, de entre os quais este Luminitza onde as composições são partilhadas com a violinista Clare Connors, e cuja música de abertura, East, fica para prova dos estimados clientes. Na sua discografia contam-se interpretações de Micheal Nyman (de cuja banda Alexander Balanescu e Clare Connors eram membros) e de músicas dos Kraftwerk e uma banda sonora para o filme “Angels & Insects”. Luminitza evoca referências ao Leste, em especial à Roménia de onde Alexander Balanescu é natural. Vi-os ao vivo em 1998 durante a Expo’98 conjuntamente com David Byrne e só por si valeram aquela noite. Já haviam colaborado no disco Feelings de David Byrne e, do meu conhecimento, também fizeram parte do elenco de músicos que gravou o belíssimo Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space dos Spiritualized, a mais espantosa ode musical à dor (de enamoramento e paixão) com visões de substâncias ilícitas.

Sunday, 17 June 2007

As Chávez do Poder

Não me arrogo a especialista de coisa nenhuma, exceptuando daquilo que profissionalmente faço, pelo que nada desta prosa pretende ser mais do que realmente é: a minha singela opinião. Se bem que, com um pouco de lata e os conhecimentos certos, se possa ser um “fazedor de opiniões” como são designadas aquelas personalidades iluminadas que povoam o espectro hertziano debitando um palavreado com almejo de uma inatingível sapiência para deguste de supostos deslumbrados (com uma prosa assim, bem retorcida, até me candidato a um lugarzinho). Sim, porque os outros, na primeira oportunidade, mudam para a telenovela mais próxima, pois não tendo a capacidade do deslumbramento perante os novos oráculos televisivos, têm pelo menos a sensatez de procurar algo igualmente fútil, mas ainda assim menos indigente.

Mas voltando à razão que me leva a escrever estas linhas, tal deve-se a uma referência à súbita quebra de popularidade do presidente Hugo Chávez perante a opinião pública venezuelana (ela ainda existe? não terá sido extinta por decreto?). Ao que parece, a sua decisão (tele)visionária de mandar encerrar o canal televisivo venezuelano RCTV, não lhe renovando a licença, teve como efeito uma quebra da sua base de apoio para 36%, com 86% a manifestarem-se contra a referida decisão. Sabendo que nunca a insanidade mental de certos líderes impediu que os povos os seguissem até ao abismo, o que é que terá acometido, subitamente, ao povo venezuelano? Creio que a razão se centra essencialmente na televisão, e na provável incapacidade de Chávez ter percebido que se está a meter com um poder infinitamente maior que a sua própria loucura e cegueira. Nem será preciso fazer um esforço de imaginação neste nosso cantinho se um dia alguém decidir que os cidadãos já não precisam de votar, ou se o PNR até eleger uns quantos deputados para a Assembleia da República, ou se os divórcios passarem a ser proibidos por lei e o Estado deixar de ser laico para ser católico, e nessa altura constatar que não haverão muitos a insurgirem-se contra tais decisões ou acontecimentos. Mas se, pelo contrário, acabarem com as telenovelas, os reality-shows ou os intermináveis programas culturais sobre a esfericidade do esférico que rolou nos relvados no fim de semana anterior, assistiremos seguramente à maior revolução que há memória na história.

Tuesday, 12 June 2007

A Indigência Política

O futuro aeroporto de Lisboa é um tema recorrente em todo o espectro social português. Não há luso de gema mais digno desse nome que não manifeste uma opinião, supostamente ponderada, supostamente aprofundada e supostamente informada sobre este assunto. Até é de crer que o futebol enquanto matéria de discussão nacional está perigosamente a ficar relegado para segundo plano. Mesmo na campanha para a Câmara de Lisboa o tema, que mais tem sido usado como arma de arremesso político entre candidatos do que para o debate de ideias para o município, é levado ao cúmulo do ridículo. Agora é o excelso candidato Telmo Correia que vem a púlpito afirmar a necessidade do estudo da opção “Portela mais segundo aeroporto” e que, se o governo não levar a cabo esse estudo, então deverá ser a Câmara a fazê-lo. É mais uma arrochada para a confusão geral, que de si já não é pequena, depois de técnicos de aviação civil afirmarem que esta possibilidade enferma do conflito entre os corredores aéreos dos aeroportos, pelo que a existirem não funcionariam como duas infraestruturas autónomas comprometendo assim o seu objectivo básico e primordial. Mas o mais notável é a proposta de ser a Câmara a promover esse estudo, depois de sermos bombardeados com informações sobre o buraco financeiro da edilidade. No meio disto tudo confesso-me incapacitado de perceber e discernir qual a opção correcta, mas creio que é mesmo esse o objectivo de todas estas intervenções.Cá por mim, a solução é simples e espanta-me que ninguém ainda tenha pensado nela. Façam o aeroporto em Madrid. Os espanhóis, ao que parece, tiveram a mesma ideia, por isso não vale a pena gastarmos um tusto porque os (verdadeiros) otários dos espanhóis já o fizeram. Quanto a potenciais prejuízos económicos e turísticos, apenas direi que com o tipo de fauna que por aqui se anda a pavonear, continuamos a fazer jus às palavras do Eça: isto é apenas um apeadeiro, e mal frequentado! E isto basta para percebermos quão interessante se torna para um alienígena pisar o solo português.

Cartoon de Bandeira, publicado no DN de hoje (clique na imagem para ver melhor).

Sunday, 10 June 2007

O Restaurante Errou


Fui à feira do livro este Sábado naquela que terá sido, provavelmente, a primeira e última visita da edição deste ano. Infelizmente, o tempo escasseia para estas coisas... Deu, no entanto, para ter uma percepção da oferta, a qual se encontra longe dos tempos áureos da feira. Na segunda passagem pelos expositores, dei de caras com um livro que me chamou a atenção: “O Estranho Caso do Cão Morto” de Mak Haddon e na sua 5ª edição pela Editoral Presença, tendo sido originalmente publicado em 2003. Pois esta é, nada mais nada menos que, a tradução do já aqui mencionado “The Curious Incident of the Dog in the Night Time”, em cujo post (e até ao dia de ontem) me mostrava convencido que não existia tradução em Portugal (pelo vistos na revista Visão, cuja notícia me inspirou o post, também não). Pois bem: a Equipa do Restaurante errou! E assim pede desculpa aos estimados clientes, incitando-os agora a comprarem urgentemente este livro e deliciarem-se com esta história. Esperemos que a tradução não tenha feito muitas mossas, mas no título em português já se perdeu a citação a Sir Arthur Conan Doyle.

Thursday, 7 June 2007

O Efeito “Caracóis de Ouro”


Já andava prometido e tinha este texto escrito há um tempo quando dei conta, nestes dias, da publicação do livro “The Goldilocks Enigma: Why Is the Universe Just Right for Life?”, por Paul Davies (Allen Lane, 2006) e que trata precisamente do assunto aqui abordado.

Pois bem, para quem não conheça a história infantil, “Caracóis de Ouro” (Goldilocks) era uma menina que um dia, quando passeava na floresta com um mau humor tremendo, decidiu entrar descaradamente na casa de uma família politicamente correcta de 3 ursos (pai, mãe e filho) e desatar a bisbilhotar e usar sem permissão tudo o que lhe aparecia à frente. A situação descrita na história e razão deste post é a particularidade de somente o que pertencia ao urso filho servir na perfeição a Goldilocks (“it’s just right” como afirmava). E o que é que isto tem a ver com ciência?

Tal como a moral de uma história, com o “Efeito Caracóis de Ouro” pretende-se realçar que há certas coincidências (ou serão meras limitações do nosso conhecimento?) que parecem ter-se conjugado todas para o nosso bem-estar, seja para a nossa própria existência no Universo ou na Terra. No primeiro caso, podemos evocar a raíz desse problema no chamado “Princípio Antrópico”. Dito de uma forma muito (muito) simples, admite que o Universo é como é porque nós existimos e, enquanto espécie inteligente, podemos efectuar observações nesse mesmo Universo. Existem contudo outras variantes do princípio, originalmente proposto pelo astrofísico Brandon Carter em 1973. John D. Barrow é um astrofísico inglês que tem livros dedicados a este assunto, um dos últimos, “The Constants of Nature: From Alpha to Omega” (Jonathan Cape, London, 2002), foi de onde retirei estes exemplos. Não deixa de ser inquetante que quando se consideram os valores que certas constantes da Natureza devem tomar para que o Universo seja habitável se chegue a uma desconfortável zona restrita, apesar dela representar a confortabilidade da nossa existência. Ou seja, considerando a razão entre as massas do electrão e do protão e a constante da estrutura fina (nome para uma constante que se define pelas constantes da carga do electrão, de Plank, velocidade da luz no vácuo, gravítica universal e massa do protão, e cujo valor é aproximadamente 1/137), a área onde se podem desenvolver estruturas no Universo é deveras apertada: um pouco mais de uma e não existem estruturas ordenadas; um pouco menos de outra e não existem estrelas; um pouco mais de ambas e não existem átomos não relativistas... Se metemos a força nuclear forte ao barulho também não chegamos muito longe: de menos e os elementos essenciais às formas de vida que conhecemos não se formam; demais e forma-se o diprotão (hélio-2) que permite um consumo rápido do hidrogénio das estrelas, ou seja, consomem-se demasiado depressa e não sobra tempo suficiente para originar estruturas vivas complexas. Em termos do Universo, parece que as leis da Natureza são “just right” para nós pulularmos por aqui e eu andar a chatear quem (ainda) tem a paciência de ler esta prosa. Filosoficamente, para mentes racionalistas, não deixam de ser questões desconfortáveis para as quais não há uma resposta satisfatória. Alguns, mais afoitos, até se aproveitam da situação para propalar que esta é uma prova de que Deus existe. Não exageremos! No entanto, até parece que o Universo foi feito para nós, e de encomenda!... Será?

E o Planeta Terra? Nos últimos tempos têm-se descoberto vários planetas extra-solares e é óbvio que existe na mente de quem empreende estas buscas ou de quem somente vai dando conta das notícias, que há uma esperança de, um dia, se descobrir um planeta como a Terra, com as condições favoráveis para o desenvolvimento da vida. E que condições são essas? Quando alguns cientistas começaram a pensar de forma mais séria sobre o assunto, chegaram à conclusão que a Terra parece ser bem mais especial do que se pensava. Mais, que a nossa existência (ou sobrevivência) resulta de um punhado de eventos felizes e coincidentes, tão difíceis de conciliar de uma só vez que a probabilidade, sequer, de se terem repetido no Universo é extremamente baixa. Nesse sentido, Peter Ward e Donald Brownlee, geólogo e astrónomo, respectivamente, da Universidade de Washington em Seattle, publicaram o livro controverso “Rare Earth” (Copernicus, Springer-Verlag, 2000) e que acaba por ser uma resposta à equação de Drake, apresentada num post anterior. Nele se argumenta porque é que a vida complexa deverá ser efectivamente rara no Universo. A talhe de foice vêm também as diversas condições para o desenvolvimento e sobrevivência da vida. Desde logo a nossa posição na galáxia, a Via Láctea, o tipo de galáxia e a idade actual do Universo. Mas comecemos por dar outros exemplos, um por um:

1. A distância do Sol: mais perto e isto era um forno; mais distante e era um frigorífico;
2. A massa do Sol: dá-lhe um tempo de vida suficientemente longo e não acaba de forma catastrófica, além de não emitir muitos raios ultra-violetas (não fosse a nossa camada de ozono...)
3. Órbitas planetárias estáveis: nomeadamente a existência de planetas com uma massa grande;
4. A massa da Terra: consegue reter uma atmosfera (um problema em Marte) e mantém um interior activo que resulta na Tectónica de Placas (os continentes andam todos à deriva na superfície do planeta). A Tectónica de Placas é uma manifestação externa do interior tumultuoso que permite, entre outras coisas, manter um termostato à custa do CO2 e dos silicatos através da meteorização (alteração) das rochas (só válido à escala dos milhões de anos) e gera o campo magnético terrestre sem o qual éramos continuamente bombardeados por raios cósmicos de alta energia;
5. A presença de Júpiter: devido à sua enorme massa pode enviar para longe de perigo um grande número de cometas e asteróides. Se a Terra estivesse constantemente a ser bombardeada (como já foi no passado remoto, e tem sido embora com uma frequência baixa) não havia vida que perdurasse por muito tempo;
6. A Lua: a sua dimensão e distância estabiliza a inclinação do eixo de rotação da Terra em relação à sua órbita. O próprio ângulo, não sendo muito grande, permite que as estações existam e não sejam muito severas.

E existiriam ainda alguns pontos adicionais... Em suma: “It’s just right!” mais uma vez. Is it?

Pode ser uma profissão de fé como outra qualquer, mas para mim tudo isto é sinal de quão pequenos somos perante a nossa ignorância. E continuo a dispensar a existência de Deus sem qualquer problema.

Wednesday, 6 June 2007

O Chef do Caldo


Stanley L. Miller, era professor jubilado de Química e Bioquímica na Universidade da California, em San Diego, e faleceu dia 20 de Maio de 2007 com 77 anos. Miller ficou mundialmente conhecido depois de, sob a orientação de Harold Urey (1893-1981, Prémio Nobel da Química em 1934 pela descoberta do hidrogénio pesado: isótopos com um – deutério – ou dois – trítio – neutrões no núcleo atómico), ter realizado uma experiência laboratorial com o propósito de simular as condições na atmosfera da Terra primitiva e estabelecer de que forma essas condições tinham sido responsáveis pela síntese de moléculas orgânicas e, consequentemente, pela origem da vida na Terra. Corria o ano de 1952 e Miller estava no decurso do seu doutoramento e nos seus balões de vidro, cheios de hidrogénio e metano para simular a atmosfera, e água para simular os oceanos, provocou diversas descargas eléctricas e ao fim de uma semana, obtinha um “caldo” de aminoácidos, as unidades elementares das proteinas.

O conhecimento actual sobre as condições primitivas na Terra é ainda muito fragmentário e duvidoso, mas mais informado que em 1952, a tal ponto de se considerar que as condições atmosféricas na experiência de Urey-Miller têm pouca semelhança com a atmosfera primitiva da Terra, sobre a qual existem, ainda assim, alguns indícios. Por outro lado, crê-se que a probabilidade de um conjunto de moléculas orgânicas concorrerem todas para a construção de uma estrutura altamente organizada como o ADN é extremamente baixa. Assim, as correntes actuais apontam para que tenha havido uma base inorgânica, nos minerais, na origem destas moléculas complexas. Estes minerais, de entre os quais se encontram as argilas, terão servido como substrato catalizador das reacções e “template” para a formação de cadeias lineares destas moléculas dada a estrutura química repetitiva desses mesmos minerais. A vida terá começado não exactamente num “caldo orgânico”, mas talvez mais numa “sopa de pedra”.

Apesar destes avanços, a experiência de Miller provou que, pelo menos, era possível a síntese das moléculas orgânicas sem grande problema, e sem isso nada do que vem a jusante é possível.

Monday, 4 June 2007

Personalidade do Mês (Maio)

Maio, maduro maio, quem te pintou
Com as cores do deserto, nunca te amou!

(Variações sobre José Afonso)

Antes de anunciarmos a personalidade eleita este mês e que deixou a concorrência a milhas de distância com um deserto pelo meio, algumas breves referências a factos dignos de cogitação aprofundada. Desde logo o pequeno Howard David Ludwig que aos 10 meses de idade não fala, não come sozinho e não anda, mas já tem licença de porte de arma (nos EUA, where else?). Uma ideia brilhante do seu pai, Howard Ludwig, que atendendo à fértil imaginação que teve para baptizar o seu filho deve ser pessoa de uma consciência filosófica transcendental. Eu, se fosse ao Miguel Sousa Tavares passava a ter cuidado com as declarações proferidas sobre crianças em restaurantes. Pior que tudo o que ele disse, é ter uma criança num restaurante com uma 9 mm em punho!

Mas isto não ficou por aqui, pois este estabelecimento que até se dá ares de sério em matéria de ciência, constata que afinal a segunda lei da termodinâmica não é lei coisa nenhuma. Para o provar temos o ministro israelita da Segurança, Avi Dichter, que ameaçou o primeiro-ministro palestiniano, Ismail Haniyeh, do Hamas, afirmando que pode tornar-se num “alvo legítimo”. Eis pois onde a segunda lei da termodinâmica falha: o problema isrealo-palestiniano é uma máquina de movimento perpétuo. A vantagem é que poderemos ter aqui o vislumbre de uma fonte energética inesgotável, mas quanto a ser limpa, temos as nossas dúvidas.

Quanto ao comentário jocoso sobre a licenciatura de José Sócrates (ou foi anedota? ou foi, afinal, o quê? alguém nos pode explicar?) do professor Fernando Charrua veleu-lhe uma suspensão e um processo disciplinar em acto contínuo por parte da Directora Regional de Educação do Norte, Margarida Moreira. A Pide não faria melhor, mas como este estabelecimento até foi alvo de algo do género, a prudência aconselha-nos a refrear os nossos comentários.

E agora o grande vencedor:

Mário Lino, ministro das Obras Públicas, pela afirmação no final de um almoço promovido pela Ordem dos Economistas sobre a Ota, que a Margem Sul é um deserto.

Comentário do Comité do Restaurante:

A presciência do ministro Mário Lino não merece grande comentário, tal a eloquência da afirmação. Faremos apenas referência às pérolas que se seguiram. A começar pelo facto de a Margem Sul ser um deserto, fazer aí o futuro aeroporto de Lisboa seria uma “obra faraónica”. Declarações premonitórias sem dúvida pois os faraós reinaram num deserto encostado a um rio.

Mais um exemplo: “Na Margem Sul não há cidades, não há gente, não há hospitais, nem hotéis, nem comércio”, e de acordo com um estudo recente, “seria necessário deslocar milhões de pessoas” para essa zona para justificar a construção do novo aeroporto. De facto, das últimas vezes que me dirigi a Sul, atravessando a ponte, levava o carro cheio de jerricans com água para suportar as agruras da área, tão deserta de gente que ela está.

Outro exemplo: Fazer um aeroporto “no Poceirão ou nas Faias” seria o mesmo “que construir Brasília no Alto Alentejo”. Somos da opinião que os brasileiros fizeram bem pior: construiram Brasília no Cú de Judas!

Agora, juntem a Mário Lino, o ex-ministro das finanças de Cavaco Silva, Braga de Macedo, e têm o oásis no deserto.

Em homenagem a Mário Lino, fica aí ao lado em audição o 1º movimento de "The Desert Music" de Steve Reich, incluído na colectânea Phases. Os estimados clientes podem também apreciar esta peça da escola minimalista contemporânea.

Menção Honrosa:

O jogging do primeiro ministro, José Sócrates, em Moscovo, que levou ao encerramento da Praça Vermelha.

Comentário: Com este acontecimento, quem dirá agora que Portugal não tem projecção e influência internacional? Perguntem ao Bush se ele consegue fazer o mesmo.

Comunicado do Comité do Restaurante: a equipa que esforçadamente tenta dar um ar de seriedade a este estabelecimento, mas sem qualquer sucesso até ao momento, declina qualquer responsabilidade pela demissão anunciada de Paul Wolfowitz do Banco Mundial. Aliás, esta mesma equipa manifesta um profundo pesar por tal decisão, pois é da opinião que se perde um elemento competente na promoção da guerra no Iraque e, acima de tudo, com um espírito de sacrifício sem paralelo.